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Entrevista a João Rodrigues, o ‘Leãozinho’ e as suas ‘medalhas’: “Aquele ‘gajo’ do 106, é um espetáculo…”

José Luis Abreu by José Luis Abreu
11 Outubro, 2025
in Clio Trophy Portugal, Destaque Homepage, Newsletter, Newsletter destaque, Ralis
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Entrevista a João Rodrigues, o ‘Leãozinho’ e as suas ‘medalhas’: “Aquele ‘gajo’ do 106, é um espetáculo…”

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João Rodrigues é o perfeito exemplo de como a paixão pelos ralis ultrapassa barreiras financeiras e familiares, sendo alimentada pelo reconhecimento dos pares e pelo apoio da comunidade. Entre quedas e conquistas, é a persistência que o define e inspira todos aqueles que o acompanham junto às classificativas. “Tu é que és o ‘gajo’ do 106?”

João Rodrigues tem uma paixão genuína pelos ralis, e numa longa conversa, partilhou connosco uma jornada marcada por inícios humildes em corridas ‘piratas’, onde a persistência e o apoio da comunidade local eram a força motriz, ainda que muito longe da ‘tração total’…

Entre sacrifícios pessoais, familiares, e o reconhecimento de pares como Miguel Barbosa e Rui Madeira, entre outros, o piloto de Mafra construiu um percurso que, mesmo após um forte acidente logo no início e um posterior hiato de 15 anos, o trouxe de volta aos ralis. Nesta entrevista, mergulhamos na sua história, como explora o prazer de conduzir, o estado dos ralis e o papel fundamental dos adeptos que, segundo ele, são o coração do desporto.

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AS: Como nasceu o teu gosto pelos ralis e em que momento decidiste perseguir este sonho?
JR: O meu gosto pelos ralis… eu ia para a escola em miúdo, passava sempre numa oficina de competição. Via os carros lá na rua ou à porta e por ali fora, ficava a olhar lá para dentro, os carros de corrida despertavam-me muito interesse. Não gostava muito de estudar. Queria trabalhar naquela oficina, lá o meu pai foi lá e eles disseram: “O rapaz ainda é muito novo, tem 14 anos.” Não aceitaram.
Mas aos 15 já aceitaram, comecei a trabalhar, o patrão corria muitos anos, o António Bayona. Comecei a fazer corridas com ele, nasceu ali o gosto pelos ralis. Depois comecei a fazer uns ralis piratas, com um carro velho, não ganhava nada, o dinheiro não dava para muito. Os carros velhos e mais umas coisas, e lá se fazia.
Inicialmente ainda fiz uns ralis em Mafra, depois fui para os ralis piratas de Alenquer. Arranjei um carro, comecei a fazer aquilo mais assiduamente, até ganhei a minha classe, fui campeão um ano. Era engraçado, eram ralis espetaculares, deixou saudades…”

AS: Que pessoas, momentos ou experiências mais te influenciaram no percurso até aqui?
JR: Quem mais me influenciou foi mesmo o António Bayona, responsável pelo meu gosto pelos ralis. Nasci na Murgeira, onde passavam sempre ralis — Camélias, Rali de Portugal — à porta da escola. Antes de ir à escola já gostava dos ralis porque passavam mesmo ali à porta. Começava mesmo na Murgeira e ia em direção ao Gradil, quando vinham de Sintra para o Montejunto.
As Camélias estavam à minha porta, e um dia disse: “Gostava de participar nisto.” Entretanto arranjei um carro, no ano seguinte fiz as Camélias, não correu lá muito bem, toquei no muro à porta de casa, mas faz parte, corridas e o entusiasmo. Sou competitivo, gosto de ganhar, não gosto mesmo nada de perder.
Às vezes exagero, mas é sangue na guelra, querer sempre mais. Acho que é uma parte humilde minha, pois os outros também estão sempre a melhorar e quero fazer melhor para lhes ganhar. Não basta andar a fundo, preciso estar sempre concentrado, sempre rápido. Quando nos desconcentramos, acontece sempre alguma coisa.”

