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Renault: Estreia na Fórmula 1 foi precisamente há 40 anos

José Luis Abreu by José Luis Abreu
16 Julho, 2017
in F1, FÓRMULA 1, Newsletter, Newsletter destaque
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No dia 16 de julho de 1977, a Renault disputou o seu primeiro grande prémio de Fórmula 1 e abriu um novo capítulo da sua história. Uma longa história que remonta mesmo à génese da competição automóvel. A Renault participou em todos os tipos de provas, em circuitos, ralis, rali-raids, recordes de velocidade, resistência… e ganhou em todas elas: Em todas as disciplinas o nome da Renault inscreve-se, num dado momento, no topo do palmarés. Assim, era inevitável que, com a sua perspetiva da competição, a Renault se dedicasse um dia à F1, disciplina-rainha do desporto automóvel.

Desde 1977 passaram quarenta anos, feitos de um empenho determinado, voluntarioso, inteligente e sempre altamente tecnológico. Não apenas porque a Renault conta com muitas vitórias, mas porque foi sempre capaz de introduzir inovações no domínio dos chassis, da aerodinâmica e dos motores. Atualmente, a Renault é parte integral deste mundo mágico dos grandes prémios e suscita junto de todos os seus adversários um firme sentimento: o respeito.

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As seis datas da fundação
23 de julho de 1975: o primeiro motor V6 1500 cc turbo, designado 32T (diâmetro/curso 80 x 49,4 mm), é testado no banco de ensaios em Viry-Châtillon.
8 de agosto de 1975: o segundo motor V6 1500 cc turbo, designado 33T (diâmetro/curso 86 x 42,8 mm), é testado no banco de ensaios em Viry-Châtillon.
21 de novembro de 1975: batismo de pista do 33T, instalado secretamente sob o capô de um Sport-Protótipo A441.
19 de dezembro de 1975: batismo de pista do 32T, instalado secretamente no mesmo chassis.
3 de janeiro de 1977: início da construção do chassis RS01.
10 de maio de 1977: apresentação oficial do RS01 no Pub Renault, atualmente Atelier Renault, nos Campos Elísios em Paris.

1977
A equipa Renault escolheu cinco Grandes Prémios para o RS01 dar os primeiros passos. A Renault optou por explorar um caminho totalmente novo na F1, o motor turbo, que apresentava à época uma desvantagem: o tempo de resposta à aceleração. As cinco corridas constituíram, sobretudo, ensaios em situação real e em circuitos onde o tempo de resposta não condicionava tanto a pilotagem. A Renault recorreu a um único carro, conduzido por Jean-Pierre Jabouille, piloto oficial da marca. Os circuitos: Silverstone na Grã-Bretanha, Zandvoort na Holanda, Monza em Itália, Watkins Glen nos Estados Unidos e Mosport no Canadá. O Renault RS01 estreou-se em competição no dia 16 de julho de 1977, no Grande Prémio da Grã-Bretanha.

1978
A Renault participou em 14 dos 16 Grandes Prémios que constituiram a temporada. O programa de F1 implantou-se nas instalações de Viry-Châtillon. A primeira recompensa surgiu no dia 1 de outubro, no Grande Prémio dos Estados Unidos: onde Jabouille obteve os primeiros pontos da Renault na F1: três pontos correspondentes ao 4.º lugar na corrida.

1979
A Renault tornou-se uma verdadeira equipa de F1 no mundo dos Grandes Prémios. Um segundo piloto, René Arnoux, corre lado a lado com Jabouille. Os chassis tipo RS01 passaram à reforma. Sucedem-se os RS10 e RS11: carro com efeito de solo, com acabamentos muito superiores, motor V6 1,5 l sobrealimentado e melhor integrado. No início de janeiro, no circuito de Dijon, a Renault-Sport efetuou os primeiros testes de um V6 equipado com dois turbocompressores. A tecnologia estreou-se, em competição, no Mónaco, no final de maio. No dia 1 de julho, o Grande Prémio de França foi disputado no circuito de Dijon. Histórico: Jabouille* conquistou a primeira vitória, com mais de 14 segundos de avanço sobre o Ferrari de Gilles Villeneuve e o Renault de Arnoux. Vitória em França

