A ideia de conceber um carro de competição com quatro rodas motrizes surgiu pouco depois de ter sido apresentado o Volkswagen Iltis, um veículo militar encomendado pelo exército alemão e cujo desenvolvimento esteve a cargo da Audi. No final da década de 70, as regras em vigor nos ralis, não permitiam a participação de carros com tração integral e a marca dos anéis decidiu questionar formalmente os outros construtores se estes aceitavam a abolição daquele ponto do regulamento. Nessa altura, Fiat, Ford e seus pares, apenas conhecendo o inofensivo Iltis, não colocaram qualquer obstáculo e o projeto avançou com a certeza de que o Quattro poderia pisar os trilhos do Mundial de Ralis.
A estreia mundial
Sem estar ainda homologado para competir, o Quattro estreou-se com Hannu Mikkola, como carro zero no Rali do Algarve de 1980. A expectativa era grande e nos troços de asfalto, o novo carro acompanhou o andamento do Porsche de Bernard Beguin. Porém, quando chegaram as especiais em piso de terra, o estreante demonstrou uma notável diferença de andamento face aos demais. Caso os seus tempos fossem considerados, Mikkola teria sido o mais rápido em 24 dos 30 troços e ganharia com cerca de 29 minutos de vantagem face ao real vencedor, António Zanini, em Ford Escort RS. Quem viu passar o Quattro nas serras algarvias, hoje palco da prova portuguesa do Mundial de Ralis, teve a clara noção de que os ralis jamais seriam como antes…
10 Quilómetros que mudaram a história
A estreia oficial no Campeonato do Mundo, aconteceu no Rali de Monte Carlo em 1981. A neve fez a sua aparição logo na etapa inicial e a Audi podia assim aferir o potencial do novo carro em condições de menor aderência. Ao cabo de apenas 10km da primeira Prova Especial, Hannu Mikkola ultrapassou o Lancia Stratos de Bernard Darniche, que partira dois minutos antes, deixando o mundo dos ralis em estado de choque. O Quattro mostrava ser implacável e recebia o apelido de “O Tanque”…
Pó a quanto obrigas…
À partida do Rali de Portugal de 1984, os Audi eram os naturais favoritos. Depois do esperado domínio dos Lancia 037 nas estradas de Sintra, aguardava-se a total primazia dos carros alemães nas restantes etapas, em piso de terra. No entanto, um inspirado Markku Alen, em Lancia, estava disposto a vender cara a derrota, discutindo com Hannu Mikkola cada metro de prova. Um dos fatores decisivos nesta luta de gigantes foi o pó, e a Audi decidiu adotar uma jogada estratégica: À entrada do troço de Viseu, a marca alemã mandou Walter Rohrl penalizar por avanço, partindo para o troço antes de Mikkola e encostando imediatamente a seguir, de modo a permitir ao seu colega disputar os 26,5Km sem pó no ar. Com esta tática, Mikkola ganhou a Alen nove segundos que se revelariam preciosos para a conquista da vitória final.
Muitas outras histórias haveria a destacar da marcante presença do Quattro na competição automóvel. A abolição do Grupo B ditou o fim da aposta da marca na modalidade e os imponentes “tanques” deixaram de abrilhantar as listas de inscritos. No entanto, a fórmula do seu sucesso continua a vigorar nos quatro cantos do mundo, sendo os Focus, C4 e restantes WRC actuais, legítimos herdeiros do património tecnológico que o Audi Quattro nos deixou….
Audi Quattro Rally Story – Part I
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Audi Quattro Rally Story part II
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