Paulo Fiúza e Stephan Schott terminaram o Dakar na 15ª posição, precisamente a que tinham na mente como objetivo a cumprir. À sua frente, só ficaram ‘top drivers’…
O top 15 era um objetivo, o 10º lugar um sonho difícil de concretizar e duas das mais difíceis etapas anuladas também não ajudou nada. Os MINI são uns autênticos ‘tanques’ de fiabilidade, mas a posição alcançada no final foi totalmente merecida. A dupla luso-alemã fez uma prova cautelosa, e levou a água ao seu moinho: “O balanço é positivo, o objetivo foi cumprido, tínhamos como ideia o Top 15 e conseguimos, foi muito bom para mim e para o Stephan (Schott). Mas a prova em si foi muito dura, para mecânicos, pilotos. Apanhámos temperaturas de 44º de 3º graus, e no mesmo dia, 35º, depois chuva, neve e à noite, 5º. Nesse aspeto foi bastante duro este ano” começou por dizer Fiúza que não está convencido com a Bolívia, e muito menos com o Paraguai: “Este ano, cinco dias na Bolívia foi demais, as pistas não são nada de especial e para azar ainda se fartou de chover, é costume, mas este ano foi demais. Para além disso, para mim o Paraguai foi uma desilusão. Pensávamos em multidões como na Bolívia, mas não…”
Aliás, este ano, a maioria dos concorrentes do Dakar não ficou contente com o que sucedeu, e Paulo Fiúza explica o que sentiu e ouviu: “Falou-se muito que as pessoas não estão contentes com este figurino que tem de mudar urgentemente porque senão perdem muitos ‘clientes’. Fala-se no Rali Rota da Seda e mesmo no Africa Race. Neste momento, ou a ASO muda ou perde muita gente. Com as etapas anuladas, este ano foi praticamente um Dakar em asfalto e isso é muito mau. Não fiz contas, mas acho que não deve ter andado longe de 50/50. Toda a gente se queixou, tem que mudar urgentemente. Perderam 50 carros face a 2016 e se continuarem assim perdem muitos mais. Ninguém ficou contente com este Dakar”, explicou, resumindo depois a sua prova: “Foi mais ou menos o que esperávamos, mas a verdade é que todos os pilotos que terminaram à nossa frente são Top Drivers. O Miko teve problemas, perdeu-se, atascou, acho que para nós foi um Dakar muito positivo, sempre muito certinhos. É como a história da tartaruga e da lebre, pois é a tartaruga que ganha a corrida. De facto fiquei com isso na cabeça e foi verdade. Sendo tartarugas, ganhámos a muitas lebres. O que interessa no Dakar é não parar, e foi isso que aconteceu, nunca parámos, nunca tivemos problemas, fomos cautelosos todos os dias e chegámos ao fim com o carro direitinho. Atascámos uma vez na areia e tivemos quatro furos, perdemos-nos uma vez. De resto foi um Dakar perfeito”, disse.
Navegação dificultada
Já se sabia que a ASO iria dificultar a navegação, o que Paulo Fiúza confirma: “Este ano fizeram waypoint control, que é um WP que está marcado no road book mas o GPS não abre a flecha, como antes. Abria num raio de 900 metros, para o ponto e indicava direção neste momento o waypoint control tem que se passar a 200 metros e não abre a flecha, só se ouve um bip dentro do carro a dizer que foi validado. O que acontece fora de pista, se passares 200m ao lado do ponto já não te vai marcar o WP e por isso torna-se mais difícil, tem que se ir no CAP correto (direção em graus, que é difícil de manter por causa de todos os obstáculos que surgem e quando uma equipa se desvia de algo, tem que retornar ao CAP em que estava e é isto que torna a navegação muito difícil) e isso complicou a navegação. Para além disso, os locais onde colocaram os pontos difíceis, um deles, foi onde nos perdemos, nós e muitos outros. Era um rio seco, que tinha outro ao lado, meteram o waypoint no rio a seguir e todos cortaram no primeiro rio e quando lá chegámos acima não havia nada, basicamente havia um rio seco, 100 metros ao lado, mas como vimos a andar e percebemos que está aqui um rio não imaginamos que 100 metros ao lado está o ‘verdadeiro’ que vai dar ao waypoint. Quando chegámos lá acima andava muita gente perdida. No dia em que o Hirvonen se perdeu foi um desenho mal feito no road book, porque era pela esquerda e a seta indicava pela direita, mas aí tive sorte porque quando lá cheguei estava a vir um carro para baixo e olhei para o CAP, e entrei direitinho no caminho certo. Nessa etapa chegámos a ser quintos à geral. Agora de resto, claro que eles tem que dificultar na navegação, acho que estão a voltar um bocado à forma como se navegava antigamente” explicou Fiúza, que corrobora Palmeiro: “Exceção feita ao Garafulic e o Palmeiro, todos os outros MINI tiveram zero problemas. Todos os dias a Toyota mudava as caixas, e na MINI só trocámos no dia de descanso e para além disso há um pormenor muito importante, no percurso escolhido pela ASO, por azar as etapas que foram anuladas, foram as que em teoria eram mais vantajosas para os nossos carros…” disse Fiúza que ajudou Schott a elevar a fasquia.











