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Nissan com 5,6 mil milhões de euros de prejuízo em 2019, confirma corte de custos de 2,5 mil milhões de euros

José Manuel Costa by José Manuel Costa
28 Maio, 2020
in AUTO+
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A Nissan acaba de revelar os resultados financeiros do ano fiscal de 2019 (fechado em março de 2020) que registam um prejuízo colossal que forçou a casa japonesa a rigoroso plano de emagrecimento.

Os mais de 5,6 mil milhões de euros (671 mil milhões de ienes) de prejuízo registados no ano fiscal de 2019, é o pior resultado apurado nas últimas duas décadas, com a Nissan a registar, pela primeira vez em 11 anos, um resultado operacional negativo, de 342 milhões de euros (40,5 biliões de ienes). A situação é complicada e com a pandemia de Covid-19 ainda à solta no Mundo, a Nissan não pôde revelar nenhuma previsão sobre o ano fiscal de 2020 que começou no mês de março.

Porém, revelou os detalhes do plano a quatro anos da Nissan para a recuperação, que incluem medidas drásticas e duras para recuperar o equilíbrio e o regresso aos lucros operacionais. O plano “Nissan Next 20 – 23” corta no marketing, na pesquisa e desenvolvimento e em outras áreas, nomeadamente, corte de volume de produção, rejuvenescimento da gama, fecho de fábricas – a de Barcelona vai ser fechada com a perda de 2800 postos de trabalho, bem como a unidade da Indonésia, deixando Sunderland como plataforma europeia e mantendo a Tailândia como base para a zona de comércio livre asiática (ASEAN) – e concentração em mercados rentáveis para a Nissan como os EUA, China e o mercado interno no Japão.

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Makoto Uchida, o CEO da Nissan, reconheceu os erros do passado e admitiu que as flutuações da cotação da moeda japonesa e as vendas em recuo devido a uma gama envelhecida, são fatores negativos. Por isso mesmo a redução do produto disponível ao longo dos três próximos anos o corte de produção é de 20% para 5,4 milhões de unidades ao longo de três anos e o produto também encolherá 20%, de 69 propostas para 55 modelos. A fábrica de Sunderland ficará ativa para cumprir o sistema “leader – follower”, nivelar a Aliança e manter uma operação consistente na Europa.

A Nissan vai realocar os seus recursos para desenvolver modelos competitivos, focando-se no segmento C (Qashqai) e D (X-Trail) e nos modelos elétricos. Vai reduzir o ciclo de renovação dos produtos para que a idade média da gama Nissan fique nos 4 anos.

A Nissan segue, assim, as iniciativas da Aliança Renault Nissan Mitsubishi de foco no controlo dos custos, regresso aos lucros e lidar com o colapso das vendas devido à pandemia de Covid-19.

Analisando o relatório do ano fiscal de 2019, a Nissan perdeu 15% do volume de negócios para 9,9 triliões de ienes (84 mil milhões de euros) e viu o seu valor bolsista encolher 29%, registando uma performance pior que a de Toyota e da Honda. Contas feitas, a Nissan vendeu 4,93 milhões de unidades (5,52 milhões em 2018), com desaceleração na Europa e nos EUA.

Apesar de “cash flow” negativo devido a aprovisionamentos e outras dificuldades, o diretor financeiro, Stephen Ma, lembrou que a Nissan tem uma liquidez robusta. Segundo aquele responsável, “temos a liquidez suficiente para avançar no meio deste desafiador ambiente provocado pela pandemia de Covid-19”. A Nissan, segundo Stephen Ma, tem 12,7 mil milhões de euros (1.5 triliões de ienes) em dinheiro e acesso a linhas de crédito ainda não utilizadas no valor de 10,9 mil milhões de euros (1,3 triliões de ienes).

A Nissan continua comprometida com a mobilidade elétrica e com a condução autónoma, acreditando que em 2023 as suas vendas serão de veículos eletrificados, com destaque para o sistema e-Power. Na China a Nissan quer aumentar a quota de mercado nos produtos elétricos, enquanto nos EUA vão ter de trabalhar muito para recuperar uma imagem de marca algo maltratada nos últimos anos. 

A Europa manter-se-á como um mercado importante, mas com condições difíceis e um ambiente demasiado competitivo, a Nissan vai focar-se nos crossover e nos SUV, expandindo a sua gama elétrica, fazendo melhor uso da sua relação com a Renault. Ou seja, modelos como o Micra podem desaparecer, embora Makoto Uchida ou Ashwani Gupta, se tenham escusado a falar sobre esse assunto.

A eletrificação será decisiva para a Nissan, embora mantenha o ADN da marca japonesa apoiado em três pilares: paixão inovação e desafio. A Nissan vai lançar 8 novos modelos totalmente elétricos, globais, até 2023 e vai levar o e-Power para outras regiões como a Europa. O objetivo é vender 1 milhão de unidades eletrificadas em 2023 e mais de 1,5 milhões de unidades com o sistema ProPilot nessa mesma data.

Tags: NissanResultados
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