Ralis/TT-Clubes pragmáticos: “Fazer como é preciso… mas fazer”

Por a 28 Maio 2020 10:39

A mensagem é simples: há muitos condicionalismos, mas há que os contornar e fazer, pois não há nada pior do que ficar parado!

Numa altura em que já existe um plano para o recomeço da época motorizada em Portugal, ficámos a saber também que não há bela sem senão, e esse ‘senão’ surge em forma de diversas condicionantes. O verão está à porta e todos os que anseiam por ir dar um mergulho à praia já perceberam que este ano isso vai ser possível, mas com regras. Lotação nas praias, distanciamento entre grupos. Portanto, condicionantes. E será exatamente o mesmo nos ralis, como em todas as restantes competições e nesse âmbito, o Amândio Santos, da VMotores ouviu três presidentes de clubes, Nuno Loureiro (CAMI), António Sequeira (Escuderia Castelo Branco) e António Jorge (Clube Automóvel de Amarante), que disseram de sua justiça quanto ao que têm pela frente.

Para Nuno Loureiro (CAMI): “Temos que ver na pirâmide das necessidades, o espetáculo desportivo é completamente supérfluo, se corrermos o risco se passarmos imagens de grandes aglomerações a DGS acaba com isto é não é isso que nós queremos”, começou por dizer explicando o cuidado que os ‘motores’ têm que dar com a mensagem que vão passar: “Estamos a fazer provas não cativando público, mas vamos ter paciência, dar a volta, para tentarmos levar isto a bom porto e não correr o risco de não ter prova nenhuma. Julgo que a essência é essa, nós não podemos ter, apesar de ser algo completamente contra natura, temos que nos redimir às evidências e não cativar público” disse Nuno Loureiro que tocou também num ponto que é comum a todas as organizações: Como vão gerir a sua equipa nos dias de prova? “Não sei como vamos controlar, há situações muito difíceis, como por exemplo, se não puder colocar pessoas nos mesmo quartos, e o que significa isso em termos de orçamento. Como é que vou alimentar as pessoas? Estou muito preocupado como é que vou colocar a prova no terreno. É uma situação tão adversa que nós precisamos de saber é como é que nós vamos trabalhar com todos os voluntários, logisticamente dar a volta a isto. Tenho dado voltas à cabeça e esse é o meu maior drama. A situação do publico, é desagradável, é contra a nossa essência, mas eu julgo que é melhor assim do que não ter”, disse Nuno Loureiro (CAMI).

Já António Sequeira, Presidente da Escuderia Castelo Branco entende que “nesta altura não vale a pena fazer críticas aquilo que está definido e estruturado. Obviamente a federação tentou encontrar uma possibilidade para que nos pudéssemos realizar as provas, e mesmo sabendo que o próprio Ni Amorim se mostrou constrangido com algumas propostas, nós sabemos que se elas não acontecessem desta forma poderíamos ter outro tipo de resposta, porque os governantes estão um pouco afastados do conhecimento do que é um rali, uma baja o ralicross, e é preciso incutir aos governantes, aos decisores, o que nós valemos em termos de economia e em termos de turismo, porque os nossos ralis são uma boa fonte de receita para os concelhos onde eles são feitos sem ter o perigo das multidões.

Eu compreendo que os próprios autarcas não estão à vontade nesta situação, e na minha região em que não houve números de casos particularmente graves desta pandemia não se quer correr o risco com um evento que isso venha a acontecer.

Temos que ser pragmáticos, para o ano é ano de eleições, temos que perceber o que está em causa, mas também queremos que as nossas regiões lutem e vão para a frente. Hoje não é possível fazer isto na plenitude. Este ano de 2020 vai ficar para a história, mas temos que trabalhar muito para dar confiança. Esta é uma oportunidade que temos de mostrar aos nossos governantes o que isto pode representar de retorno económico para as nossas regiões, na responsabilidade que temos no turismo inter-regiões. Temos que fazer isto de maneira a que a federação saia disto com uma força acrescida e também trabalhar muito para que aquilo que vamos perder em público ganhar em visibilidade pois isto não é só o Rali de Portugal, nós também trabalhamos muito para alimentar este público”, explicou.

Por fim, António Jorge, Presidente do Clube Automóvel de Amarante, destaca que “há aqui uma indefinição muito grande, eu espero que as provas aconteçam, se o Rali de Castelo Branco vier para a estrada na data que está previsto é importantíssimo que aconteça, e isso é o mais importante. Todos os condicionalismos que estão ou poderão vir a ser colocados, temos que estar preparados para fazer ralis de acordo com aquilo que é preciso fazer”.

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