Acidente mortal em Mina Clavero leva ao cancelamento do Rally Sudamericano

Por a 20 Abril 2026 11:31

Um espectador de 25 anos morreu este domingo na sequência de um grave acidente ocorrido na etapa final do Rally Sudamericano Mina Clavero, em Córdoba, depois de um Volkswagen Polo tripulado pelos paraguaios Didier Arias e Héctor Núñez ter saído de estrada e atingido uma zona onde se encontrava público, levando a organização a cancelar de imediato a competição.

Para lá da vítima mortal, outras duas pessoas ficaram feridas e foram assistidas pelos serviços médicos, num incidente que voltou a colocar em evidência os riscos de segurança associados às classificativas de ralis disputadas em zonas de forte afluência de espectadores.

Despiste ocorreu em Giulio Cesare

O acidente deu-se no troço Giulio Cesare, na descida para Mina Clavero, pouco depois do arranque da derradeira jornada da prova, integrada na segunda ronda do Campeonato FIA Codasur de Ralis.

Segundo a informação disponível, o carro da dupla paraguaia perdeu o controlo numa curva rápida e acabou por capotar várias vezes antes de sair da estrada e atingir o setor onde se encontravam adeptos.

Os dois ocupantes da viatura saíram ilesos, apesar da violência do acidente.

Organização ativou protocolo de crise

Na sequência do despiste, o troço foi neutralizado e os serviços de emergência médica e policial foram mobilizados de imediato para o local. A organização confirmou depois a ativação de um comité de crise e decidiu cancelar a competição, numa altura em que a prioridade passou a ser a assistência às vítimas e o apuramento das circunstâncias exatas do acidente.

Horas mais tarde, foi confirmada a morte de Brahian Zárate González, que tinha sofrido politraumatismos graves e sido transportado em estado crítico para o hospital de Mina Clavero.

A Federação Internacional do Automóvel reagiu com uma nota oficial em que se disse “profundamente entristecida” com o sucedido e expressou condolências à família da vítima mortal.

No mesmo comunicado, a FIA confirmou que irá prestar “todo o apoio” aos organizadores do Rally Sudamericano Mina Clavero, ao Automóvil Club Argentino, à Codasur e às autoridades locais no decurso da investigação ao incidente. O organismo agradeceu ainda a resposta rápida dos serviços de emergência e das equipas médicas destacadas para o local.

Circunstâncias permanecem sob apuramento

Os primeiros relatos apontam para a possibilidade de o carro ter embatido numa pedra antes de perder estabilidade, embora essa hipótese continue dependente da investigação oficial. Na verdade, o vídeo mostra isso mesmo, a roda da frente direita toca numa pedra e o carro ‘catapulta’ descontrolado.

O setor Giulio Cesare é descrito por vários meios locais como um dos mais exigentes da prova, com traçado estreito, mudanças rápidas de direção e reduzida margem de recuperação em caso de erro ou falha mecânica.

Também permanece por esclarecer se a zona onde estavam os espectadores se encontrava devidamente delimitada ou sinalizada no momento do acidente, uma questão que poderá assumir relevância central nas conclusões do inquérito. Pelo que se vê no vídeo, as pessoas estão do lado de fora da curva, algumas sentadas em cadeiras de campismo

Novo alerta para a segurança nos ralis

A tragédia em Mina Clavero surge num contexto em que os ralis continuam a enfrentar o desafio permanente de conciliar espetáculo, proximidade com o público e segurança operacional.

A concentração de adeptos em zonas de maior risco visual e técnico é uma realidade recorrente nesta disciplina, o que torna determinante o cumprimento rigoroso das restrições de acesso e a eficácia da sinalização no terreno.

O desfecho deste domingo deixa agora o Rally Sudamericano e as entidades envolvidas confrontados com uma investigação delicada e com mais um duro lembrete de que, nos ralis, um erro ou um imprevisto pode ter consequências irreversíveis.