AS: Quais foram ou são as principais dificuldades financeiras que enfrentaste para participar em ralis?
JR: Era assim, nós íamos ao café, o café da aldeia, amigos, pedíamos ali 20€, 30€ na altura, sei lá. E eles iam dando aquele ‘dinheirito’. Nós, com pneus usados e com, com o meu trabalho, e com o trabalho dos meus colegas, amigos na altura, amigos de escola, e eles sempre também gostavam muito que eu fosse correr, porque percebiam que eu gostava, e que tinha ali alguma coisa que eles achavam, e ainda hoje acham, que era diferente.
E então queriam que eu fosse correr e andavam sempre comigo, para eu ir para a frente.
Fazíamos o rollbar do carro lá em casa. Carros praticamente originais, sem grandes coisas, pronto, era mesmo arranjar o essencial, pôr o carro a andar e fazíamos um rali, mas as dificuldades eram muitas, porque a malta, para o projeto que era, ninguém acreditava, né? As pessoas perguntavam, vou-te dar-te para quê? Pedia dinheiro, mas vais fazer o quê? O que é que vai acontecer? Não ia acontecer nada de especial porque, no fundo, também não tínhamos visibilidade para dar aos patrocinadores. Mas quem gostava de nós, dava qualquer coisa. Às vezes até quase nem dava para o autocolante… Mas pronto, era engraçado!

AS: Como é lógico, tiveste que fazer escolhas difíceis e sacrifícios para continuar neste desporto?
JR: Sim, muito, muito difíceis. Como, como deves calcular, em casa era tudo contra, não é? Sempre com uma grande dificuldade e muitas vezes com razão, né? Porque nós vivíamos só aquilo e esquecemo-nos do resto! Essa ausência que nós temos, por isso, tinha dificuldades com isso, a minha mulher e os meus pais, sempre a dizer, larga isso, larga isso pá, que não te dá nada, né? E é verdade, não me dá nada, no fundo, hoje é a minha vida.
Portanto, o meu trabalho são os carros, mas na altura, gastava ali o pouco que tinha…”

AS: Qual foi o teu momento mais complicado?
JR: Foi quase há 20 anos, tive um acidente no Rali de Alenquer e por isso fiquei 15 anos parado. Tinha montado um projeto com um Lancia Delta Integrale, com pouco dinheiro, queria atacar o rali à geral, consegui fazer a primeira prova e estou um bocado ainda a ver as coisas, e o carro também não estava como deve ser, na segunda, no Bombarral fiz um terceiro lugar à geral, estava tudo lindamente, até que fui fazer o Rali de da Alenquer e partiu-se uma rótula num topo. Fiquei sem direção e capotei uma série de vezes e parti o carro todo…
Esse foi o momento mais complicado, o acidente. Ter de me desligar do sonho, da persistência que tinha, mesmo contra a família. Tive de aceitar, tive de lhes dar razão. Nunca achei, mas quando aconteceu tive de aceitar e pronto. A causa foi eu ter batido e destruído o carro, fiquei sem o dinheiro e o carro. Já estava ‘liso’, mas tinha o carro.
Fiquei mesmo completamente liso, sem carro, sem dinheiro, parei…”

AS: tiveste mesmo que desistir…
JR. “Sim, estive 15 anos parado como já te disse. Depois do acidente com o Lancia Delta Integrale.
Sem o carro, desisti. Nunca mais vi esse carro, o meu navegador levou-o para casa dele, tirou as peças que queríamos e o resto vendeu. Nunca mais toquei em nada daquilo. Acabou para mim: o sonho de piloto ficou ali naquele capotanço…”

AS: Só que a tua paixão era mais forte por isso…
JR: “Era, era. A minha paixão era, e falava muito mais alto. Eu sempre fui uma pessoa que, quando me agarro, quando quero uma coisa, vou mesmo, vou mesmo até ao fim. Custe o que custar e tento sempre ser persistente ao máximo e tento fazer o meu melhor.”

