O Campeonato da Europa de Ralis (ERC) está de volta a Portugal entre 23 e 25 de outubro, com o Rally 6 Cities North of Portugal a encerrar a temporada da FIA ERC e a última prova do ano sob a alçada do WRC Promoter. A competição, organizada pela Demoporto – Clube de Desportos Motorizados do Porto, junta este ano seis municípios do Norte do país e corresponde também à penúltima jornada do Campeonato de Portugal de Ralis (CPR).
Fafe continua a ser o centro nevrálgico da prova, com o Parque de Assistência e o Parque Fechado instalados na cidade, mas a principal novidade de 2026 é a entrada de Guimarães e de Ribeira de Pena na estrutura do rali, juntando-se a Felgueiras, Boticas e Cabeceiras de Basto. Guimarães recebe a cerimónia de partida, a classificativa de abertura e a consagração dos vencedores, no Campo de S. Mamede, junto ao castelo da cidade.
Guimarães acolhe partida, abertura e pódio
O arranque e o final do rali têm como palco o Campo de S. Mamede, onde se realiza, na tarde de sexta-feira, uma sessão de autógrafos dos pilotos, precedida de um desfile de carros pelo centro histórico de Guimarães. A primeira classificativa, Monte Penha/Guimarães, disputa-se nos arredores da cidade, em asfalto, aproveitando a quase totalidade da Rampa da Penha.
A primeira etapa, no sábado, é semelhante à edição de 2023 do ERC, com a novidade do troço de Ribeira de Pena, a assistência remota em Boticas e o reagrupamento em Cabeceiras de Basto, tal como sucedeu nos dois últimos anos do CPR. No domingo, a etapa final reparte-se entre Fafe e Felgueiras, com os troços clássicos de Montim, Seixoso, Santa Quitéria e Lameirinha.
Parceria de municípios nasceu na pandemia
A chegada do ERC a Portugal remonta a 2020, ano em que o Rally Fafe Montelongo, disputado em asfalto, serviu de ensaio para as três edições seguintes, já com classificativas de terra. Parcídio Summavielle, vice-presidente da Câmara de Fafe, recorda o percurso que permitiu o regresso da prova: “Aproveitando a oportunidade do período da pandemia para receber o ERC, causámos boa impressão, num esforço da Demoporto e dos municípios nossos parceiros, e isso deixou, pelo menos, uma porta aberta. Tal permitiu que voltássemos agora ao Europeu, estando contratualizados 2026, 2027 e 2028 e, eventualmente, até mais qualquer coisa…”
O responsável autárquico sublinha o papel dos municípios parceiros nesta edição: “Guimarães trás o peso da tradição, da história, do património e será um parceiro estratégico importantíssimo num evento que será o último de 2026 organizado no âmbito do novo promotor, que, como se sabe, é comum ao WRC e ao ERC. Será uma honra, um privilégio e uma enorme responsabilidade este conjunto de municípios receber o rali de encerramento da época do ERC.”
Summavielle antecipa ainda o crescimento da prova a partir de 2027, com a entrada de novos municípios e maior envolvimento do Turismo Porto e Norte de Portugal: “O rali chama-se 6 Cities North of Portugal e nós não estamos a promover Fafe, Guimarães, Cabeceiras de Basto, Boticas, Felgueiras e Ribeira de Pena, mas sim todo o Norte de Portugal, que tem sido um palco privilegiado, apreciado e aplaudido ao mais alto nível no que aos ralis diz respeito. Não abandonamos esse palco nem o Norte de Portugal, nem desistimos da obrigação de promover esse território que é único. Esse trabalho é feito em colaboração com o Turismo Porto e Norte de Portugal e esperamos, no futuro, criar condições para que o Turismo de Portugal, através do Turismo Porto e Norte de Portugal, possa envolver-se de forma cada vez mais intensa no evento. E estou em condições de avançar que para 2027 já teremos mais municípios parceiros. Não desistiremos de trazer novos territórios com outros potenciais, porque todos os municípios do Norte de Portugal nos interessam e todos são poucos. Juntos vamos, seguramente, ser capazes de construir um rali cada vez melhor e com maior projeção e todos ganharemos com isso, o Norte de Portugal acima de tudo.”