Alertas, alertas, e ainda mais alertas para a segurança

Como sempre, aqui no AutoSport, só reportamos este tipo de acidente para servir de alerta para o futuro. Tomara que não fosse preciso. Em Portugal, depois de tudo o que se passou, especialmente nos anos 80, as coisas hoje em dia estão nos antípodas disso, mas a verdade é que aqui e ali, se continuam a ver – basta ver vídeos – espectadores muito mal colocados.

Portanto, esta recente tragédia serve como um lembrete devastador de que nos ralis não existe margem para o erro — nem dentro, nem fora do carro.

O rali é uma das disciplinas mais espetaculares do desporto automóvel, mas a sua natureza “aberta” exige uma responsabilidade partilhada. Quando a organização não está presente numa zona específica, a segurança passa a estar exclusivamente nas mãos dos adeptos.

O perigo das zonas não oficiais

As “Zonas de Público” oficiais são estudadas por gente experiente em segurança que analisam o contexto do local e o público é colocado em zonas em que a probabilidade de haver problemas é mínima. Ou pelo menos, deve ser assim. Mas quando um adeptos ou um grupo de adeptos escolhe ver a prova fora destes locais, está por sua conta e risco: não houve um delegado de segurança a validar aquele local.

O primeiro facto é que o socorro é mais difícil: Se algo acontecer, as equipas médicas podem demorar muito mais a chegar até às pessoas.

Entender a Física: “Esperar o Inesperado”

Um carro de ralis a alta velocidade não é apenas uma máquina; é um projétil de 1.300 kg. Se algo falha (suspensão, pneu ou erro humano), a física assume o controlo e a força centrífuga determina que o exterior das curvas é proibido: nunca, em circunstância alguma, se coloque no exterior de uma curva. É para onde a inércia atira o carro em caso de qualquer falha.

Zonas de travagem e saltos: após um salto ou numa zona de travagem forte, o carro está instável. Um ressalto errado pode projetar o veículo para fora da estrada em linha reta.

A denominada “Linha de Fogo”: Imagine uma linha reta que prolonga a estrada antes de uma curva. É aí que o carro vai parar se ficar sem travões. Não se coloque lá. Sabemos que é o ponto ideal para ver chegar e ver ir… mas é, bem de longe o local mais perigoso.

Regras de ouro para a sua segurança

Procure altura: coloque-se sempre que possível em locais elevados em relação à estrada. A probabilidade de um carro “subir” uma encosta íngreme é muito menor do que a de atingir alguém ao nível do solo. Tenha atenção se onde está serve de ‘rampa’, pois a inércia do carro até parar “sobe muita coisa”.

Mantenha a distância: dez metros podem parecer muito, mas para um carro em despiste, são percorridos em frações de segundo. Use o bom senso, pense se o carro pode chegar ali. Se puder, saia…

Nunca vire as costas ao troço: ouça o motor, observe o carro até ele passar. Não se distraia com o telemóvel para rever o vídeo, pois, dependendo da extensão do troço ou do carro que passou se ter atrasado, é comum virem carros com poucos segundos de diferença.

Fique atrás de obstáculos sólidos: Árvores de grande porte ou rochas pesadas podem oferecer boa proteção, mas lembre-se: se o carro bater nelas, podem soltar-se destroços (pedras, peças) que voam a velocidades perigosas.

O papel do adepto consciente (muito importante)

Se vir alguém num local perigoso, alerta-os. A segurança do rali depende da cultura da comunidade. E isto é cada vez melhor em Portugal, o público auto-controla-se e em muitos casos, ajuda outros a perceber os erros que estão a cometer. Especialmente quando não há marshalls ou polícia.

Lembre-se sempre que se o público não respeitar, o troço pode ser anulado e todos perdem, mas o pior cenário é o troço continuar e alguém não regressar a casa.

Respeite as fitas, respeite as ordens dos Marshals e, acima de tudo, respeite o bom senso. O melhor lugar para ver um rali é aquele de onde se pode sair a pé quando o último carro passar.

Muito mais se poderia dizer, mas resumindo tudo isto apenas dizemos que a segurança nos ralis é uma responsabilidade partilhada que exige que o adepto nunca ignore as leis da física nem a sua própria autovigilância, garantindo que a paixão pelo espetáculo nunca se sobreponha ao valor da vida.

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