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F1, Notas AutoSport: Uma Haas surpreendente

Fábio Mendes by Fábio Mendes
8 Agosto, 2018
in F1, FÓRMULA 1
A A
Fórmula 1: FIA vai analisar se a ligação Ferrari/Haas é “demasiado próxima”

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A Haas estreou-se na F1 em 2016 com um plano ambicioso de ter sucesso no prazo de 10 anos. Não seria tarefa fácil, mas Gene Haas e a sua equipa tinham um plano. Aproveitar todo o conhecimento de outras estruturas e coloca-lo à disposição da sua equipa. Uniu-se à Ferrari e foi buscar os máximo de componentes que os regulamentos permitiam. Para a parte da aerodinâmica, aliou-se à Dallara também com ligações à Ferrari e começou a aventura. Os primeiros anos da equipa foram os normais numa estrutura nova, mas em 2018 a Haas deu um salto qualitativo tremendo e está hoje na luta por um lugar no top5 algo que no ano passado seria considerado muito difícil (para não dizer impossível). As suspeitas de que o chassis deste ano seria o mesmo da Ferrari do ano passado surgiram assim que o andamento da equipa se revelou mais competitivo que o previsto e se o “modelo Haas” foi várias vezes criticado, agora são várias as equipas a querem o mesmo tratamento.

Em pista os resultados tem sido positivos e ocupam o quinto lugar da tabela, mas poderia estar a ser um ano bem melhor não fossem alguns erros cometidos, quer pela equipa quer pelos pilotos.

 

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O filme até agora

A Austrália poderia ter sido um dos melhores dias de sempre da Haas.  Magnussen estava muito forte, Grosjean acompanhava-o de perto e esperava-se que trouxessem para casa muitos e saborosos pontos. Mas a estreia auspiciosa virou pesadelo com 2 paragens terríveis com problemas na fixação das rodas. Isso levou a uma dupla multa para a equipa, por irem para a pista sem condições de segurança, e mais que isso um golpe duro na moral dos mecânicos. Até o sistema que controla o semáforo que dá a ordem para o piloto arrancar falhou. Não era o dia da Haas. Ainda assim, o andamento dos carros foi notável.

Muito se falou da oportunidade desperdiçada da Haas na primeira jornada do ano. Mas no Bahrein capitalizaram parte do potencial demonstrado e Magnussen conquistou um muito positivo quinto posto. O dinamarquês suplantou o seu colega de equipa em toda a linha, quer em qualificação, quer na corrida. Magnussen teve lutas bem intensas, como é seu hábito, mas deu à equipa um prémio de consolação e o quinto  lugar dá um novo alento à equipa. Já Grosjean não teve o fim de semana que queria. Começou mal na qualificação onde foi apenas 16º e a corrida ficou consequentemente prejudicada. Ainda teve um problema com o carro (uma parte lateral soltou-se, algo infelizmente comum para a Haas) mas esteve claramente longe de tirar todo o potencial do carro.

No Bahrein o rendimento da Haas caiu bastante. Magnussen foi buscar um pontinho e Grosjean teve uma corrida fraca e no final teve de regressar às boxes para troca de pneus pois os que tinha já estavam no arame, o que o fez cair para 17º.

As oportunidades desperdiçadas da Haas continuaram no Azerbaijão.  Magnussen voltou a mostrar um comportamento pouco adequado em pista,  o que levou a uma penalização de 10 segundos e a perda de dois pontos na licença. A tendência do dinamarquês em exagerar na agressividade na defesa da sua posição continuava e ia correndo muito mal. Gasly não ganhou para o susto, numa manobra que fez lembrar o duelo Schumacher vs Barrichello na Hungria. Grosjean continuava num péssimo momento e desta vez,  com um erro nada bonito de se ver, ficou fora da prova que poderia ter-lhe dado os primeiros pontos do ano. Perder o controlo do carro da forma como ele fez, é um golpe tremendo na confiança.

Em Espanha voltamos a ter os dois lados da moeda da Haas. Por um lado Magnussen muito competitivo mas a exagerar desnecessariamente na defesa do seu lugar, mesmo nos treinos livres (voltou a fazer uma corrida muito boa) e Grosjean que cometeu outro erro comprometedor na primeira volta, acabando com a sua corrida e a de vários adversários.

Se nas primeiras corridas do ano a equipa não conseguiu capitalizar o bom andamento, no Mónaco a Haas esteve longe (muito longe) dos pontos. O carro da equipa americana não se deu nada bem com o sinuoso traçado citadino, que obrigou a alterações de última hora, com a remoção de alguns apêndices aerodinâmicos laterais que batiam em certas zonas da pista. Se a situação já não era boa de início, ficou pior com essa alteração forçada. Magnussen acabou em 13º e Grosjean, outra vez com um susto à mistura, lá conseguiu acabar a prova em 15º. Mas foi claramente um fim de semana para esquecer.