Jean-Pierre Jabouille: Nascido a 1 de outubro de 1942, com nacionalidade francesa, Jabouille defendeu as cores da Renault desde o início dos anos 70, tanto em fórmulas de promoção como em protótipos. Em 1976, sagrou-se Campeão da Europa de F2 ao volante de um Elf2-Renault. Disputou 49 Grandes Prémios, 46 dos quais pela Renault. Na F1 conquistou seis “pole positions” e duas vitórias, todas obtidas com a Renault

1980
A evolução continuou e a Renault é o centro das atenções no “paddock” dos Grandes Prémios. Isto porque os Renault-Turbo vistos, inicialmente, com ceticismo, demonstravam todas as suas qualidades. É de salientar a nova designação dos Renault: a sigla deixa de ser RS e passa a RE, em homenagem à petrolífera Elf, que contribuiu consideravelmente para os projetos da Renault na F1. A equipa conquistou três vitórias, duas para Arnoux*, no Brasil e na África do Sul, e uma para Jabouille, na Áustria, que garantem o 4.º lugar no campeonato do mundo de construtores. Má notícia: Jabouille sofre um grave acidente no Canadá e não disputou o último grande prémio. Vitórias no Brasil, na África do Sul e na Áustria.

René Arnoux
Nascido a 4 de julho de 1948, com nacionalidade francesa, René Arnoux seguiu um percurso clássico: karting e fórmulas de promoção Renault. É titular em 149 Grandes Prémios, 58 dos quais com a Renault. Em 1977, sagrou-se Campeão da Europa de F2 ao volante de um Martini-Renault. Entre 1979 e 1982 conquistou 14 pole positions e quatro vitórias ao serviço da Renault.

1981
Jabouille, que foi vítima de acidente e depois saiu para a equipa Ligier, foi substituído por Alain Prost*, o Campeão da Europa de F3. Os Renault evoluíram para o RE20B. A temporada foi frutuosa para Prost, que obteve três vitórias, sendo a de Dijon, em França, o primeiro sucesso deste jovem francês, que se estreou na F1 com a McLaren-Ford, em 1980. A Renault conquistou o 3.º lugar do mundial de construtores de F1 e, entre os adversários, é de salientar que também a Ferrari seguiu a Renault, ao adotar um motor turbo. Além disso, a equipa francesa implementou uma das suas novas invenções, o DPV (dispositivo de pré-rotação variável), que minimizava ainda mais o tempo de resposta do turbocompressor à aceleração e que seria adaptado a todos os motores sobrealimentados. No mês de maio surgiram os novos chassis RE30, que substituíram os RE20B. Vitórias em França, na Holanda e em Itália.

Alain Prost
Nascido a 24 de fevereiro de 1955, com nacionalidade francesa, é ainda hoje o melhor dos pilotos franceses, tendo disputado 199 Grandes Prémios e conquistado quatro títulos de Campeão do Mundo. Em 1985 e 86, com a McLaren-Porsche, em 1989 com a McLaren-Honda e, em 1993, com a Williams-Renault. É titular de 51 vitórias, nove das quais com a Renault e sete com a Williams-Renault. Atualmente, é embaixador e conselheiro especial da Renault.

1982
Foi uma temporada agridoce, apesar das quatro vitórias obtidas, duas para cada um dos pilotos, René Arnoux e Alain Prost. Durante grande parte da temporada, Prost esteve na luta pelo título mundial, mas problemas de fiabilidade impediram-no de chegar ao cetro. A Renault experimentou várias novidades nos monolugares: afinação do dispositivo de insuflação, injeção de gasolina com comando eletrónico, caixa de velocidades transversal, suspensão com correção da distância ao solo. Vitórias na África do Sul, no Brasil, em França e em Itália.

1983
Apesar de ter uma equipa própria, a Renault passou também a fornecer os motores do Lotus de Elio de Angelis e, a partir da Grã-Bretanha, do de Nigel Mansell. Na Renault, René Arnoux foi substituído pelo americano Eddie Cheever, para correr lado a lado com Alain Prost. A temporada teve início com os chassis RE30C, mas, logo no segundo Grande Prémio, em Long Beach, Prost recebe o novo RE40. A temporada revelou-se extremamente rica, mas o adversário de Prost, Nelson Piquet, ao volante de um Brabham-BMW-Turbo, acabou por chegar ao título, por apenas dois pontos de avanço, mas com um combustível considerado não conforme. Não querendo ganhar na secretaria, a Renault optou por não reclamar.
Vitórias em França, na Bélgica, na Grã-Bretanha e na Áustria.

