A luta pelo poder na Fórmula 1 está a ganhar novos contornos, com o paddock a reconhecer uma tensão indisfarçável entre Chase Carey e Bernie Ecclestone. Embora o antigo diretor da Brabham tenha dito que iria continuar como chefe executivo durante mais três anos no momento em que o norte-americano foi apresentado oficialmente como novo líder do império por si criado, no GP de Singapura o discurso foi outro, com Bernie Ecclestone a deixar no ar que poderá ter voltado atrás nesse intento (ou sido obrigado por ‘forças maiores’), dizendo aos microfones da Sky um vago “vamos ver” quando novamente questionado acerca dessa possibilidade.
Outro sinal de que a relação entre ambos é desconfortável está no facto de em todo o fim-de-semana Chase Carey ter circulado pelo paddock, conversando com figuras de renome como Ron Dennis ou Niki Lauda, sem a companhia de Bernie Ecclestone, que normalmente faz questão de mostrar os cantos à casa aos seus principais convidados.
Antes de Singapura, as declarações que tanto a Liberty Media como Bernie Ecclestone tinham produzido dava conta da possibilidade de Chase Carey se tornar numa espécie de aprendiz do magnata britânico, aprendendo os meandros do desporto nos três anos que supostamente Ecclestone continuaria como chefe executivo. Só que numa entrevista recente publicada no site da Fórmula 1, Carey, de 61 anos, revelou “ser demasiado velho para ser um aprendiz”, enquanto Ecclestone, com 85, também deixou claro que não se vê minimamente forçado a transmitir o seu conhecimento.
“A única coisa que tenho por fazer é morrer e pagar os meus impostos. Fora isso não tenho de fazer nada”, disse, sobre a possibilidade de trabalhar de perto com o norte-americano. O facto de Carey ter utilizado a expressão “ditadura” para descrever o reinado de Ecclestone também não terá ajudado ao ambiente que se vive neste momento nos dirigentes da Fórmula 1, cabendo-nos agora aguardar pelos próximos episódios desta verdadeira luta de galos…










