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Primeiro ensaio Peugeot 208 1.2 Puretech: será que a forma tem conteúdo?

José Manuel Costa by José Manuel Costa
16 Outubro, 2019
in AUTO+
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O novo 208 tem uma subtileza que parece ter assetado arraiais na Peugeot: acabaram as mudanças de nome e o utilitário da casa francesa continua a ser o 208. Importante? Muito!

Quando se fala da criação de uma imagem de marca, manter o nome dos modelos ao longo das gerações é importante para construtores cujo nome não seja famoso o suficiente. A Peugeot, a cada novo modelo, foi mudando os números. Com Carlos Tavares, isso parece ter acabado e o nome, neste caso, o número de cada gama veio para ficar para as próximas gerações. No caso vertente do 208, caso fosse seguida a política anterior, estaríamos face a um 209, talvez. O carro é quase totalmente novo e tem muitas coisas interessantes, a começar, desde logo, pelo estilo.

Aqui a diferença é enorme face ao anterior modelo, pois a Peugeot decidiu adotar uma forma mais musculada e agressiva com os “dentes de sabre” e as “garras do leão” nos faróis e farolins LED, a destacarem-se na comparação com a face envergonhada do anterior 208 que parecia estar sempre a morder o lábio. E se colocar lado a lado os dois 208, parece que o anterior foi passado por aquela aplicação “Face App”, tendo envelhecido dezenas de anos.

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Estilo musculado mas sedutor

O novo utilitário da Peugeot ganhou corpo sendo ligeiramente maior e mais largo e também mais baixo que o antecessor. O para brisas está tem uma curvatura mais acentuada e os pilares A foram avançados para cima das cavas das rodas, fazendo rimar melhor a superfície vidrada com o resto do carro. As cavas das rodas são pronunciadas e possuem uma nervura que permite em algumas versões aplicar proteções em plástico preto do melhor efeito. 

Na traseira, a barra negra que corre a toda a largura do carro e engloba os farolins, é semelhante ao que vemos no 508 e 508 SW, embora a maior altura da traseira deixe um pouco de chapa à mostra com a colocação da chapa de matrícula no para choques. A “boca” negra que alberga os refletores e o escape, oferece outra dimensão a uma traseira musculada apesar de algum excesso de chapa à mostra pela colocação da chapa de matrícula no para choques.

Enfim, embebendo o 208 num olhar crítico, tenho de dizer, primeiro, que o carro é mais bonito ao vivo que em foto e que apesar de não ter uma versão de três portas, o 208 está bem musculado e o resultado final impressiona. Pessoalmente, adorei o estilo do novo 208. Se quiser, deixe nos comentários, a sua opinião sobre o estilo do novo 208.

Interior surpreende

Confesso que não estava à espera de grandes novidades no interior – e a Peugeot não surpreendeu ao manter o i-Cockpit – mas também tenho de dizer que fiquei agradavelmente surpreso com a qualidade do habitáculo do 208. A aposta forte no que toca à sedução, pelo estilo exterior, prolonga-se no interior e não tenho muitas dúvidas em dizer que é dos carros com interior mais acolhedor do segmento. A qualidade percecionada é elevadíssima e a realidade acaba por confirmar, nos materiais como na montagem. Além disso, o interior do 208 está desenhado com gosto, musculado como o exterior, mas com detalhes muito interessantes que adicionam classe ao interior. 

Feito na perspetiva de dois patamares, o tabliê tem uma espécie de asa que abraça as saídas da climatização nos extremos do painel, e onde encontramos o ecrã de 7 polegadas, de série ou o opcional de 10 polegadas ligeiramente virado para o condutor e o painel de instrumentos digital 3D, que parecendo um “gadget” sem sentido, acaba por ter como ideia oferecer ao condutor dois tipos de informação: um mais premente que fica mais perto do condutor, outro que fica em segundo plano. O i-Cockpit obriga a ter um volante desenhado para que possamos ver tudo por cima dele e não através do aro e, como disse, a qualidade e o estilo são de topo. O equipamento do 208 em termos de tecnologia é muito bom, com quase tudo oferecido de série no que toca a ajudas à condução e segurança. No que toca á habitabilidade, o 208 está na média do segmento e na bagageira estão 265 litros, um volume competitivo.

