A FIA e o seu Diretor dos Ralis, Andrew Wheatley mostram-se contentes com o desenrolar da primeira época híbrida do WRC. Apesar de alguns desafios decorrentes de alguns problemas com o kit híbrido da Compact Dynamics, a FIA revelou que em termos globais as equipas ficaram agradadas com o que tiveram nas mãos e Wheatley destaca o facto das três equipas Toyota, Hyundai e M-Sport-Ford terem chegado às vitórias ao longo da temporada de 2022, embora, como se sabe, com vários níveis de sucesso: a Toyota esteve quase perfeita, a Hyundai demorou a encontrar o caminho, mas chegou lá, e a M-Sport/Ford percebeu-se perfeitamente que o problema eram os pilotos e não o carro como Sébastien Loeb deixou claro logo a abrir o ano em Monte Carlo.
Para Andrew Wheatley: “O primeiro ano com a nova tecnologia híbrida ia ser sempre difícil, mas o facto de termos mudado o chassis, o combustível, acrescentado o sistema híbrido e alterado o conceito do carro, a transmissão e a aerodinâmica, tendo com isto tudo muitos ralis disputados ao segundo, só podemos estar contentes”, disse Wheatley ao Autosport inglês, deixando claro que é sempre difícil uma grande mudança nos regulamentos como a que sucedeu este ano.
Wheatley destaca ainda a segurança dos carros e isso foi algo que também ficou claro logo com o acidente de Adrien Fourmaux no Rali de Monte Carlo, como já tinha ficado mesmo antes do campeonato começar com o acidente de Thierry Neuville nos testes para o Rali de Monte Carlo.
Sendo verdade que os novos Rally1 são um pouco mais lentos que o WRC de 2021, a diferença é mínima e sendo um conceito completamente novo, isso é muito positivo, pois significa que o caminho escolhido foi positivo.
Um aspeto negativo tem a ver com a unidade híbrida da Compact Dynamics, que deu imensos problemas, mas a generalidade dos pilotos foi quase sempre ‘simpática’ relativamente ao que (não) disseram sobre o sistema, que na verdade, serve para passar a mensagem que é necessária à indústria automóvel hoje em dia, pois pode comunicar-se que os carros são híbridos, e que estes novos regulamentos técnicos conduziram o WRC rumo a um futuro mais sustentável, mas em termos de tecnologia utilizam um sistema que está a ‘milhas’ de onde já vai a indústria quanto aos híbridos.
Por outro lado, o novo combustível, 100 por cento isento de fósseis, ajudou a reduzir significativamente as emissões nocivas para a atmosfera, e essa era uma mensagem que é imperativa passar pelo WRC, sob pena de ser cada vez mais ‘mal visto’.
Este foi outro tema de que se falou pouco, mas que deu imensas dores de cabeça às equipas, pois alterou muita coisa em tudo o que é o ‘dia a dia’ de uma equipa de ralis: “Demos um passo significativo na redução das emissões e agora os campeonatos em todo o mundo sentem que se o WRC o fez, também têm de o fazer”, diz Wheatley.
Só há um ponto que Andrew Wheatley não consegue dizer mais do que desejaria, pois a FIA continua com grandes dificuldades em seduzir novos fabricantes para a competição.
Olhando para a F1, só como exemplo, claro pois as coisas são hoje em dia quase a antítese uma da outra, em termos de ‘penetração’ nos ‘mass media’ e consequentemente no público em geral, aí há vários construtores prestes a entrar, Audi confirmada, Porsche esteve quase, mas quer concretizá-lo, a Andretti tem pressionado a Liberty Media já parece estar mais perto de conseguir vir para a F1, e há mais interessadas, fala-se da Hyundai e do regresso da Honda e da Ford. E nos ralis, nada…
Os Rally1 foram pensados para atrair mais fabricantes para o WRC mas esse objetivo ainda não foi alcançado. A Toyota, Hyundai e Ford estão empenhadas até ao fim de 2024, ano que marca o fim do atual ciclo de regras, mas neste momento parece ser maior o risco de alguma sair do que uma nova entrar. Há, no entanto, conversações com várias marcas e algumas delas já disseram publicamente o que precisam para entrar no WRC, mudar para elétrico, mas isso não vai acontecer a breve prazo.
Nos ralis, ainda está longe de ser possível, pois é a disciplina que melhor espelha a indústria automóvel como um todo na forma como os carros são utilizados. Um mundo somente elétrico não é simplesmente exequível. E provavelmente, num futuro ‘visível’ não será.











