O David Evans escreve hoje um artigo no Dirtfish que vai de encontro a uma coisa que há muito entendo que o WRC devia, no mínimo, experimentar. Ralis do WRC de endurance. São muitos os adeptos que lembram o que era, por exemplo, o antigo Rali de Portugal, com etapas em linha que começavam bem cedo em Sintra e terminavam (bem) noite dentro na Póvoa de Varzim, e olhem que à chegada, a estrada, noite dentro era bem emoldurada de milhares e milhares de pessoas. São os bons velhos tempos, dizem uns, a era dourada dos ralis, dizem outros.
Muitos gostavam de ter isso de volta, mas o comboio não passa duas vezes na mesma estação, há muito pouca coisa que “era assim” nos anos 80 e “continue assim” em 2022.
Os ralis há muito que se realizam em trevo, com parque de assistência central. E isso dificulta os organizadores.
Nem todos têm a sorte de ter, como Portugal tem, várias zonas que podem fazer parte desse ‘trevo’, tão boas como é o caso de Fafe, Amarante/Baião, Vieira do Minho, Arganil e Ponte de Lima.
O Rali de Portugal nesse aspeto é um privilegiado, porque consegue reunir em pouco espaço, muitos e bons troços.
E mais fossem precisos. É verdade que depois do rali regressar ao Norte em 2015, só em 2019 conseguiu ir também para a zona centro, Arganil, Lousã e Góis.
Nós estamos bem, mas muitos adeptos não esquecem o Rali de Portugal em linha.
E para provar que mesmo com as condicionantes atuais do WRC, ainda há espaço para inovar, veja-se o que foi este Rali de Monte Carlo. Todos os dias houve partida e chegada ao Mónaco, mas não existiu parque de assistência a meio e isso permitiu estender bem mais o rali mantendo por exemplo o Sisteron, que fica muito perto de Gap, o anterior ‘quartel-general’, e bem longe do Mónaco.
Portanto, há espaço para inovar. Quem manda no WRC, diz que não é possível voltar a haver ralis muito mais longos, alegando que é preferível mais ralis, do que menos, e mais extensos.
É aqui que entra a minha proposta: entendo que o WRC precisa de alguma diferenciação, algo novo que permita nas provas, algo diferente. Portanto, porque não abrirem a possibilidade às organizações fazer o rali que quisessem (mesmo, como é lógico, dentro de determinadas condicionantes, para não haver exageros), e todos os anos escolher uma organização, entre as que se candidatassem a isso, pois tenho a certeza que há muitas que dificilmente sairiam da sua zona de conforto, para fazer um rali diferente.
Se não existissem constrangimentos monetários (sei perfeitamente que é fácil dizer, porque não se faz assim ou não se faz assado, mas haver condições para fazer é necessário) porque não o ACP fazer um Rali de Portugal em linha, mesmo que partisse e terminasse no mesmo sítio. Ou não. Há tantos e tão bons troços neste país, que seria perfeitamente possível fazer um bom Rali de Portugal em linha. De preferência, misto, como era.
O que publico a seguir é apenas um exemplo. Esqueçam o exagero e fiquem com a ideia.
Provavelmente vão recordar muitos troços onde estiveram. Aqui fica o ‘exercício’.
DIA 1 (Terra) Matosinhos/Matosinhos
PE1 Viana do Castelo 15.50 km
PE2 Orbacém 11.50 km
PE3 Gávea 12.00 km
PE4 Extremo 10.50 km
PE5 Arcos – Portela 24.50 km
PE6 São Lourenço 27.00 km
PE7 Vieira do Minho 23.64 km
PE8 Cabeceiras de Basto 22.37 km
PE9 Amarante 37.92 km
PE10 Vizo 13.12 Km
PE11 Felgueiras 9.18 km
PE12 Seixoso 9.45 Km
PE13 Montim 11.75 km
PE14 Fafe 22.18 km
PE15 Luilhas 14.70 Km
DIA 2 (Terra) Matosinhos/Coimbra
PE16 Carvalho de Rei 11.00 km
PE17 Aboboreira 21.50 km
PE18 Lamego 11.15 Km
PE19 Mões 11.00 km
PE20 Nogueira 9.20 km
PE21 Viseu 26.50 km
PE22 Ladário/Oliveira de Frades 11.43 km
PE23 Mortágua 18.22 km
PE24 Vila Pouca 18.72 km
PE25 Tábua 13.90 km
PE26 Malhada Chã 24.30 km
PE27 Arganil – Alqueve 26.00 km
PE28 Folques – Colmeal 32.84 km
PE29 Góis/Linhares 11.33 km
PE30 Lousã/Relvas 20.41 km
PE31 Amoreira 15.90 km
PE32 Pampilhosa da Serra 16.83 km
DIA 3 Asfalto Coimbra/Sintra
PE33 Serra da Freita 24.20 km
PE34 Sever do Vouga 15.08 km
PE35 Muna 9.30 km
PE36 Caramulo 14.10 km
PE37 Piodão 18.47 km
PE38 Arganil 12.67 km
PE39 Serra da Lousã 24.96 km
PE40 Campelo 10.42 km
PE41 Figueiró dos Vinhos 20.53 km
PE42 Montejunto 9.61 km
PE43 Gradil 9.03 km
PE44 Lagoa Azul 5.00 km
PE45 Peninha 6.50 km
PE46 Sintra 10.50 km
DIA 4 (Terra) Sintra/Faro
PE47 Santa Clara 22.99 km
PE48 Ourique 20.27 km
PE49 Felizes/Malhão 21.31 km
PE50 Almodovar 26.23 km
PE51 Vascão 25.26 km
PE52 Loulé 22.56 km
PE53 Silves 21.39 km
PE54 Santana da Serra 31.04 km












Concordo!! Aliás há muito que falo nisto… só não concordo em provas mistas: isso é que ia encarecer mais as provas.
Também sou a favor de formatos de ralis diferentes, menos uniformização e mais diversidade e inclusão. Compreendo que uma prova em linha acarrete mais custos na preparação, montagem e policiamento dos troços. O nosso país/rali tem condições ímpares para ser uma prova desse tipo. Quanto ao exercício publicado, considero ser exagerado, impraticável e impreciso. Por exemplo o dia de asfalto, deveria ser o primeiro ou o último e não no meio. A classificativa de Sever do Vouga (15.08) aparece em asfalto, essa classificativa é ainda hoje uma estrada de terra. O troço de Sever do Vouga em asfalto tinha entre… Ler mais »
Não me importava pagar em algumas classificativas, se a idea fosse para a frente. Para mim era genial.
Isso sim seria um verdadeiro rali de Portugal… mas hoje e dia a pressão económica está sempre lá! Hoje o WRC tem ralis que são muito mais pequenos que os do Europeu aqui há algumas décadas atrás… gostava de o ver na estrada mas não tenho muitas ilusões!
… como o Rallye do Algarve europeu que participei no início dos anos 80!
É fácil! Façam um regulamento com o espirito do Anexo J de então, com carros diversos e mais próximos de série, com equivalências de peso para cilindrada e sobrealimentados, que permita aos construtores fazerem fichas e kits de homologação para os carros que produzem. A partir daí um privado passa a poder construir o seu próprio carro. No fundo, voltávamos aos tempos dos Grupos 1, 2, 3, 4 e 5. Podem manter o calendário, e fazer ralis em linha, com toda a gente a dormir menos e conduzir mais, desde os espectadores aos pilotos, limitando ainda os meios de assistência.… Ler mais »