Afinal, a equipa menos prejudicada pelas novas regras que proibiram a utilização do designado ‘sopro quente’ nos difusores parece ter sido a Ferrari, pelo menos a julgar pelo excelente resultado de Fernando Alonso no GP da Grã-Bretanha e pela superioridade demonstrada pelo monolugar italiano.
Assim sendo, não será de estranhar que tivesse sido a equipa de Maranello e a Sauber, que utiliza motores Ferrari, a comprometerem um possível acordo entre os construtores e com o beneplácito da FIA, durante uma reunião realizada no domingo, para que se voltasse a uma situação ‘pré-Silverstone’.
A pressão que a Renault e a Mercedes exerceram sobre a entidade federativa, demonstrando que a radical alteração da cartografia dos motores de acordo com o recentemente legislado punha em causa a fiabilidade dos mesmos – no caso dos franceses, em relação à refrigeração das válvulas de escape e quanto à Mercedes, no arrefecimento da cambota – provocou essa reunião, com a FIA a admitir a possibilidade de voltar atrás, caso existisse unanimidade, o que não aconteceu.
Contudo, a Mercedes ainda conseguiu fazer vingar alguns pontos de vista junto dos técnicos da entidade federativa e foi autorizada a proceder a pontuais alterações na citada cartografia, enquanto a Renault se atrasou no seu pedido e só o poderá fazer para a próxima corrida.
Coloca-se, contudo, uma questão: tendo em conta a forma de atuação da FIA, primeiro proibindo pura e simplesmente uma cartografia que permitisse a injeção de gases de escape nos difusores durante a desaceleração, seguindo-se a possibilidade do imediato recuo, quando confrontada com os problemas de fiabilidade que lhe foram apresentados, leva-nos a admitir que os técnicos da federação foram precipitados, ou pouco ponderados, na identificação e análise do problema e nas propostas que apresentaram visando as alterações que agora entraram em vigor.
Legislar sobre a expressão maior do desporto automóvel não é, obviamente, tarefa fácil e deveria exigir aturado estudo face aos eventuais problemas que uma decisão menos correta e equilibrada pode acarretar nos mais distintos domínios, ou seja, desde a competitividade das equipas aos investimentos efetuados e a efetuar.
Resta agora esperar por cenas dos próximos capítulos, já que Stefano Domenicali já veio a terreiro afirmar que a Ferrari admite que será possível chegar rapidamente a um acordo. Resta saber à custa de quê!
Rui Freire









