Especialistas do sector automóvel antecipam que 2026 será um ano exigente para quem procura comprar carro usado na Europa, incluindo em Portugal. A persistência dos efeitos da crise dos semicondutores, a escassez de veículos seminovos e o reforço das regras ambientais deverão manter os preços elevados, embora os elétricos usados possam constituir uma exceção.
Segundo a carVertical, a produção automóvel reduzida entre 2020 e 2023 continua a repercutir-se no mercado secundário, com falta de viaturas entre três e seis anos e uma desvalorização mais lenta do que no passado. Apesar da estabilização da inflação em vários países da União Europeia e da descida das taxas de juro, os carros novos deverão manter preços semelhantes aos atuais, o que sustenta a procura e a pressão sobre os usados.
Elétricos em segunda mão mais apetecíveis
Em contrapartida, o segmento dos veículos elétricos de segunda mão deverá crescer rapidamente. O fim de contratos de leasing e a entrada constante de novos modelos no mercado vão aumentar a oferta, criando condições para uma descida de preços. A presença crescente de automóveis elétricos fabricados na China poderá também influenciar o mercado, embora a procura por essas marcas ainda seja incerta devido à sua maior desvalorização face a construtores europeus estabelecidos.
Políticas ambientais também influenciam
Paralelamente, as políticas ambientais da União Europeia terão impacto direto na circulação e no valor de muitos automóveis. Portugal tem apenas uma zona oficial de baixas emissões, localizada em Lisboa. A cidade está dividida em duas áreas (Zona 1 e Zona 2), cada uma com os seus próprios requisitos de emissões. A Zona 1 permite o acesso apenas a veículos que cumpram a norma Euro 3, enquanto a Zona 2 exige, no mínimo, a norma Euro 2.
O Porto também conta com uma “zona de acesso condicionado”, que regula os veículos que podem entrar em determinados bairros do centro histórico da cidade.
O quadro regulamentar ficará ainda mais apertado com a entrada em vigor da norma Euro 7 a partir de finais de 2026, passando a abranger não só emissões de escape, mas também partículas resultantes do desgaste de travões e pneus, aplicáveis inclusive aos veículos elétricos. As novas regras exigirão que os automóveis mantenham os níveis de conformidade até dez anos ou 200 mil quilómetros, condicionando o valor futuro dos modelos no mercado.











