OPINIÃO: O comboio dos “carros a pilhas” não pára…

Por a 10 Janeiro 2022 15:45

Muitos adeptos continuam a inundar as redes sociais com a história dos carros a pilhas, mantendo-se agarrados ao passado. Não vai faltar muito tempo em que terão de fazer uma opção: ou escolhem outro hobby, que não os “carros a pilhas”, ou tentam encontrar no que aí vem, algo a que se agarrar.

Tendo como exemplo o WRC, ainda se vê gente, desatenta, é certo, que ainda não perceberam que os carros vão continuar a “fazer barulho”, pelo que, pelo menos durante mais alguns anos, isso não vai ser problema no WRC.

Mas o comboio não pára e o Dakar já traçou uma linha na areia do deserto: 2030.

O ‘Dakar Future’, lançado ainda em 2021, colocou em marcha um plano de transição energética para fomentar o desenvolvimento de motores alternativos e reduzir as emissões relacionadas com a organização do Rali Dakar.

Só este ano, cinco veículos de mais baixas emissões (os protótipos Audi e os camiões Riwald e Hino) já estão a correr no Dakar.

O número de projetos que envolvem uma vasta gama de tecnologias nos próximos anos continua a crescer. O objetivo, visa restringir as categorias de carros e camiões a veículos de baixas emissões a partir de 2030. A utilização de biocombustíveis será promovida a partir de 2023.

Não há volta a dar. Até dou de barato que a solução para a indústria não passa só pelos carros elétricos, julgo que até longe disso. Mas passa por alternativas à combustão, pois a pressão ‘verde’ vai acentuar-se e os construtores de automóveis não vão poder fugir dela.

Muito menos o desporto motorizado. Portanto, convertam-se ou preparem-se para a despedida.

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13 comentários

  1. [email protected]

    10 Janeiro, 2022 at 17:36

    Exemplo um bocado infeliz já que este “carro a pilhas” não completaria um terço de uma etapa do Dakar sem o motor de combustão que vai na traseira.
    E é verdade, a combustão pura vai ser história e outras soluções mais verdes, e não só as eléctricas, darão continuidade a todos estes desportos que muito adoramos.
    Agora a bem dos fâs, e de todos os que vivem destes desportos (fornecedores de material, preparadoras, medias, jornalistas…..) é bom que essas soluções mantenham o espectáculo!

  2. Roger M

    10 Janeiro, 2022 at 18:04

    Os automóveis elétricos fazem sentido para viaturas ligeiras, não para SUVs ou pick-ups que necessitam de um enorme pack de baterias. Com o aumento da demanda por Lítio e aumento do preço do mesmo, para além da maior carga na Rede Elétrica, não me admira que os Híbridos e Plug-ins, Combustíveis Sintéticos, e Hidrogénio, comecem a ser mais considerados para o futuro.

    • [email protected]

      11 Janeiro, 2022 at 12:46

      O meu caro desconhece o estado da arte do desenvolvimento da futura geração de baterias. Desconhece que a Tracton (Scania-Man-VW trucks do grupo VW), Hyundai-Kia (estes com veículos no mercado) abandonaram a investigação das Fuel-cell por estar a chegar essa nova geração de baterias e também pela complexidade, preço e baixa fiabilidade das FC. Os e-fuel são uma treta cara inventada pelo grupo VW numa tentativa desesperada de manter o status quo e nunca será sustentável. O H2 tem um rendimento desde a produção à roda na ordem dos 30% (abaixo dum veículo a gasolina do fim da década de 70) o que torna caríssima a utilização além de ser perigosíssimo (há cerca de 2 anos foram proibidas as vendas de carros a h2 na pioneira Noruega após a explosão dum posto de abastecimento). O h2 terá algum futuro mas dificilmente em locomoção particular. A saturação da rede electrica não será uma realidade, por essa razão discute-se o licenciamento de novas centrais atómicas que serão a solução até os fusores estarem operacionais.
      A questão da suposta escassez de lítio não é uma realidade e muitas das proposta de futuro já não o usam (as baterias da futura gama electrica da Toyota usam sódio) tal como hoje algumas já não usam cobalto nos bornes.

      • Roger M

        11 Janeiro, 2022 at 14:21

        O meu caro é que demonstra que não percebe patavina de mercado. A mudança para elétricos, é a forma mais fácil para os Governos Ocidentais de fazerem o seu “virtue signaling” acerca de alterações climáticas, sem investirem na infraestrutura. Que seria necessário com a aposta em Hidrogénio. Para além desta pressa na eletrificação ignorando a industria naval e aeronáutica, tem por objetivo não ficarem dependentes de países produtores de petróleo. Quando ao sector de maquinaria pesada, muitos construtores de camiões como a Mercedes-Benz e Hyundai, estão a abandonar o conceito de locomoção a bateria, para Fuel Cell, pois têm maior carga e eficiência usando reboques. Tal como construtores de maquinaria pesada como a JCB, que têm apostado em motores de combustão a Hidrogénio, pois são mais baratos de produzir e robustos, permitindo longos turnos de funcionamento, só necessitando parar para reabastecer.

