Lembra-se de: O ano de 1993

Já lá vão duas décadas e este foi o ano de Pedro Lamy. Uma vez mais, poderá dizer-se… mas a verdade é que, desta feita, o piloto português se mostrou numa categoria hiper-competitiva e que era considerada então como a ante câmara para a Fórmula 1. Como, aliás, se viu durante o ano…

Mas comecemos pela Fórmula 3000. Pilotando um Reynard 92D/Cosworth Mader – um chassis de 1992, ao contrário dos seus adversários, todos eles ao volante de carros de 1993! – inscrito pela equipa Crypton Motorsport, liderada por Patrizio Cantú, Lamy fez uma época notável. E só perdeu – por um ponto, para o francês Olivier Panis – porque cometeu alguns pequenos erros, como em Enna-Pergusa, por exemplo e que, no final, se revelaram cruciais. Além disso, enquanto todos os seus adversários foram evoluindo os seus carros, Lamy viu-se e desejou-se para terminar o ano, sempre com um carro desactualizado e que, nas últimas corridas, era notavelmente inferior a todos os outros.

Sem dinheiro, milagres nãos e fazem! Fica, no entanto, o triunfo no mítico Grande Prémio de Pau, no dia 31 de Maio de 1993 – uma data escrita a ouro, no livro extensíssimo do palmarés de Pedro Lamy. Nas estreitas ruas daquela cidade do sopé dos Pirinéus, o jovem piloto efectuou uma das suas melhores corridas de sempre: sobreviveu às carambolas das primeiras voltas da corrida, que teve duas partidas, pressionou o líder Olivier Panis e levou-o a cometer um erro e, depois, sempre atento à recuperação do francês, apenas ficou descansado no comando depois deste ter feito um pião definitivo. Brilhante! O pódio ficou completo com David Coulthard (2º) e Paul Stewart (3º).

Na altura em que perdeu o Campeonato, Pedro Lamy já se tinha estreado na Fórmula 1 – e, nessa mesma semana, assinou contrato até ao final do ano com a equipa Lotus, para as últimas provas da temporada. A estreia aconteceu no Grande Prémio de Itália, a 12 de Setembro, substituindo o italiano Alessandro Zanardi, acidentado com gravidade em Spa, duas semanas antes. Sem grande número de voltas ao volante do Lotus 107B/Ford V8, com excepção de uma sessão de testes, em Monza, dias antes, Lamy começou por garantir a última posição da grelha de partida, com uma volta em 1m26,324s. O “desconhecimento do carro” não era uma grande ajuda mas, conseguir terminar a sua prova de estreia em 11º lugar, com menos quatro voltas que Damon Hill, depois de um problema eléctrico o ter condenado ao abandono, quando se estava a aproximar do 7º posto!

Até ao final do ano, Lamy disputou mais três corridas: duas semanas mais tarde, a “prova de fogo” perante os “seus” espectadores, no Grande Prémio de Portugal (18º nos treinos, abandono devido a despiste na Curva 3, quando era 12º); Grande Prémio do Japão, a 24 de Outubro (20º nos treinos, 13º a 4 voltas, após despiste violento por mau funcionamento da suspensão activa); e Grande Prémio da Austrália, a 7 de Novembro (23º nos treinos, abandono por acidente na largada).

Noutra modalidade, o francês François Delecour venceu o Rali de Portugal, ao volante do Ford Escort RS Cosworth, contrariando todos os prognósticos e transportando assim a equipa de Boreham aos lugares mais altos do pódio. Para o francês, esta foi a primeira vitória da sua carreira. Entretanto, na Fórmula Ford, Rosário Sottomayor tornou-se a primeira mulher a ganhar um título absoluto, no caso o de Campeã Nacional de Fórmula Ford Classe 1600.
Lá por fora, destaque-se a estreia de Nigel Mansell na Fórmula Cart, para onde “emigrou” depois do título na F1 conquistado no ano anterior. E o mínimo que se pode dizer é que o britânico voltou a vencer, ao bater tudo e todos em terras do Tio Sam, conquistando o segundo grande título para a sua carreira.