Não é novidade para ninguém que a F1 de hoje é muito complexa e se no passado os pilotos de F1 tinham apenas alguns ajustes que podiam fazer no volante dos seus carros, hoje essas alterações são inúmeras e muito complexas. Um piloto de F1 já tem tanto com que se preocupar em pilotar depressa e bem, e não faz muito sentido um piloto passar 12 voltas até conseguir alterar um parâmetro do carro que tinha sido colocado de forma errada pela equipa. Na estrada, um condutor sofre um pesada multa se for apanhado ao telefone, isso distrai, então o que dizer de um piloto de F1, com o que tem de fazer hoje em dia? “há muito que acho que esta regra não faz muito sentido, dão-nos autênticas naves espaciais para pilotar e com tanta tecnologia, não nos querem dar informação. Às vezes é difícil saber o que está a acontecer com o carro, e o que fazer, talvez isto possa mudar no futuro” disse Fernando Alonso.
É um facto que ambos os Mercedes tiveram problemas em Baku com o mapeamento dos motores, mas enquanto Nico Rosberg resolveu prontamente a situação, Lewis Hamilton perdeu uma eternidade em conversas com o seu engenheiro até à resolução do problema. Com isso, perdeu, talvez, uma posição no pódio e mais alguns pontos para Rosberg. No final, foi Paddy Lowe que explicou bem o problema:
“Ambos tinham a mesma configuração, mas houve um problema com a gestão da energia. Com o sistema híbrido, há que gerir a energia que entra e sai da bateria, é um processo automático que retira do piloto essa função. Os pilotos têm uma determinada quantidade de energia que pode despoletar a cada volta, e também que podem recolher nas travagens. E como não há necessidade de gastar energia o sistema híbrido deixa de fornecer tanta energia no final das retas (palavra inglesa é derates) porque com a travagem passa a recuperar. E foi esse processo automático que foi interrompido, não estava a funcionar corretamente (o tal erro que a Mercedes cometeu) e estava a fazer com que a unidade motriz antecipasse o ‘derate’ e fornecesse menos energia mais cedo do que devia, porque o sistema ‘pensava’ que tinha menos energia do que realmente acontecia. E isto só acontece num determinado modo de motor. Portanto, ambos tiveram o mesmo problema quando colocaram o carro nesse modo, o que no caso do Nico aconteceu mais tarde. E essa falta de energia estava a custar dois décimos por volta. E o problema foi que de acordo com as atuais regras os engenheiros não podem dizer aos pilotos o que fazer. E o Nico resolveu a questão em meia volta enquanto o Lewis demorou 12 voltas a fazê-lo” disse Paddy Lowe.
Imaginemos por um momento que ambos estavam na última corrida do Mundial e que o campeonato se resolvia porque um piloto rodou bem um botão e o outro demorou muito mais tempo a perceber onde deveria colocar esse mesmo botão. Todos os que aprenderam a saber que nas corridas ganha quem melhor pilota, quem acelera e trava no sítio e de forma certa, quem manobra o volante para se posicionar no melhor local antes duma curva, quem faz as melhores trajetórias e acima de tudo quem faz tudo isso mais rapidamente, mas se calhar é melhor irmos-nos habituando a saber quem foi o piloto que melhor estudou o manual do carro…