AS: Depois o que te fez continuar?
JR: “Foi o regresso do Rali das Camélias… Há muito tempo, quando passavam à minha porta e houve um dia que disse: gostava de participar. Quando regressou em 2018, consegui arranjar um carro e, no ano a seguir, estava lá outra vez com o Peugeot 106 XSI. Fiz as Camélias, não correu bem, bati num muro à porta de casa… faz parte.
Sou muito competitivo, não gosto de perder, nem a feijões.
Às vezes exagero, mas está-me no sangue, querer sempre mais. Acho que é uma parte humilde minha, porque os outros também melhoram e eu tento sempre fazer melhor para lhes ganhar. Tento sempre estar melhor.
Mas não basta andar a fundo, é preciso estar sempre concentrado; às vezes não precisamos arriscar tudo, mas andar sempre depressa é melhor.

AS: Essa paixão nota-se na forma como guias, com o coração! Já tiveste gente mais sonante que te tenha dito que gostava muito de te ver passar. Tenho a certeza que sim…
JR: “Sim, claro que sim, claro que sim. Há pilotos que às vezes dizem: “Eh, pá, vê lá vê lá o Leãozinho”. Eles ficaram com essa do Leão, né? O Miguel Barbosa era uma pessoa que falava sempre do Leãozinho, o Nasser (Al Attiyah) quando estava na Toyota, brincava que sempre que me via, chamava-me o ‘Lion’. Porque ele viu o meu vídeo com o 106 e disse “eh, pá isso anda bem”…
O Rui Madeira é uma das pessoas que diz sempre que devia estar num carro melhor. Devia! Pois, mas é o que é, né? Uma vez depois do Rally de Lisboa meti-me com o Armindo Araújo no Portalegre. E disse para ele: “Pá, estavas à rasca com o 106”. E ele: “Tu é que és o gajo do 106”. Eh, pá, aquilo, cuidado.
Pois, os ‘gajos’ ficam impressionados, né? O Bernardo Sousa estava na assistência, eu ia a passar, estava lá o Teodósio e disse: “Olha, é o gajo do 106”? E o Bernardo diz assim: “Eh, pá, a malta diz para aí que o carro alguns 300 cv.” “Tem mais, tem mais ainda” disse-lhe eu…”

AS: Isso significa que foste dando nas vistas, não é? Aliás, isso nota-se, nota-se perfeitamente, tu ganhaste ‘seguidores’, uma claque…
JR: “Sim, mas agora noto que estou a perdê-la com este carro. Porque, realmente, o outro carro é que chama a atenção. Estes carros hoje em dia não transmitem nada. Dão pouca emoção! E dou-te um exemplo muito claro: a minha filha quando me viu passar com o Clio disse: “Então, mas ele vai devagar, mas ele não acelera aquilo”.
O carro não impressiona, né? Não faz tanto barulho, não passa a impressão para a estrada. É exatamente como agora o todo-o-terreno, tu vês passar um SSV ou vês passar uma Toyota… a emoção que passa, não tem nada a ver. Nada.
Mas são mais eficientes e o SSV pode ser mais rápido. Mas não passa emoção nenhuma. E o que as pessoas sentem mais é a emoção, é o barulho, é aquela… eu acho que é mesmo o barulho, a admissão, por exemplo, o meu carro vem de frente, começas a ouvir a admissão logo, ficas logo impressionado…
Agora estamos neste projeto do Renault… foi uma situação que calhou. Começámos a ver o projeto, tem coisas aliciantes e com o meu navegador, fomos tentar arranjar uns dinheiros para tentar fazer isto. Conseguimos algum dinheiro para fazer a primeira prova, se corresse bem, fazemos a segunda. Se não corresse, ficávamos por aqui. Correu bem a primeira, correu bem a segunda, vencemos as duas, estava tudo a correr bem na terceira, até que o carro parou. Ficámos entre as placas no último troço, foi o fim do rali. O carro parou, ‘azar’ elétrico e ficámos parados…
Surgiram agora alguns problemas, porque nós estávamos a contar com os dinheiros dos prémios, ficamos num impasse, à frente do campeonato. Sem o dinheiro do prémio, ficámos ‘naquela’… vai para a frente, corre bem, depois corre mal, e mais uma vez, não é? O dinheiro não estica. Mas está decidido, vou fazer a prova.
Quero agradecer ao Domingos (ndr, Ricardo Domingos, da Domingos Sport), que tem sido muito importante, e aos nossos patrocinadores, claro. O Domingos tem alavancado tudo o que pode para conseguirmos, porque se não fosse isso, já tínhamos parado, não tínhamos hipótese…”