1984
Renovação profunda na Renault, onde o francês Patrick Tambay e o britânico Derek Warwick substituíram Alain Prost e Eddie Cheever. Os chassis foram os RE50. A Renault também forneceu os motores das equipas Lotus, com De Angelis e Mansell, e Ligier, com Andrea de Cesaris e François Hesnault. No último Grande Prémio da temporada, em Portugal, a Renault incluiu um terceiro carro para Philippe Streiff.

1985
Quanto aos pilotos, não houve qualquer alteração na equipa Renault, mas surgiu um novo carro, o RE60. A Renault-Sport continuou a fornecer os motores à Lotus e à Ligier (Jacques Laffite, Andrea de Cesaris, Philippe Streiff) e, a partir de julho, à Tyrrell (Stefan Bellof e Martin Brundle). Duas grandes esperanças da F1 começaram a correr com motores Renault: Stefan Bellof na Tyrrell e Ayrton Senna na Lotus. Senna revelou-se arrebatador na alvorada de uma carreira gloriosa: conquistou as suas duas primeiras vitórias na F1 ao volante de um Lotus-Renault, em Portugal e na Bélgica, enquanto o colega de equipa, Elio De Angelis*, conquistou uma em São Marino. Vitórias do motor Renault, com a Lotus, em Portugal, em São Marino e na Bélgica

Elio de Angelis
Nascido a 26 de março de 1958, com nacionalidade italiana. Na sua época, De Angelis destacou-se pela excelente pilotagem, de uma rara elegância, bem como pelo estilo na pista e comportamento no paddock. Sofreu um acidente mortal em 1986, ao realizar testes privados num F1 da equipa Brabham-BMW.

1986
No mês de agosto do ano anterior, a Renault anunciou que abandonaria o desenvolvimento de chassis, para se concentrar apenas nos motores. O motor utilizado foi um EF15 turbo, destinado a responder à nova regulamentação, que reduziu a capacidade do depósito de combustível de 220 para 195 litros. Além disso, o motor EF15 passou a dispor, pela primeira vez, de uma novidade técnica utilizada atualmente por todos os fabricantes de motores: a recuperação pneumática das válvulas. Lotus, Ligier e Tyrrell utilizaram os motores Renault. Ayrton Senna conquistou dois novos triunfos em Jerez e Detroit. A Renault decidiu suspender as atividades F1 da Renault-Sport. Vitórias do motor Renault, com a Lotus, em Espanha e nos Estados Unidos.

Ayrton Senna
Nascido a 21 de março de 1960, com nacionalidade brasileira. No dia 1 de maio de 1994 sofre um acidente mortal em Imola, no decorrer do Grande Prémio de São Marino, ao volante de um Williams-Renault. Era o 161.º Grande Prémio em que participava. Suscita um verdadeiro culto. O seu palmarés conta com 65 pole positions, 16 das quais obtidas com um motor Renault-turbo, 41 vitórias na F1 e três títulos de Campeão do Mundo, em 1988, 90 e 91, ao volante de um McLaren-Honda.

1987
As atividades F1 da Renault-Sport foram suspensas. Foi criado um grupo de trabalho, em Viry-Châtillon, encarregue de estudar diferentes projetos. Em particular, dedicaram os esforços a um motor de F1 atmosférico, no âmbito da nova regulamentação dos Grandes Prémios, que autorizava este tipo de motor de 3500cc, juntamente com o motor turbo 1500 cc. A Renault-Sport questionou as grandes equipas de F1 quanto à exequibilidade deste motor: entre a utilização de um V8, um V10 ou um V12, quais são as suas preferências? Foi o V10 que obteve maior recetividade. A Renault-Sport dedicou-se à conceção deste V10, que adotou a designação RS1.

José Luis Abreu

José Luis Abreu

Entre curvas e muito pó, descobri que o olhar treinado pela fotografia e a paixão pelos ralis só podiam levar a um destino: o jornalismo desportivo. E já lá vão mais de 30 anos…

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