As imagens já circulavam nas redes sociais, os comentários multiplicavam-se e a dúvida instalava-se: haveria ou não penalizações pelos toques nas chicanes da super especial do Funchal? Durante horas, o tema “andou no ar”, sem resposta oficial, como uma ameaça silenciosa à classificação.
Até que, antes da PEC7, tudo mudou.
A decisão da Direção de Prova caiu de forma repentina e com impacto imediato: “na sequência da análise de vídeo da PEC1 (Cidade do Funchal), o Diretor de Prova aplicou penalizações por infração ao Artigo 53.6.3 do regulamento (toques em chicanes): Carro nº 1: 30 segundos de penalização (três elementos derrubados), Carros nºs 11, 21, 31, 40, 44 e 49: 10 segundos de penalização cada (um elemento derrubado).”
Num instante, a classificação virou-se do avesso. Diferenças cavadas em estrada foram redesenhadas em segundos atribuídos fora dela. Houve quem perdesse pouco… e houve quem perdesse muito.
Entre os penalizados, João Silva não esconde a surpresa — e sobretudo a discordância.
“É uma questão que acho que não tem fundamento, porque é verdade que se atribui penalizações nas chicanes, mas a mesma obriga que haja juízes de facto nomeados em regulamento e dito quais são as chicanes que vão ser monitorizadas. Eu consultei o regulamento, vi que não havia juízes de facto e para mim as chicanes era um conjunto de pneus e não havia penalização a atribuir. Lembraram-se agora porque uma equipa começou a fazer essas queixas.”
A contestação não fica por aqui. O piloto aponta para um precedente direto no panorama internacional, reforçando a sua leitura do regulamento: “Mas há um precedente no Rally Sierra Morena do ERC, ou seja, uma prova FIA como esta, em que o Colégio e a direção de prova atribui uma penalização ao Giandomenico Basso, depois constata que não tinha juízes de facto nomeados, acaba por cancelar a penalização e em aditamento nomeia a juízes de facto para a segunda passagem, numa chicane numa classificativa que se repetia.”
Para João Silva, a questão ultrapassa a penalização em si — entra no campo da justiça desportiva: “E aí está a prova que aquela regra só pode ser aplicada se houver juízes de facto, porque estão a tentar, pelo que estou a perceber, dar penalizações com base nos vídeos que vão aparecer da RTP Madeira, mas a RTP Madeira não filma, nem transmite todas as passagens, todos os pilotos de início ao fim, ou seja, pode ter pode ter havido um sem número de toques em chicanes que não foram contabilizados. Logo a verdade desportiva está posta em causa. Daí que a regra obriga a haver juízes de facto, que são pessoas que são nomeadas permanentemente para para estar naquele local a constatar e a monitorizar todos os toques. E aí há verdade desportiva”, disse o piloto à RTP Antena 3 Madeira.
Perante o cenário, a reação não se ficou apenas pelas palavras. A posição já foi formalizada: “Nós já fizemos a nossa exposição à direção de prova e espero que sejam que tenham isso em em consideração, porque a regra mesmo é clara.”
Num rali onde cada décimo conta, foram segundos fora de estrada que incendiaram a discussão. E, mais do que mexer na classificação, abriram um debate maior: até onde vai a interpretação… e onde começa a verdade desportiva?