AS: Hoje em dia todos os adeptos te conhecem pelo andamento. Quando começaste a sentir mais gente a olhar para ti?
JR: “O que comecei mais a sentir foi nas Camélias e mesmo em Albufeira, que é um rali que gosto de fazer. Sinto que às vezes as pessoas estão a falar comigo e nem sabem que sou eu, depois dizem: “Epá, aquele gajo do 106 é um espetáculo!” E eu penso, aquele gajo do 106 sou eu! As pessoas quando veem uma pessoa a passar daquela maneira ficam com uma ilusão, sei lá, de um atleta XPTO. Devem imaginar a cara do McRae ou qualquer coisa parecida…
Depois quando olham, “quem é este pote parado que está aqui?”, mas é este. É o gajo do 106…
As pessoas acompanham-me nos ralis. A minha mulher também, está num lado qualquer, e só ouve: “Agora é que vem o gajo do 106!” Estão sempre à espera que eu passe. Portanto, para eles é uma referência que está ali…”

AS: Lá está, são pilotos como tu que levam pessoas à estrada…
JR: Claro que sim. Eu sei, e nós tentamos sempre… Não sou espetacular, mas sou um piloto rápido. Sinto que sou rápido. A pessoa gosta de ver não só o espetáculo, mas a velocidade e o improviso. Às vezes aparece ali uma coisa meio maluca e “ei, o que é isto aqui?” São aquelas coisas, também gosto de ver – eu gosto, enquanto adepto.”

AS: Também já estiveste do lado de fora e sabes o que é sentir a emoção que depois mais tarde passaste a dar às pessoas. O mais engraçado disto é que consegues fazê-lo com um carro como o 106 XSI. Ainda existe?
JR: Sim, está a ser reconstruído, mas estou a fazê-lo agora em Kit Car, um 106 Maxi…
Mas já me arrependi algumas vezes, porque o carro nunca mais vai ser o mesmo. Porque até aqui era um carro que não se dava nada por ele, mas dava emoção, não esperavas e de repente pensas “pá, o que é isto? E depois dá curiosidade, é assim que funciona. Agora, se for um Kit Car ou Maxi, se calhar dizem, ah, aquilo era um carro oficial, e já não passa tanto aquela ‘coisa’. Se passares bem, toda a gente gosta de ver na mesma, mas não tem tanto impacto, não causa tanta surpresa…”

AS: Portanto, achas que com o 106 XSI, como as pessoas que não conhecem, não ‘dão nada’ por aquilo, surpreendem-se…
JR: Sim, com o 106, nos arranques, na primeira vez, quando aceleras para arrancar, eles dão logo um passinho atrás: “O que é isto?” Nos troços, reparo pelo caminho, não tenho tempo para ver muita coisa, mas alguma consigo ver.
Quando chego, tudo recua, tudo está num sítio e volta tudo para trás…”
Dou um exemplo, no Rali de Lisboa, partia no meio dos Toyota, e o que acontecia? Tinha de pedir dois minutos ao da frente porque o apanhava nos troços. Os Toyota não passavam impressão nenhuma, eu passava dois minutos depois, a malta toda na conversa e de repente vem um carro “aos tiros”, e aqueles gritos “o que é aquilo?”.
O motor a gritar, a malta ficava a delirar. Vi vídeos na altura, as pessoas deliravam como antigamente, vinham para a estrada, a seguir, assim que o carro passava, “o que é isto?” As pessoas diziam “o 106!”.
Não há melhores medalhas do que essas, estar a ver e ouvir…
Às vezes vou ao YouTube, já vi centenas de vezes. Estou em casa e começo a ouvir as pessoas a falar, o 106, “olha, o que é isto?”. Isso é que nos dá o ‘gancho’, o ego e faz-nos acreditar…”

