Já tinha sucedido com as imagens do acidente de Thierry Neuville e Martijn Wydaeghe nos testes, e agora voltou a suceder, com Adrien Fourmaux/Alexandre Coria, que capotaram o Ford Puma Rally1, ficando cerca de 20/30 metros abaixo do nível da estrada, com o carro ao sofrer um nível de destruição que pode ver no vídeo. O desespero do piloto é evidente, pois sabe que foi um erro, que tem consequências muito fortes.
Seja como for, tal como já sucedeu com o Hyundai i20 N Rally1, o nível de destruição que se vê é mais impressionante do que parece. Pelo menos no caso do Hyundai foi, neste ainda não sabemos.
O que verdadeiramente interessa, a célula de segurança dos dois ocupantes sobreviveu bem aos impactos.
Não parece haver lesões do piloto ou navegador, o que face à dinâmica do acidente, é muito importante.
Como se sabe, os novos carros de Rally1 têm uma nova célula de segurança, em aço, para proteger os ocupantes, que oferece uma melhoria significativa não só na segurança a partir de intrusão frontal, bem como de cima para baixo e de impacto lateral.
Portanto, quanto à célula de segurança, tanto no acidente de Elfyn Evans como no de Thierry Neuville, e agora de Adrien Fourmaux, esta fez o seu trabalho e bem.
Contudo, os carros, o Hyundai, antes, o Ford agora, ficaram aparentemente muito danificados. E porquê?
O que vimos foi um nível de destruição que há muito não estávamos habituados. Vê-se muito, mas não no WRC, e sim no TT. Como se sabe, nessa disciplina, há imensos carros com chassis tubulares, e quando batem forte, quase tudo o que está à volta da célula de segurança ‘voa’.
Nos WRC 2017-2021, com os chassis utilizados o que existia era uma carroçaria de um carro de origem, à qual era adicionado um rollbar. Modificava-se o túnel e a parte posterior para acomodar o depósito de combustível, e pouco mais. Quando existia um acidente, e pelo facto de muita coisa ser soldada à carroçaria de origem, o carro ficava ‘amassado’, mas pouco ou nada desaparecia. Muitas vezes só era necessário esticar para reparar, ou martelar para que o carro ficasse ‘direito’.
Agora com os chassis tubulares, foram colocadas chapas na zona dos pés, de piloto e navegador, acima das cabeças, e do corta fogo para reforçar a proteção. Tudo o resto são painéis em fibra parafusados ao chassis, que podemos apelidar de ‘carenagens’, o que significa que em cada acidente maior, passe a haver mais impacto visual do que outra coisa qualquer.
Os painéis de fibra nos diversos pontos do carro vão desaparecer muito mais facilmente, ou só partir, e por isso vamos ver carros que aparentemente estão muito destruídos, mas nas assistências, desde que não exista dano estrutural, e que as rodas estejam no sítio, é só substitui-los e continuar a andar.
Até aqui existia a carroçaria do carro de origem, em que tudo era soldado, o que também ajudava a dissipar a energia nos acidentes: a diferença era que ‘amassava’ em vez de desaparecer.
Há um ponto importante: até aqui (2017-2021) quando havia um acidente com uma pancada seca, a preocupação das equipas de assistência era por os ‘charriots’ no sítio, mas agora será um pouco mais fácil haver abandonos.
Muito resumidamente, os acidentes dos Rally1 vão ‘devolver’ imagens mais impressionantes, mas de nenhum modo os carros serão menos seguros para os ocupantes. Pelo contrário. Será mais impacto visual do que outra coisa qualquer…











