A FIA e a F1 não se vão ficar pelas alterações às unidades motrizes em 2027 e a aerodinâmica vai ser também revista em zonas sensíveis, numa tentativa de baixar as velocidades em curva e, assim, permitir uma maior regeneração de energia, num esforço para mitigar as fragilidades que o conceito híbrido implementado este ano apresenta. James Vowles desvendou as mudanças, que não se esperavam ser tão profundas.
Vowles explicou à SkyF1 que as alterações são “bastante significativas”, incluindo mudanças na zona do “bib”( inicio do fundo plano na zona central do chassis), na asa traseira e em e início do fundo plano, sublinhando que o resultado não corresponde ao aproveitamento de conceitos anteriores que muitos esperariam. O diretor da Williams admitiu que estas alterações, que complementam as revisões aos regulamentos das unidades motrizes destinadas a reduzir o impacto da velocidade em curva na quantidade de energia elétrica disponível nas retas, não eram esperadas, mas assegurou que a sua equipa as apoia. Vowles considerou que a direção tomada pelo desporto está correta, esperando que ajude a criar um formato e um espetáculo melhores, em conjugação com os novos regulamentos das unidades motrizes. Também já Adrian Newey confirmou recentemente que, apesar de não terem recebido grande atenção mediática, as alterações aerodinâmicas são significativas.
O que está em causa
A lógica é simples: se um carro cria mais apoio aerodinâmico, é mais rápido em curva. Isso implica que os pilotos não são obrigados a desacelerar tanto, numa era em que a regeneração de energia elétrica é fundamental para que haja potência nas retas, há uma relação inversa entre o apoio aerodinâmico e a energia que se pode regenerar. Assim, as mudanças para 2027 centram-se fazer com as velocidades em curva sejam menores, aumentando as oportunidades de regeneração. As mudanças concentram-se em três áreas-chave do carro: o bordo do fundo plano, a prancha e a asa traseira, parecendo à primeira vista alterações dimensionais relativamente pequenas, mas as equipas começaram a perceber consequências mais amplas ao analisar os detalhes.
Ao nível da asa traseira, as novas dimensões vão troná-la menos eficiente, ficando ligeiramente mais rasa, cerca de 20 mm, enquanto os suportes de rotação usados atualmente por várias equipas acima do elemento superior deixarão de ser permitidos. Ainda assim, será permitido um novo reforço do pilar da asa traseira, colocado entre os suportes, o que deverá permitir a criação de asas do tipo “monkey seat”. Como parte das alterações para 2027, embora não diretamente relacionadas com a gestão de energia, está também prevista a proibição de elementos aerodinâmicos à saída do escape, além de ajustes nas regras do difusor. Na parte frontal do carro, a FIA vai também reduzir o número máximo permitido de dispositivos elementos verticais presentes o começo do fundo plano e que direcionam o ar. Passarão de cinco para três elementos.
Por baixo do carro, prevê-se uma grande redução no comprimento da prancha, com a secção frontal a passar de 900 mm para 600 mm, uma alteração motivada em parte pela preocupação da FIA quanto ao comprimento dos “bibs” sob a secção do nariz este ano, que considerava poder penetrar na área interna do halo em caso de o carro ser projetado para cima num acidente.
Embora as revisões à asa traseira e aos elementos verticais do começo do fundo plano exijam novo trabalho de design, é a alteração da prancha que poderá gerar a maior dificuldade para as equipas. A redução da área frontal vai obrigar a alterações com implicações na altura ao solo, uma vez que a prancha é utilizada para determinar as alturas ao solo. Com o atual comprimento as equipas têm de ser relativamente conservadoras na afinação dos carros, algo que poderá não se verificar no próximo ano. Assim, as equipas terão de decidir pela adaptação das novas regras ao conceito atual, ou repensar totalmente a filosofia aerodinâmica do carro. O que parece certo é que as velocidades em curva serão menores e, por isso, um pouco menos entusiasmantes.
Foto: Philippe Nanchino /MPSA









