Rui Carneiro: “Nem sabia o que era o Road to Dakar, mas agora quero chegar ao fim…”
Rui Carneiro ganhou o ‘bilhete’ para o Dakar, através do Road to Dakar Challenge. Está inscrito no Dakar nos SSV, grupo T3, os Side by side mais competitivos, e leva a seu lado Filipe Serra, Navegador Campeão Nacional de Todo o Terreno 2016. Ambos partem à aventura, pois o Dakar é uma novidade para os dois. O objetivo é chegar ao fim.
Rui, conta um pouco do teu percurso até aqui…
“Eu estreei-me no TT o ano passado com os Can Am, mas antes comecei pelo Karting, fiz vários anos europeus, mundiais, campeonato de Espanha, portanto já tenho alguma experiência nos desportos motorizados. Sem grandes resultados porque também nunca me dediquei a 100%, isto. Sempre foi o meu escape e hobby. Fui estudando, o que era a prioridade.
E como surge o todo-o-terreno?
Há dois anos, por influência de um amigo, comprei um Can Am, é um veículo fantástico para quem gosta de desporto motorizado. Para o valor que custa é espetacular. Consegue transmitir sensações que seria preciso gastar muito dinheiro num carro para ter essas mesmas sensações.
Comprei o carro fiz logo uma prova, que correu bem. Nunca tinha andado em todo o terreno, para mim era tudo novo e gostei, do feeling, gostei do TT, gostei da condução à vista é sempre uma coisa que eu gosto. É aquilo que tu tens, não se treina, não é como nos carros, e o TT dá-te a oportunidade de seres tu, de teres as tuas técnicas, de fazer diferente em cada curva. E gostei. Fiz um carro para este ano, não para o CNTT inteiro, mas sim uma prova aqui e ali, mas quando cheguei a Beja, uma prova nova para toda a gente, e consegui fazer um bom resultado, um traçado onde ninguém nunca tinha andado, e percebi que devia explorar um bocadinho mais este desporto, então decidi continuar a fazer outras provas.
Como chegas a vencedor do Road to Dakar Challenge?
Comecei a ter várias propostas, até a Overdrive me ligou, convidou-me a ir à fábrica, para andar nos carros deles, e quando comecei a perceber que se calhar estava no sítio errado, se quisesse fazer Dakar, provas de TT devia fazer T3 ou T4. Foi aí que surgiu a hipótese de fazer a prova de Andaluzia, falei com a MMP, chegámos a acordo, mas eu nunca imaginei que aquilo era o Road to Dakar. Eu nem sabia o que era…
É aí que que te sai a ‘lotaria’?
Chegados lá, o meu colega era campeão italiano de ralis TT, um francês que corria em Itália, nunca pensei conseguir fazer aquele resultado, no primeiro dia faço terceiro e correu-me mal, falhei dois waypoints, penalizei vários minutos, eu nunca tinha andado com navegador, até aí, só tinha feito corridas com amigos, e habituar-me a um navegador…
O Nélson Ramos, um navegador experiente foi crucial, sem ele não conseguia fazer aquilo. Não tinha a experiência necessária. Ele foi fulcral para fazer um bom resultado. Nos restantes dois dias fizemos dois bons resultados, e no final quando me disseram, ok, ganhaste o bilhete e eu fiquei: Então e agora? E foi assim, que caí no Dakar. Agora vou fazer o Dakar num T3, um SSV um pouco mais desenvolvido.
Como te preparaste?
Preparei-me o melhor possível tendo em conta os dias que vivemos, nunca tinha andado na areia fui dois dias testar ao Dubai, para aprender a andar nas dunas, aprendi desenrasquei-me, consegui aprender muito. Agora no Dakar, o objetivo é chegar ao fim. Tenho a estratégia de tentar chegar ao dia de descanso, analisar, ver em que posição estou e daí para a frente fazer dia a dia, se precisar de puxar um bocadinho para ganhar umas posições também o faço, mas se achar que já estou a andar muito no limite, e que não compensa se calhar o risco que podes correr, em puxar mais um bocadinho, vou acalmar. O objetivo é mesmo chegar ao fim. Acho que se chegar ao fim faço um bom resultado…
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