Depois dos violentos aumentos dos preços dos transportes públicos, são muitos os especialistas em transportes a antecipar e caucionar uma nova investida sobre os custos de utilização do automóvel, para restabelecer a correlação de custo entre transporte público e transporte privado.
A lógica subjacente a este raciocínio é que o custo de utilização do automóvel deve ser suficientemente proibitivo para dissuadir a sua utilização e assim promover a utilização do transporte público. Resta saber de que forma é que o Governo vai castigar ainda mais os automobilistas. Aumentando o IUC? Taxando a entrada nos centros urbanos? Aumentando o preço das portagens e criando novas? Toda essa aritmética da extorsão estará neste momento em equação.
Uma coisa é certa, até ao final do ano vai ser ainda mais caro utilizar o automóvel quotidianamente. Em Lisboa, por exemplo, cidade já cercada por vias portajadas, apenas o IC19 e a CRIL estão neste momento ‘isentas’ e não será difícil de admitir que essa ‘borla’ irá rapidamente ser corrigida. Depois dos aumentos dos transportes públicos, não será difícil ao Governo justificar uma nova ofensiva sobre a utilização do automóvel, que é cada vez mais um luxo burguês.
Independentemente do contexto extraordinário da crise, é transparente a falta de visão ou estratégia para a mobilidade em Portugal. Apenas a necessidade de extorquir mais dinheiro, porque o que estamos a falar é de impostos camuflados de medidas politicamente corretas. Em Portugal a mobilidade é um luxo, que mesmo aqueles que dela precisam para trabalhar, vão ter de pagar.
Rui Pelejão
Diretor









