Não são muitos os pilotos que podem dizer que disputaram 300 GP na F1, mas Sergio Pérez está a poucas horas de entrar nesse restrito clube, um feito que vai partilhar com os seus compatriotas.
Sergio Pérez tornou-se o mais bem-sucedido piloto mexicano da história da F1, numa carreira feita de altos e baixos, em que soube encontrar novas oportunidades quando a continuidade parecia ameaçada, mostrando regularmente a sua qualidade.
Já longe vão os tempos em que um jovem mexicano dava nas vistas na Sauber. Um piloto rápido, agressivo e capaz de manobras impressionantes. E não foi preciso esperar muito pelo primeiro pódio. Na segunda corrida da sua segunda temporada na F1, Pérez provou o champanhe, o que faria por mais duas vezes antes de se mudar para a McLaren. Foi aí que a sua carreira esteve perto de terminar prematuramente.

Em 2013, a equipa britânica arriscou na conceção do seu monolugar, mas a aposta não resultou, mudando o contexto da equipa. Era o início da espiral descendente da equipa britânica que caiu até 2018 e “Checo” terá sido a primeira vítima dessa instabilidade. Pérez acabou por ser preterido, também com culpa própria, para a temporada seguinte. Parecia o fim de uma carreira promissora, mas 2014 trouxe uma oportunidade na Force India, onde cimentou o seu lugar. Passou sete temporadas na estrutura, incluindo na fase Racing Point, conquistando cinco pódios pela Force India e dois pela Racing Point. Foi nesta última que alcançou o primeiro triunfo, numa noite épica em Sakhir, antes de se mudar para a Red Bull.
Na Red Bull, apesar de algumas boas prestações, não conseguiu manter a consistência necessária ao lado de Max Verstappen e acabou por perder o lugar no final de 2024. Seguiu-se uma pausa sabática em 2025 e o regresso em 2026 com a Cadillac, onde tem sido o piloto em destaque. Entretanto, viu o seu contrato renovado.
This is it. Today, Checo Perez is set to make his 300th Grand Prix start, becoming just the seventh driver to achieve the feat in F1 💪 https://t.co/L4ApW48px3
— Cadillac Formula 1 Team (@Cadillac_F1) November 1, 2026
As esperanças de conquistar o tão desejado título são agora praticamente nulas, numa fase diferente da sua carreira, mas o calendário permitiu que chegasse ao 300.º GP na «sua» corrida, na Cidade do México, perante o fervoroso público mexicano, no Día de Muertos, uma das celebrações mais vibrantes e importantes do seu país natal.
Passa a integrar um grupo restrito de seis pilotos. Fernando Alonso é o rei da longevidade, com 443 GP realizados, à frente de Lewis Hamilton (398), Kimi Räikkönen (349) e Rubens Barrichello (323), o primeiro a atingir a barreira dos 300 GP. Também Michael Schumacher (307) e Jenson Button (306) ultrapassaram essa marca, à qual chega agora Pérez.
Os próximos da lista são Nico Hülkenberg (267), Valtteri Bottas (264) e Carlos Sainz (247). Mas, para já, o destaque vai para Pérez, numa carreira que conta com seis triunfos, 39 pódios e um vice-campeonato (2023), passando por seis construtores. Uma viagem cujo destino final pareceu estar à vista por mais de uma vez, mas em que o mexicano soube sempre encontrar um novo «bilhete» para continuar.
Do jovem impetuoso dos tempos da Sauber e da McLaren, ao piloto mais ponderado dos tempos da Force India e Red Bull. Da fúria de tentar sempre uma nova ultrapassagem, à mestria da gestão de pneus e dos ritmos. Do piloto com um pé fora da F1, ao “Ministro da Defesa” na luta mais quente da F1 dos últimos anos. Uma carreira que merece ser realçada pelo muito que conquistou.