AS: Que conselho darias a quem está a começar agora e também não tem grandes recursos?
JR: “O conselho é: ir sempre atrás, procurar, porque as pessoas têm vergonha e por vezes medo de pedir, porque o não está sempre garantido. Temos que pedir, ser persistentes, as coisas nunca estão garantidas.
E para acreditar até ao fim, porque se eu não tenho acreditado, tinha desistido e as coisas nunca teriam acontecido.
Foi muito difícil fazer aquilo que eu fiz. Nos ‘piratas’ nós fazíamos aquilo com os miúdos e com trocos!
Com setenta e tal euros fazias a corrida. Agora, setenta e tal euros nem levas o carro para lá no atrelado…”
Esse é o grande problema dos ralis hoje em dia. Mas temos que tentar. Eu não tenho vergonha nenhuma de ter ido para um troféu, às vezes as pessoas: “Ah, foste para um troféu.” Tipo, não, eu vou para um troféu porque é o único sítio onde me consigo encaixar, porque um Rally4 é insustentável para mim.
Se gastamos 30.000€ neste carro, num Rally4 gastas 100.000. Nos Clio, temos o troféu, temos prémios e vamos andando…
Acho que passa um bocado por aí, as pessoas tentarem ir para os troféus. Não entendo porque os Clio não têm mais gente. Não consigo mesmo perceber. É um bom Troféu e seria melhor com muito mais gente.
Eu acho que o português tem sempre a mania que tem de ser o melhor.
Não consegue entender as suas limitações e capacidades. Ou seja, querem-se encaixar sempre muito mais acima do que realmente valem. E vemos isso logo pelos carros do dia a dia…
É triste perceber que os ralis são hoje em dia um desporto de ricos, onde muitos querem é mostrar quem tem mais dinheiro. Já não é quem anda mais, é quem tem mais dinheiro…
A ‘malta’ como eu, faz tudo para conseguir correr por paixão. Muitos dos outros é apenas por vaidade…”

AS: Consegues imaginar a vida sem ralis ou este sonho é a tua maior prioridade?
JR: “Já consegui passar sem ralis. Na altura que parei, o que comecei a fazer a seguir foi andar de bicicleta. Até cheguei a fazer provas e tudo. Comecei-me a dedicar às bicicletas e esqueci completamente os carros. Trabalhava na mesma nos automóveis e competição, mas parou ali o bichinho, ficou adormecido.
Eu nem ia ver ralis, para não estar a alimentar o bicho. Portanto, já me vi sem ralis e hoje, se tiver que o fazer, faço. A vida não é só isto, não é? A gente sabe que não tem vida para isto. Enquanto conseguir reunir algum dinheiro dos patrocinadores, vou continuar. Quando não conseguir arranjar esse dinheiro, tenho o meu carrinho e faço uma prova, como fazia, ano a ano, ou quando calhar…”

AS: E vais-te divertir, claro…
JR: E vou divertir uma voltinha aqui ou ali e pronto, já está. Mas também ainda não está fora de hipótese montar aí um projeto para dar assistência nos ralis. Era uma coisa que eu gostava, pegar em dois carros, no máximo, fazer uma assistência tipo Rally4, para Rally2 não, porque já exige muito mais orçamento.”

AS: E agora vêm aí as decisões do Clio Trophy…
JR: “Há um que não conta, mas o que mais me custa é saber que tínhamos os pontos todos amealhados já.
Ficámos numa situação triste. Mas são assim as corridas, sei bem como é, sou mecânico, sei que pode acontecer tudo. Na minha profissão sei que as coisas não são infalíveis…
Mas vou tentar ganhar o Vidreiro, mas não vai ser fácil, pois só consigo ir na quinta-feira, nunca fiz o rali, tenho um dia para reconhecimentos, o navegador só chega na quinta-feira.
Eles já estão a treinar… eu quando calha passo duas vezes para tirar notas, vejo vídeos… não há tempo para tudo. Mas vamos tentar ganhar. Se perceber que estou ali perto para ganhar, ataco, se não, fico perto, não é grave.
Depois temos o Rali de Lisboa que é a nossa casa. Aí estou muito mais à vontade, já fiz o rali, embora haja troços diferentes, mas já estou mais à vontade…”

Tags: Clio Trophy PortugalJoão RodriguesLeãozinhoPeugeot 106 XSI
José Luis Abreu

José Luis Abreu

Entre curvas e muito pó, descobri que o olhar treinado pela fotografia e a paixão pelos ralis só podiam levar a um destino: o jornalismo desportivo. E já lá vão mais de 30 anos…

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