Dakar 2004: a aventura de Paulo Marques e Bernardo Villar no Nissan Patrol GR
Há 20 anos, Paulo Marques e Bernardo Villar, dois ex-motards de renome, uniram forças para enfrentar o Dakar, a mais mítica prova de Todo-o-Terreno, mas desta vez no universo das quatro rodas. Combinando as suas vastas experiências no deserto, mas com o desafio adicional de se adaptarem a um Nissan Patrol GR do Agrupamento T2, assistido pela equipa italiana Promotech, a dupla procurava quebrar a “rotina” das duas rodas e alcançar um resultado digno para Portugal.
O espírito de aventura e confiança
Bernardo Villar, que no ano anterior havia surpreendido ao alcançar um promissor 26º lugar na geral na sua estreia nos automóveis, liderou a iniciativa de formar o Team Moto Compra & Venda. Para Villar, a parceria com Paulo Marques era a combinação perfeita entre experiência e ambição: “A ideia surgiu porque sabia que a nossa bagagem de motards poderia ser uma mais-valia, além de facilitar o orçamento do projeto.”
Já para Paulo Marques, com uma única experiência nos automóveis no Rali TT Segafredo Zanetti, onde obteve um motivador terceiro lugar, o desafio era duplo: adaptar-se a um carro e enfrentar as dunas do deserto pela primeira vez. Ainda assim, mostrava-se otimista: “Se a mecânica nos respeitar e os azares não aparecerem, podemos sonhar com um lugar entre os 20 primeiros.”
O desenrolar da prova: Altos e Baixos no Deserto
A realidade do Dakar provou ser implacável. Desde o início, a dupla enfrentou uma sucessão de contratempos. Logo na primeira etapa africana, um problema na tração dianteira atrasou-os em mais de duas horas. Seguiram-se dias extremamente exigentes, marcados por problemas com a barra de direção, perda de direção assistida e dificuldades com a pressão dos pneus. Uma etapa maratona sem assistência e longas horas ao volante foram o verdadeiro teste à resistência física e mental da equipa.
Mesmo assim, Marques e Villar demonstraram resiliência, recuperando posições com boas prestações nas etapas finais. Apesar dos percalços, terminaram na 25ª posição, uma classificação que consideraram positiva, dado o contexto. “Com os problemas que tivemos, era impossível fazer melhor. Foi um ano de aprendizagem, e penso que, com mais experiência, podemos melhorar significativamente no futuro,” concluiu Paulo Marques.

Um final Inesquecível e lições para o futuro
O último dia foi um reflexo das três semanas de aventura: mais uma paragem forçada, desta vez devido ao sobreaquecimento do motor causado por correias do alternador e ventoinha que saltaram. Ainda assim, com a ajuda de espetadores, conseguiram completar a etapa e cruzar o pódio.
Para Bernardo Villar, o balanço era claro: “Criámos uma equipa de êxito e provámos que podemos alcançar melhores resultados com melhores condições. O próximo passo pode ser um Rali da Tunísia para ganhar mais experiência antes de voltar ao Dakar.”
Já Paulo Marques, embora exausto, destacou o espírito da parceria: “Foi tudo novo para mim, mas a aliança com o Bernardo funcionou na perfeição. Terminámos com o carro intacto e sem mazelas, o que já é uma vitória.”
A participação de Marques e Villar no Dakar 2004 marcou um capítulo de superação e coragem no desporto motorizado português, um testemunho da capacidade de adaptação e da determinação de dois veteranos das duas rodas que ousaram sonhar no deserto.
Paulo Marques e Bernardo Villar concluíram desta forma a sua primeira participação em conjunto num 25º posto, um resultado que, embora tenha ficado aquém do top 20 que almejavam era, no entender dos pilotos, resultado dos sucessivos problemas por que passaram: “Sabíamos que tínhamos um carro ‘privadíssimo’, logo, estávamos limitados no nosso andamento. Depois, alguns azares em etapas que nos estavam a correr bem, fizeram com que perdêssemos muito tempo para recuperar já na parte final, quando começamos a rubricar boas classificações nas etapas. Acredito que, não fosse a falta de tração no início, a falta de experiência com a pressão dos pneus, o tempo perdido com a roda que saiu e, anteriormente, a barra de direção partida, teríamos terminado entre os 20 primeiros”, explicou Bernardo Villar.
Quanto a Paulo Marques, o piloto de Famalicão revelou estar satisfeito com o resultado, tão só e apenas por tratar-se da sua estreia no “Dakar” ao volante de um automóvel: “Foi tudo diferente. Chegar tarde ao acampamento, fazer dunas de noite, ler notas, conduzir, enfim, algo que nunca tinha feito na minha carreira. Por isso, penso que a nossa ‘aliança’, minha e do Bernardo, foi um êxito, pois chegamos ao fim bem classificados, com o carro intacto e sem mazelas… ao contrário do que me aconteceu no ano passado! Sabemos que com mais experiência podemos fazer melhor…”