Gama de motores completa

A base do carro é a plataforma modular para carros pequenos da PSA, a CMP. E por essa razão que o 208 é o primeiro utilitário a oferecer motores a gasolina e gasóleo e ainda uma versão elétrica, importantíssima para a Peugeot. A gama desenha-se em redor do bloco a gasolina 1.2 Puretech, amplamente usado no PSA Group, que surge com três patamares de potência: 75, 100 e 130 CV. O primeiro com caia manual de 5 velocidades, o segundo com opção entre uma caixa manual de seis e uma automática de oito relações, o último só com a caixa automática. A oferta diesel resume-se ao 1.5 BlueHDI com 100 CV e caixa manual de seis velocidades. Finalmente, a versão elétrica com 136 CV e 260 Nm de binário, com autonomia, segundo o protocolo WLTP, até 340 quilómetros.

Podem estar a perguntar como é que a Peugeot consegue fazer três versões distintas com a mesma plataforma. A resposta é simples: a base CMP foi pensada de forma inteligente para que na hora de eletrificar a gama, o carro possa ser produzido, independentemente, da motorização, na mesma fábrica. Isto permite ganhos de rentabilidade impressionantes e torna a versão elétrica mais acessível e coloca-a mais perto de ser rentável. 

Além disso, Jean-Philippe Imparato, CEO da Peugeot, deixou claro que depois da primeira reação do mercado ao 208, espera a casa do leão que a versão elétrica tome conta de uma generosa fatia de clientes. A versão diesel continua porque ainda há países onde o gasóleo impera e porque as diferenças de consumos continuam generosas e para quem viaja muito, compensa: os modelos a gasolina terão uma média de 5,6 l/100 km, o diesel fica-se por agradáveis 3,96 l/100 km.

Comportamento misto

As estradas nacionais foram um belo desafio ao 208. Em superfícies suaves e bem cuidadas, o Peugeot mostrou-se confortável e silencioso, com o três cilindros a mostra-se educado em termos de ruido, seja a baixas como a altas rotações. Há ali e acolá perturbações com ruídos aerodinâmicos e com o tempo menos favorável que apanhei na zona da Comporta, isso ficou evidente. Nenhuma surpresa, pois o motor da PSA é dos melhores.

A plataforma do 208 está equipada com um eixo traseiro de torção com suspensão passiva e em estradas regulares, tudo se passa sem grandes dificuldades. Quando o piso se começou a degradar, o 208 mostrou outra face. Menos solar e mais lunar, ou seja, o conforto encolheu e o controlo do carro ficou menos evidente, parecendo que estava ao volante de um desportivo com pneus de baixo perfil e suspensão endurecida.

Curiosamente, o 208 é um carro benigno em termos de comportamento, já que não nos assusta com reações intempestivas e o eixo dianteiro tem muita aderência. Mesmo que alguns movimentos da carroçaria fujam ao controlo das suspensões em algumas situações. Mas a Peugeot não se esqueceu do seu passado e o eixo traseiro do 208 tem alguma liberdade de ação, o que oferece alguma diversão ao volante, ajudado pela direção, mais direta e mais pesada que habitualmente. 

Veredicto

Inteligentemente, a Peugeot escolheu dois pilares de suporte para o novo 208: o estilo e a qualidade. O 208 é terrivelmente sedutor seja em que versão for (o GT então é um arrasa corações) e acompanha essa receita com um interior que, mantendo a ideia do i-Cockpit, tem agora qualidade compatível, quer percecionada, quer real. Tecnologia não falta dentro do 208 e por isso, este passa a ser um dos mais fortes candidatos a dominar o segmento, mesmo relegando para segundo plano áreas como o comportamento e a diversão ao volante. Compensa tudo isso com o estilo!

Tags: 208PeugeotPeugeot 208
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