Colega de equipa de Álvaro Parente na McLaren GT, tendo partilhado o 650S com que o piloto português celebrou a vitória nas 12 Horas de Bathurst, o neozelandês Shanve van Gisbergen é um dos pilotos mais conceituados da atualidade. Ainda com 27 anos, o ‘kiwi’ é uma das figuras de proa do popular V8 Supercars australiano, mas tem também uma vasta experiência nas corridas de GT, tendo participado por diversas vezes em provas míticas como as 24 Horas de Daytona.
A somar à sua atividade de piloto titular da Red Bull Racing Australia nos V8 Supercars, competição onde corre desde 2007, depois de passagens pelo motocross e pelo campeonato de Fórmula Ford da Nova Zelândia, Van Gisbergen corre também este ano pela Garage 59 nas Blancpain Endurance Series, com a sua experiência a ser um bom indicador das diferenças entre correr na Europa e na Austrália, onde tem prosseguido a carreira, e sobretudo entre o nível dos pilotos e das corridas que fazem parte dos dois campeonatos.
Apesar dos estilos de condução distintos, van Gisbergen admite que o tempo que passa nos dois carros é sempre vantajoso:
“Os GT3 são carros fantásticos de guiar. Tens de aplicar um estilo muito particular, e ainda assim andar o mais rápido que puderes para conseguires uma boa volta. No entanto, eu faço-o porque me permite percorrer mais uns quilómetros. Estou sempre dentro do carro, consigo visitar circuitos fantásticos, e correr contra pilotos de topo. Simplesmente experimentas coisas muito giras. Existem muitas corridas interessantes que eu simplesmente não poderia ter feito se isto não me fosse permitido. Estou melhor nos últimos três anos conduzindo outro tipo de carros”.

Shane disse depois que, após correr na Europa, percebe agora o motivo para os V8 Supercars serem tão difíceis de domar para os pilotos estrangeiros:
“É mais fácil passar dos V8 para os GT do que o contrário. Os nossos carros são com toda a certeza os mais difíceis que alguma vez conduzi, e os mais difíceis em te tornares competitivo. O nível dos pilotos é enorme, e consegues vê-lo nas diferenças dos tempos por volta que separam o primeiro do último. Não me interpretes mal, os pilotos aqui na Europa são fantásticos no que fazem. Mas eles nunca guiaram nada assim. E chegam à Austrália, com mais 200 cavalos em cima, menos aderência, sem controlo de tração, e todas essas coisas”, acrescentou.
“Quando eu regresso à Europa,, apenas peço para fazer um turno mais longo na sessão de treinos livres e consigo habituar-me logo ao carro novamente, porque quando conduzes aqui apoias-te em todas essas coisas. Os carros de GT de agora são simplesmente demasiado fáceis de guiar. Já os V8 têm de ser conduzidos de forma dura, e para os pilotos europeus isso acaba por ser um choque cultural”, concluiu.