Suninen já é campeão, mas há títulos por decidir
O título absoluto do FIA ERC já ficou decidido na prova anterior, o Rali Ceredigion, no País de Gales, a favor do finlandês Teemu Suninen (Skoda Fabia RS Rally2). Ainda assim, o piloto vai fechar a temporada em Portugal a tentar levar a sua equipa, a portuguesa The Racing Factory Motorsport Solutions, liderada pelo ex-piloto Aloísio Monteiro, ao título de equipas, destronando o atual líder, Team MRF Tyres, que costuma alinhar com Simone Tempestini (Skoda Fabia RS Rally2), Erik Cais (Hyundai i20 N Rally2) e Martin Vlcek (Hyundai i20 N Rally2). Nessa missão, a equipa portuguesa vai contar com o apoio de Armindo Araújo (Skoda Fabia RS Rally2), oito vezes campeão português de ralis, que na prova também discute os primeiros lugares do CPR.
Está igualmente confirmada a presença do piloto oficial da Lancia Corse HF no ERC, o italiano Andrea Mabellini (Lancia Ypsilon Rally2 HF Integrale), segundo classificado do campeonato absoluto, que defende essa posição frente ao campeão ERC de 2025, o polaco Miko Marczyk (Skoda Fabia RS Rally2). O finlandês Ville Vatananen (Ford Fiesta Rally3) já garantiu o título na categoria ERC3, mas tanto na ERC4 como na Junior ERC, com os mesmos candidatos, a decisão fica para Portugal, entre os alemães do ADAC Opel Rallye Junior Team, Timo Schulkz (112 pontos) e Tom Heindrichs, ambos em Opel Corsa Rally4.
Llarena admite regresso a Fafe
O espanhol Efrén Llarena, vencedor da edição de 2022 do ERC ao volante de um Skoda Fabia Rally2 evo do Team MRF Tyres, está a preparar o regresso à competição nesta última prova da temporada. “Estou a trabalhar para conseguir orçamento que me permita competir em Fafe e depois logo decidiremos se o farei com o Toyota ou o Skoda, porque a nossa equipa dispõe de ambos, mas tudo dependerá, também, dos que pretenderem os nossos clientes”, afirmou o piloto, que nas últimas épocas reduziu a atividade ao volante para investir no desenvolvimento da sua equipa, a Llarena Racing.
Llarena admite ainda o significado especial desta prova: “O Rally 6 Cities North of Portugal é a última corrida da época e fica bastante perto de casa, daí a vontade regressar a uma prova em que nunca tive sorte. Na primeira participação acabei fora de estrada e na segunda partimos o radiador, mas agora ambiciono obter um bom resultado.” A dupla Llarena/Sara Fernandez (Skoda Fabia RS Rally2) venceu recentemente o Rallye Blendio Cristian Lopez Herrero, em asfalto, e no último fim de semana, já ao volante de um Toyota GR Yaris Rally2, terminou na frente do Rallye Villa de Llanes, prova do Supercampeonato de Espanha interrompida de forma trágica após a morte de uma copiloto, na sequência de um acidente ocorrido a quatro classificativas do final. Roberto Blach (Toyota GR Yaris Rally2), piloto da Llarena Racing que participou em quatro jornadas do ERC, tenta igualmente reunir apoios para concluir a época em Portugal.
CPR pode ficar decidido no Norte
O Rally 6 Cities North of Portugal, penúltima prova (7ª jornada) do CPR, pode revelar-se determinante para o título de 2026. Antes do Rallye Casinos do Algarve, a decorrer já este fim de semana (2 e 3 de outubro), cinco pilotos mantêm hipóteses matemáticas de destronar o líder destacado, Rúben Rodrigues (Toyota GR Yaris Rally2), que soma quatro vitórias e uma vantagem de 33 pontos sobre o segundo classificado, Pedro Almeida (Toyota GR Yaris Rally2). Se for bem-sucedido no Algarve, Rodrigues pode reunir condições para decidir o campeonato a seu favor já na prova do Norte.
As inscrições para o Rally 6 Cities North of Portugal encerram a 7 de outubro.