        • [email protected]

          14 Janeiro, 2022 at 1:24

          Falar de motores de combustão interna alimentados a H2 deve ser uma piada pois além do baixíssimo rendimento existem as emissões de NOx e é por isso uma solução não ecológica. Dizer que a MB e a Hyundai estão a migrar para o H2 é um delírio especialmente quando esta última protelou a o fabrico de modelos previstos e está a repensar o processo por os resultados dos testes ter ficado muito aquém da expectativa.
          É também curioso que numa altura em que uma parte significativa da Bazooka é para a infraestrutura de produção e armazenamento do H2 se queixe dos governos ocidentais. Quais governos fazem mais e melhor? A China ou a Russia?
          Em relação à aviação e marinha desconhece uma série de programas Clean financiados pela UE, estes, entre outros exemplos, já deram frutos sendo 2 deles da Rolls-Royce plc; Todos os motores produzidos a partir do inicio do próximo são compatíveis com SAF e está a ultimar a sua turbina híbrida (que será usada também em projectos navais). E barcos híbridos já ouviu falar? Duvido, pois é acossado por um desinformado simplismo cartilheiro.
          Para ficar com uma pequena ideia da ineficiência do ciclo do H2 veja este vídeo que é até muito amigo da causa pois esquece-se que entre a FC e o motor existe uma bateria e que para não ultrapassar um target de custo de utilização 3 a 4 vezes maior que a electricidade a produção “in situ” não serve e teria que ser feita a distribuição para a qual seriam necessários 6x o número actual das cisternas devido à baixa energia volumétrica do H2 (mesmo comprimido a 700 bar) Com estes 2 factores o rendimento caí abaixo dos 20%. Um cenário “fantástico” ter as estradas pejadas de bombas rolantes convivendo com os nossos carros de utilização caríssima. https://www.youtube.com/watch?v=f7MzFfuNOtY&t=616s

  3. Cágado1

    10 Janeiro, 2022 at 18:11

    O AS, a ASO, os dedia em geral, faziam um grande favor de esclarecimento da opinião pública se nos dissessem quantos litros de gasolina consomem os Audi e os Toyta aos 100 (saibam o consumo no Dakar inteiro e dividam-no pelos Km percorridos). Duvido imenso da eficiência energática da solução da Audi, mas é só uma dúvida. Esta informação era extraordinariamente útil para a confirmar ou dissipar.

    • Fast Turtle

      10 Janeiro, 2022 at 18:51

      Também gostava de saber. Mas depois mesmo do Dakar.

      Há uns anos no top gear meteram um Prius e um BMW topo de gama. o BMW só ia atrás do Prius e no fim o Prius tinha bebido bem mais que o BMW.
      Andaram já também naquele BMW,salvo erro i4,que basicamente funcionava como agora funciona o Audi no Dakar, e os consumos também eram enormes.

      Continua se a vender muito gato por lebre.

      • Scb

        10 Janeiro, 2022 at 20:55

        Claro, quando se compara tecnologias com largas dezenas de diferença de maturidade, normal que a mais madura “ganhe”. Mas se nunca se desenvolver a tecnologia mais “verde” ela não cresce sozinha.

        • Fast Turtle

          10 Janeiro, 2022 at 22:07

          Não vendam gato por lebre.

        • Cágado1

          10 Janeiro, 2022 at 22:56

          A base desta ideia tem dezenas de anos, é como os motores diesel-elétricos dominantes nas locomotivas pelos caminhos de ferro desse mundo fora. Agora com muitos mais electrónica, com baterias de lítio, com gasolina em vez de gasóleo, mas o conceito base é o mesmo.

    • [email protected]

      11 Janeiro, 2022 at 8:43

      How efficient? The RS Q has a 300-liter petrol tank, while most Dakar cars carry 600 liters.

      Esclarecido?

  4. Miguel Patrício

    10 Janeiro, 2022 at 18:20

    Eu pertenço aos que irão procurar outros hobbys. O som de um Formula E jamais substituirá o de um F1. O som do Fabia ou Corsa eléctricos jamais darão a adrenalina que era ouvir um grupo B ou mesmo um WRC recente. O mais recente exemplo, o som (ou a ausência dele) do Audi do Dakar que nem é 100% eléctrico ao pé do de uma Hilux V8. Há videos em que se houve a Hilux a gritar e a seguir o Audi no silêncio. O som de uma MotoGP e o de uma MotoE…. Não é para mim, quando for só a pilhas….. fui!

  5. Rui Sousa

    10 Janeiro, 2022 at 23:41

    Eu desde que o Dakar passou a ser no local actual, deixei de seguir o evento.
    Mas este ano voltei a acompanhar, para poder acompanhar a evolução dos Audis.
    O sistema tem tanta vantagem em termos técnicos que não me espanta que para o ano limpem a classificação.

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