Sabendo-se que não era fácil disputar o coração dos tiffosi italianos com Giacomo Agostini, Valentino Rossi ou Max Biaggi, por exemplo, Loris Capirossi soube sempre reservar para si parte da atenção, numa carreira cuja longevidade não tem paralelo no plantel do MotoGP.
‘Capirex’ acompanhou a evolução da classe rainha desde as antigas 500cc, às 990cc a quatro tempos até às atuais 800cc. Mas quem é este pequeno Hércules? Capirossi nasceu em Castel San Pietro, a apenas 20 minutos da cidade sede da Ducati, Bolonha. Tinha 16 anos quando entrou de rompante no Mundial e foi campeão nas duas primeiras épocas nas 125cc! Não foi certamente coincidência que um talento tão grande “coubesse” dentro de um corpo de apenas 1,65m e 59kg… Sem o factor peso, a passagem para as 250cc foi mais dura e o ‘piccolo ragazzo’ teve três épocas sem chegar ao título.
A estreia na classe rainha aconteceu em 1995, com apenas 19 anos. Na época seguinte, guiou uma Yamaha YZR500 do team Rainey e ganhou a última corrida da temporada. Seguiu-se uma decisão invulgar mas justificável com a sua juventude: Capirossi aceitou o convite da Aprilia e regressou às 250cc. Foi campeão na seguinte mas de forma muito controversa pois abalroou o companheiro Tetsuya Harada na última e decisiva corrida do ano, na Argentina. A Aprilia rescindiu o contrato e um ano depois Capirossi regressou às 500cc com uma Honda de Sito Pons. Venceu o “seu” GP de Itália e pouco depois, na Holanda, demonstrou toda a sua coragem ao terminar no pódio com uma mão partida.
Em 2003 foi a escolha óbvia quando a Ducati iniciou o programa no MotoGP. Em cinco épocas, conseguiu sete vitórias para a Desmosedici mas a arma italiana só foi devidamente domada por Stoner. Desgostoso por só ter sabido da contratação de Melandri pelos media, “Capirex” recusou uma Ducati semi-oficial e abandonou o barco. A Suzuki recrutou-o para ajudar a tornar a GSV-R numa máquina competitiva. Nunca o conseguiu e após três épocas rumou novamente à Ducati, onde faz equipa com Randy de Puniet, naquela que é, sabe-se hoje, a sua última época no motociclismo internacional.









