José Marques: “No meio do grande negócio que o Rali Dakar se tornou, ainda há lugar ao espírito de entreajuda e camaradagem”
Gintas Petrus e José Marques, no Optimus MD da Petrus Racing, desde os dois complicados dias da quarta e quinta etapas que têm vindo sistematicamente a ganhar posições. Chegaram a ser 137º classificados da geral, e na etapa 10 já são 124º. Mas é a aventura o que realmente importa nesta prova e essa é-nos contada pelo José Marques: “Quando no final do verão o Gintas me convidou para voltar a fazer o Rali Dakar com ele, tive poucas dúvidas em aceitar o desafio de mais uma vez me sentar ao lado dele, para repetir a aventura de 2021.
Em primeiro lugar porque o Gintas já é mais do que um piloto com quem eu corri, e passou a ser um amigo.
Nestes ralis maratona, é primordial haver uma boa relação de piloto navegador, para conseguirmos superar as adversidades que, maiores ou (menores) mais pequenas todos os participantes do rali, vão inevitavelmente encontrar.
E foi de facto isso que nos aconteceu na primeira semana. As oito etapas que a organização preparou para nós, foram realmente demolidoras, com as duas iniciais a serem das mais difíceis feitas na Arábia Saudita.
Talvez por nas edições anteriores disputadas na península arábica terem sido consideradas pelos participantes relativamente fáceis, a organização decidiu elevar muito o grau de dificuldade do percurso, levando-nos por pistas de extrema dureza e muito demolidoras especialmente para os motards.
Depois foram as condições climatéricas extremamente adversas que condicionam os restantes dias, levando mesmo a organização a criar uma etapa maratona extra que foi só efectuada pelos carros. O improviso feito pela organização, fez com que as já exageradamente longas ligações, aumentassem ainda mais.
Para nós as dificuldades começaram com um ligeiro acidente que fez com que o motor começasse a aquecer em demasia, pelo que tomamos a decisão de não arriscar e de não completar o percurso total da etapa, sofrendo a penalização pelos Waypoints que nos faltaram validar.
No dia seguinte após uma descida de uma duna, o veio da caixa de velocidades partiu-se, deixando-nos no meio de um erg sem possibilidade de sair pelos meios próprios. Depois de ter passado toda a caravana de carros e camiões de assistência rápida, e depois de ter contacto a organização pelo Iritrack (telefone satélite) a dar conhecimento da situação e a pedir para que o camião balai nos fosse resgatar, preparávamo-nos para talvez passar a noite com temperaturas negativas e só com o fato de competição vestido, quando apareceu já muito atrasado o camião da equipa catalã PBX.
Disseram-nos que também estavam com problemas, com o cárter do motor estalado e a perder óleo. Nós pedimos que nos rebocassem 2 km só até ao final das dunas. Não só eles nos tiraram do erg, com uma condução extraordinariamente eficaz por parte do Jordi Obiols, como ainda nos levaram até ao alcatrão. Quando nos preparávamos para tirar a cinta, e deixá-los completar os restantes 200 km de ligação até ao bivouac sem mais perda de tempo, para que eles conseguissem reparar a avaria do camião, eles decidiram levar-nos até ao bivouac.
No meio do grande negócio que o Rali Dakar se tornou, por vezes ainda há lugar ao espírito de entreajuda e camaradagem que levou muitos a apaixonarem-se por esta aventura, o tal espírito do Dakar, que tanto se apregoa mas é cada vez mais raro.
As restantes etapas foram decorrendo sem problemas nenhuns, com as passagens das dunas a ficaram menos difíceis depois das fortes chuvadas dos últimos dias. A segunda parte do rali, espera-se bastante mais difícil, com a descida para sul e entrada nas dunas onde não choveu e a areia está bastante mais mole.
Acredito que o rali se decidirá com a entrada no Empty Quarter, deserto absoluto onde só existem dunas gigantes e pistas de areia. O nosso objetivo passou a ser, terminar o rali e aproveitar ao máximo toda a aprendizagem e experiência que só se consegue obter ao participar numa prova deste género.
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