Por Fábio Mendes
A Cadillac voltou a vencer as 24h de Daytona, graças à Wayne Taylor Racing, que levou a melhor sobre a concorrência. A sorte não sorriu muito aos portugueses, mas ainda permitiu que João Barbosa subisse ao pódio.
A edição 2020 da mítica prova americana teve uma das menores afluências de sempre, com apenas 38 carros em pista, divididos por quatro classes (DPi, LMP2, GTLM e GTD), mas a emoção em pista não desiludiu quem seguiu a prova. A representação lusa esteve a cargo de Filipe Albuquerque (Wheelen Engineering Racing , Cadillac #31), João Barbosa (Mustang Sampling Racing , Cadillac #5), Álvaro Parente (Heinricher Racing, NSX #57) e Pedro Lamy (Aston Martin Racing, Vantage GT3 #98).
Mazda voltou a ser a mais rápida em qualificação
O ponto alto da preenchida quinta feira foram as sessões de qualificação. Depois dos dois treinos livres, as máquinas foram para a pista para definir as posições na grelha de partida e nesta busca pelos mais rápidos numa volta lançada, os Mazda voltaram a destacar-se, tal como no ROAR. O Mazda #77 (O. Jarvis / T. Nunez / O. Pla) fez a pole, pela mão de Oliver Jarvis, com o registo de 1:33:711, o que não foi o suficiente para bater o recorde do ano passado (1:33:385), ao contrário do que se esperava.
Na segunda posição ficou o Acura #6 (D. Cameron / J. Montoya / S. Pagenaud) e a fechar o top 3 o Mazda #55 (J. Bomarito / H. Tincknell / R. Hunter-Reay). O #31 (F. Nasr / P. Derani / F- Albuquerque / M. Conway) ficou-se pela quarta posição com Felipe Nasr a fazer a qualificação e o #5 (J. Barbosa/ L. Duval / S. Bourdais) ficou com o sétimo tempo, com Barbosa aos comandos da máquina. A sessão foi encurtada devido a um acidente do Acura #7 (H. Castroneves / A. Rossi / R. Taylor) que teve uma saída de pista.
Nos LMP2, foi o Oreca #52 (N. Boulle / G. Aubry / B. Keating / S. Trummer) a ficar com o melhor tempo (1:37:446).
Nos GTLM os Porsche não deram hipóteses e o #911 (N. Tandy / F. Makowiecki / M. Campbell) levou a melhor sobre o #912 (E. Bamber / L. Vanthoor / M. Jaminet) com o tempo de 1:42:207. Em terceiro lugar ficava o novo Corvette C8.R #3 (A. Garcia / J. Taylor / N. Catsburg) que fazia a sua estreia oficial e mostrava potencial. Seguiam-se os dois BMW e o Ferrari.
Nos GTD foi o Porsche #9 (D. Olsen / Z. Robichon / L. Kern / P. Pilet) a ficar com a pole, fazendo o tempo de 1:45:237. O #57(M. Goikhberg / T. Hindman / A. Allmendinger / A.Parente) de Parente , ficou com o terceiro tempo e o #98 (P. Lamy / R. Gunn / A. Watson / M. Lauda) de Pedro Lamy largou de 12º na sua classe.

DPi – Cadillac #10 venceu pela terceira vez
Os Cadillac DPi têm sido a máquina mais forte em Daytona desde a introdução desta regulamentação em 2017. A fiabilidade e a velocidade dos protótipos americanos têm sido os pontos chave do sucesso recente e este ano a fórmula voltou a dar resultado. A WTR venceu pela terceira vez em quatro anos.
Na largada, o Mazda #77 começou logo a ganhar uma vantagem saudável, enquanto atrás de si o Cadillac # 31 de Nasr subia até ao segundo lugar, passando pelo Acura #6 de Montoya. O outro Acura de Ricky Taylor subia duas posições, passando por Barbosa e começava a recuperar depois de largar de último da sua classe. A liderança do #77 foi-se dilatando na segunda hora enquanto os problemas começavam para o #31, com um autocolante a entupir a entrada de ar do motor, o que obrigou a uma paragem não agendada. Isso promoveu o Acura #6 para segundo, enquanto o Cadillac #10 subia ao terceiro posto.
Pouco depois deu-se o primeiro incidente nesta classe com o Mazda #55 de Harry Tincknell a tocar no Acura #7 de Hélio Castroneves, que foi obrigado a regressar as boxes para reparar os danos enquanto o britânico era penalizado. Era o principio do fim para o #7 que nunca mais estaria na luta pelos melhores lugares.
Com o avançar da prova e o surgimento do primeiro Full Course Yellow (FCY), a ordem na frente mudou e o #10 conseguiu subir para primeiro, enquanto Albuquerque seguia no seu encalço com o Acura #6 logo atrás. Ao chegar às 12h de prova, era o Cadillac #5 de João Barbosa a liderar a prova, graças a um FCY, seguido do #10 e do Mazda #77.
A partir desta altura começou a ficar claro que a luta pela vitória iria ser entre o #10, o #5 e o #77. O Cadillac da WTR foi-se mantendo na frente das operações, mas ainda apanhou um susto com uma penalização a Ryan Briscoe, por ter saído da via das boxes com o sinal vermelho. Barbosa recuperou a liderança nessa altura, mas Briscoe, com um andamento fortíssimo, regressou à liderança da prova, entregando o carro a Kobayashi que levou o carro até ver a bandeira de Xadrez, carimbando a sua segunda vitória consecutiva.
O Mazda #77 conseguiu passar o Cadillac #5 e terminou a prova em segundo lugar ficando o último lugar do pódio para a máquina americana.
Para o #31 a corrida já tinha terminado algumas horas antes. Problemas na caixa de velocidades do “Caddy” de Albuquerque ditaram o fim da luta pelo pódio, depois de um ritmo inicial bom. Também o Mazda #55, com vários problemas técnicos, caiu na classificação nas últimas horas de prova e o Acura #7 depois do incidente com o #55, que obrigou a ficar mais de 40 minutos nas boxes terminou na última posição da sua classe.

