A FIA, o ACO e a IMSA apresentaram, em Le Mans, os novos regulamentos unificados para a categoria Hypercar a partir de 2030. O anúncio foi feito durante a conferência anual no Circuito de La Sarthe, marcando o fim da atual era de convergência entre LMH e LMDh.
O novo regulamento técnico unificado resulta de meses de negociações entre entidades organizadoras, fabricantes e fornecedores, com o objetivo de equilibrar desempenho, controlar custos e garantir a sustentabilidade da categoria a longo prazo. O modelo continuará a ser regulado pelo Balance of Performance e integrará elementos das atuais plataformas LMH e LMDh.
A nível técnico, todos os carros passarão a ter tração às duas rodas, ao contrário de alguns atuais LMH com tração integral, e terão um peso mínimo superior a 1040 kg. Os fabricantes poderão desenvolver chassis próprios ou recorrer a construtores como ORECA, Ligier, Dallara ou Multimatic. No que diz respeito aos sistemas híbridos, será possível optar entre soluções próprias ou unidades fornecidas por terceiros, desde que respeitem as mesmas especificações técnicas.
Os motores continuarão a ser de livre escolha em termos de arquitetura e cilindrada, com um aumento previsto de potência de cerca de 20 kW face aos regulamentos atuais. Em termos aerodinâmicos, será introduzido um fundo plano e difusor padronizados, com uma janela aerodinâmica mais restrita, promovendo simultaneamente maior liberdade no design exterior.
Está previsto que os fabricantes apresentem novos carros com identidade visual reforçada, embora a adaptação de modelos atuais continue em discussão. As homologações terão validade mínima de cinco anos, sendo permitidas apenas atualizações por motivos de segurança e fiabilidade, sem evoluções de performance, embora exista debate sobre exceções para manter competitividade.
Foi também anunciada a introdução de regulamentos para Hypercars a hidrogénio (H2), que seguirão a base técnica de 2030 com adaptações específicas. Estes veículos terão peso mínimo de 1200 kg, pneus próprios e um sistema de Equivalence of Technology (EoT) para equilibrar desempenhos sem favorecer esta tecnologia.
O presidente da IMSA, John Doonan, garantiu que os atuais protótipos LMDh não se tornarão obsoletos com a introdução dos novos regulamentos previstos para 2030, tanto no IMSA como no WEC. Segundo Doonan, o objetivo passa por preservar o investimento já realizado pelos construtores, permitindo que os atuais LMDh continuem competitivos com adaptações, em vez de exigirem um desenvolvimento completo de novos carros. Os fabricantes poderão manter elementos como motores e componentes estruturais, embora sejam necessárias atualizações para cumprir os novos regulamentos.
“Acho que uma das coisas que garantimos é que os investimentos que todos fizeram não se tornem obsoletos Do ponto de vista do motor, obviamente, espero que possam continuar a utilizá-los. O mesmo se aplica a muito do que foi desenvolvido ao nível da estrutura base. Os quatro construtores, Dallara, Multimatic, Ligier e ORECA, dedicaram-se muito ao trabalho com os fabricantes. Nenhuma dessas coisas queremos que se torne completamente obsoleta”
“Vai haver atualizações nos carros com base nos novos regulamentos, ou alguns terão de modificar a sua estratégia e desenvolver um carro para essas regras? Sim. O objetivo é garantir que não tornamos completamente obsoleto o que existe atualmente Essa é certamente uma das opções”
“Pode haver alguma diferenciação na estrutura base. Hoje, se tiveres uma ORECA, não podes ter diferenças face a outro fabricante que use a mesma. Aqui, poderás ter alguma diferença. Todos os dados ainda precisam de ser refinados. Tudo o que apresentamos aqui são apenas linhas orientadoras. Pedimos paciência enquanto trabalhamos nisso”
Foto: MPSA