No Canadá foi mais do mesmo com a Haas sem capacidade para lutar pelos pontos. Grosjean teve finalmente uma corrida limpa mas não foi o suficiente para que a equipa voltasse aos pontos, enquanto Magnussen não escapou aos problemas da primeira volta. Tratou de compensar na França com uma boa prestação.  Kevin Magnussen esteve em grande nível na França, deu um pontapé na crise, lutou muito (especialmente com Bottas) e aproveitou os azares alheios (Sainz) para chegar ao sexto. Grosjean… voltou a ser Grosjean. Mostrou potencial, mas borrou a pintura, quer na qualificação quer na corrida.

O guião dizia que a Haas teria um bom resultado na Austrália mas afinal houve um engano e foi na Áustria que o melhor resultado do ano chegou. Grosjean fez a melhor exibição do ano e marcou os primeiros pontos de 2018. Uma gestão de pneus irrepreensível e um andamento forte, tal como Magnussen, que esteve  a um nível muito similar. A estratégia não o favoreceu tanto, mas fez o suficiente para ir buscar o quinto posto. Excelente prestação da Haas, que depois de uma fase menos positiva regressava de forma fulgurante aos bons resultados.

Em Silverstone a equipa retomou o serviço habitual. Kevin Magnussen voltou a fazer uma boa corrida, com muitas lutas duras, como é normal com ele. Conseguiu ficar nos pontos  e mostrar que tem qualidade embora o estilo agressivo não agrade a generalidade. Grosjean… depois de uma excelente exibição na Áustria, voltou a ficar mal na fotografia com dois toques e um acidente que ditou a desistência.

Na Alemanha o francês tentou compensar com uma corrida em esforço. Na qualificação foram mais fortes que os Renault mas na corrida, algumas falhas e azares não permitiram repetir a façanha. Grosjean arrancou mal e perdeu algumas posições com isso. Aguentou-se na primeira metade de corrida (muito movimentada) como pôde, mas guardou o melhor para o fim. A Haas arriscou nos Intermédios, o que se revelou um erro mas com os ultra-macios, Grosjean voou baixinho e se a dez voltas do fim estava fora dos pontos, cruzou a linha de meta em sexto, depois de uma recuperação notável. Magnussen teve uma tarde estranha e se andou grande parte da corrida confortavelmente nos pontos, caiu vertiginosamente na tabela quando a chuva apareceu e não foi capaz de contrariar essa tendência. Acabou quase de forma inexplicável fora dos pontos quando se esperava que iria ser ele a trazer a maior fatia do bolo para a equipa.

Na Hungria tivemos o reflexo de 2018. Magnussen fez uma corrida sólida, discreta mas eficaz e desta vez não exagerou na defesa da sua posição. Foi duro mas leal e defendeu até onde pôde sem cair nos exageros que se viram noutras corridas.  Grosjean não teve a sorte do seu lado. Passou Alonso no recomeço da corrida após o primeiro VSC mas saiu das boxes após a sua paragem no 12º posto atrás de Sainz e Ocon, o que lhe arruinou a corrida. Mas conseguiu ainda assim ir buscar um ponto.

 

Magnussen vs Grosjean

Grosjean é o piloto mais antigo da equipa mas tem tido um 2018 para esquecer. Ficou apenas por 3 vezes à frente do colega de equipa em qualificação e a estatística repete-se em corrida. Tem quatro desistências contra apenas uma de Magnussen, que tem sido a estrela da equipa. Mas curiosamente, o melhor resultado do ano foi conquistado por Grosjean, o que não chega para disfarçar a diferença pontual (44 – 21 a favor de Kevin).  Magnussen sempre mostrou ser um piloto rápido e precisava apenas de estabilidade para  o mostrar. 2018 é claramente o seu melhor ano e tem sido um dos destaques, até pela forma exagerada com que continua a defender-se. Faz parte do seu estilo e pode não agradar, mas para já a Haas não tem razões de queixa. Já Grosjean… Tem um problema pela frente. Precisa de mostrar muito mais para garantir a vaga na equipa. Tem estado muito abaixo do que se espera de um piloto com a sua experiência. Tem rapidez e é um bom piloto para qualquer equipa de meio da tabela, mas a forma como acumula erros por vezes chega a assustar. Tem de mostrar mais.

 

O que esperar da segunda metade da época?

Uma boa luta com a Force India, McLaren e quem sabe Renault. A Haas está forte, beneficia do melhor motor da F1 na actualidade (as melhorias introduzidas na França coincidiram com o regresso aos bons resultados da equipa), mas tem como handicap o fim do investimento no carro deste ano. A equipa está já a preparar 2019 e por isso poderá ficar à mercê das adversárias que levem o seu esforço um pouco mais longe. Mas é uma época muito boa da Haas para já e espera-se que tragam mais bons pontos para casa. Se terminarem no top 5 será uma grande vitória.

 

Notas meio da época

Kevin Magnussen: Nota 8

Romain Grosjean: Nota 6

Haas: Nota 7

 

 

Fábio Mendes

Fábio Mendes

Em 2013 criei um blog com um grupo de amigos, que me abriu as portas para o fantástico mundo do motorsport e do AutoSport, onde escrevo desde 2017.

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