LMP2 – Vitória para a Dragonspeed
Era a classe que menos interesse reunia por ter apenas cinco carros, mas também tivemos surpresas nos LMP2. O Oreca #52 da PR1/Mathiasen liderou a maioria da prova, mas a seis horas do fim Ben Keating (que correu em LMP2 e em GTD) cometeu um erro, com um toque numa proteção, que obrigou a equipa a perder três voltas a reparar o carro. Apesar de terem recuperado duas voltas, não foi o suficiente para impedir a segunda vitória consecutiva da Dragonspeed com o Oreca #81, que aproveitou o azar do #52, e o #18 da Era Motorsport ficou com o último lugar do pódio.
GTLM – BMW levou a melhor sobre a Porsche
Desde o início que os Porsche se mostraram fortes, nesta que foi a estreia do 911 RSR-19 na pista de Daytona. O ritmo imposto na qualificação e no começo da corrida indicava que as máquinas alemãs teriam via aberta para a vitória. Mas o BMW #24 (J. Krohn / J. Edwards / C. Mostert / A. Farfus) começou a subir na classificação e por volta da quinta hora, graças a um excelente turno de condução de Chaz Mostert, começou a intrometer-se na luta pela vitória. Foram várias as trocas de posição entre #24, o #911 ((N. Tandy / F. Makowiecki / M. Campbell) e o #912 (E. Bamber / L. Vanthoor / M. Jaminet), durante praticamente três quartos da prova.
No final, a luta parecia ser entre o #24 e o #911 num duelo tremendo entre Nick Tandy e Jesse Krohn, mas o piloto da BMW levou a melhor e Tandy foi obrigado a ceder o segundo lugar aos colegas de equipa do #912, já sem pneus para aguentar a posição. Foi assim a segunda vitória consecutiva da BMW na prova, com o carro que parecia ter o pacote competitivo menos forte, mas mais uma vez se provou que no endurance a velocidade pura não é o mais importante. Os Porsche preencheram os restantes lugares do pódio, atestando a qualidade da máquina germânica.
Destaque para o quarto lugar do Corvette #3, que durante as primeiras horas de prova esteve em luta direta pelo pódio, mas um acidente entre Nick Catsburg e Pedro Lamy, implicou um atraso que nunca mais foi recuperado. Já para o Corvette #4 foi uma corrida para esquecer, com muitos problemas técnicos. Também para o único Ferrari em pista (#62 da Risi Competizione) não foi uma corrida fácil, com dois furos, uma penalização e desistência devido a danos nos carro.

GTD – Lamborghini de novo
A Lamborghini voltou a ser a marca mais forte na competição para os privados. Apesar do início forte do Porsche #9, foram os Lamborghini da Paul Miller Racing e GRT Magnus, o Audi of WRT Speedstar, e o Porsche da Wright Motorports’ Porsche a lutarem pelos primeiros lugares nas últimas horas. Apesar do Audi #88 (M. Bortolotti / R. Ineichen / D. Morad / D. Vanthoor ) ter estado bem colocado para conquistar o triunfo, os últimos momentos da corrida foram marcados pela luta entre os “Lambo” #48 (B. Sellers / M. Snow / C. Lewis / A. Caldarelli ) e o #44 (M. Mapelli / S. Pumpelly / J. Potter / A. Lally ). A vitória sorriu ao #48 da Paul Miller Racing com o #44 a ficar-se pela segunda posição eu Audi #88 a fechar o pódio. Foi a terceira vitória consecutiva da Lamborghini nesta prova.
Álvaro Parente no #57 esteve na luta pelos lugares cimeiros nas primeiras horas, mas o ritmo da concorrência foi demasiado forte para o NSX GT3 do português. Pedro Lamy, no #98 infelizmente não conseguiu ver a bandeira de xadrez, com um toque originado por Nick Catsburg a obrigar a uma paragem não agendada, a que se seguiu um erro do seu colega de equipa Ross Gunn, que acabou com as esperanças do português.











