Quem teve a oportunidade de visitar este fim de semana o Motorclássico na FIL, a dado passo teve a oportunidade de deparar com o símbolo de uma das mais negras páginas da história dos ralis Mundiais, o Ford RS 200 da Diabolique Motorsport, quem em 1986, há um quarto de século, com Joaquim Santos e Miguel Oliveira no habitáculo, se despistou junto à Barragem do Rio da Mula, na Lagoa Azul.
Vivia-se uma época de ouro nos ralis. Autênticas obras-primas da engenharia automóvel chegavam aos 500 cv de potência e atingiam os 100km/h em apenas 3 segundos, tornando-se muitas vezes impossíveis de dominar, mesmo pelos ases do volante.
Os largos milhares de adeptos que se deslocavam a Sintra, Fafe ou Arganil, pareciam atraídos pelo perigo e, no meio da estrada, aguardavam a passagem dos seus ídolos, desviando-se apenas quando os monstros do Grupo B se aproximavam a pouco mais de um palmo de distância. As imagens corriam mundo, e previa-se, que mais cedo ou mais tarde, um acidente poderia ocorrer. E aconteceu mesmo.
Na Lagoa Azul, troço de abertura da edição de 1986, Joaquim Santos não conseguiu evitar uma saída de estrada, resultando daí três vítimas mortais e dezenas de feridos. Os pilotos oficiais, que chegaram a assumir o medo de correr nas classificativas portuguesas, com carros tão potentes perante um público inconsciente, recusaram-se a continuar em prova. Com a desistência das equipas de fábrica, Joaquim Moutinho, que decidiu prosseguir com o Renault 5 Turbo, tornou-se no único português a vencer uma prova do Mundial de Ralis.
Os acontecimentos daquela manhã, foram um rude golpe para o prestígio que o rali alcançara em duas décadas de vida. César Torres sabia que a imagem da prova ficara bastante ferida, mas não baixou os braços. Recolhendo os ensinamentos que as coisas más sempre trazem, rapidamente olhou em frente, procurando o caminho que devolveria a alma ao Rali de Portugal…










