Por Pedro Junceiro
A visão de uma ponte a ligar as duas margens do Tejo na zona de Lisboa, visão partilhada por muitos governantes durante décadas, concretizou-se há 60 anos, a 6 de agosto de 1966, com a inauguração da travessia rodoviária sobre o Tejo que hoje tem o nome de Ponte 25 de Abril. Empreitada quase sem igual naquela época, a infraestrutura é essencial para a mobilidade diária de milhares de portugueses.
A ideia para uma ponte que unisse as duas margens do Tejo, entre Lisboa e Almada, nasceu ainda durante o Século XIX, mas foi preciso esperar até meados do Século XX para que a obra nascesse. A primeira proposta foi feita por Miguel Pais, em 1876, e era pensada unicamente para o transporte ferroviário, uma vez que o automóvel ainda era algo distante. Ao longo das décadas seguintes, surgiram outras ideias, nomeadamente a inclusão de vias rodoviárias paralelas às linhas ferroviárias, de forma a servir dois tipos de utilizadores – o dos automóveis (minoritários…) e o dos transportes públicos.

A 30 de dezembro de 1951, com a inauguração da Ponte Marechal Carmona, que una as margens do Tejo entre Vila Franca de Xira e Benavente, houve quem acreditasse que se tornava dispensável criar outra ponte, mas os constrangimentos nos acessos entre a Grande Lisboa e a margem Sul determinaram o contrário.
O passo decisivo para o nascimento de outra ponte sobre o Tejo foi dado em 1953, quando o Ministério das Obras Públicas, à época liderado pelo engenheiro José Frederico Ulrich, constitui uma comissão para estudar a viabilidade técnica e financeira da construção da infraestrutura. O primeiro relatório foi apresentado em 1957 e propunha uma travessia por túnel ou ponte suspensa. Depois, a 27 de abril de 1959, abriu-se um concurso público internacional para a construção de uma ponte entre Alcântara e Almada, com tabuleiro superior para a circulação rodoviária e inferior para a ferroviária.
Quatro empresas concorreram à obra, tendo sido escolhido o consórcio liderado pela empresa norte-americana United States Steel Export Company, com a qual foi assinado um contrato a 25 de fevereiro de 1961, no valor de 1.764.190 contos. Então, anunciava-se a conclusão das obras para 1966. O plano definitivo foi aprovado a 9 de maio de 1962, decisão na origem da adjudicação definitiva de obra que tem muitas semelhanças com a Golden Gate de São Francisco, na Califórnia, EUA.
Nesse mesmo ano, a 5 de novembro, iniciaram-se as obras (que contaram com cerca de 3000 trabalhadores) e, seis meses antes do previsto, a 6 de agosto de 1966, inaugurou-se a ponte, num evento que contou com a presença das mais altas figuras do Estado, nomeadamente o Presidente da República, Américo Tomás e o Presidente do Conselho de Ministros, António de Oliveira Salazar. Foi também em honra deste último que recebeu o nome de batismo: Ponte Salazar.
O nome não viria a perdurar e caiu, literalmente, a golpes de martelo e escopro, a 10 de outubro de 1974, poucos meses depois da Revolução de 25 de Abril de 1974, passando a
chamar-se Ponte 25 de Abril por iniciativa popular e pelas forças políticas, lideradas pelo coronel João Varela Gomes.
Essa não foi a única alteração ao conceito inaugural da ponte – ao longo dos anos contou com alargamento de vias para atender ao aumento do tráfego rodoviário, passou a suportar linhas ferroviárias (obrigando ao reforço da estrutura) e esteve também no centro de protestos violentos entre os utilizadores e forças policiais, naquele que ficou conhecido como o episódio do “Buzinão”, em 24 de junho de 1994. No cerne desse protesto esteve a proposta de aumento de 50% na taxa de portagem, de 100 escudos para 150.
Atualmente, a ponte é utilizada por cerca de 300.000 pessoas todos os dias, mantendo-se como um dos pontos nevrálgicos da ligação entre as duas margens do Rio Tejo na região da Grande Lisboa. Apesar dos progressos de engenharia, a Ponte 25 de Abril continua a ser uma das maiores travessias suspensas do mundo, pautando não só a vida de milhares de utilizadores, mas também a própria imagem da capital portuguesa.
Espetáculo de drones
Para comemorar esta efeméride, Infraestruturas de Portugal, Lusoponte e Fertagus associaram-se na organização de espetáculo visual que contou com a participação de 500 drones, que levantaram voo junto ao Santuário do Cristo Rei, em Almada, recriando, nos primeiros minutos desta quinta-feira, diversos marcos históricos da Ponte 25 de Abril.










