Em declarações ao The Race, Max Verstappen disse que não lhe parece justo se tivesse ficado para trás, deixado passar Perez e bloqueasse Charles Leclerc. Não tenhamos a menor dúvida que o conseguiria fazer, o seu andamento estava lá e percebeu-se que se fosse preciso mais, esse ritmo surgiria, mas Max Verstappen fez uma corrida descansada na frente, a poupar pneus, como confessou no final enquanto atrás de si o seu colega de equipa não conseguiu bater o piloto da Ferrari.
Até aqui tudo bem, seria muito criticável uma atitude dessas.
De maneira nenhuma acho que Verstappen devesse ter feito uma coisa dessas.
Mas se quisesse mesmo ajudar Sergio Pérez era a única maneira, deixar-se ficar para trás, deixá-lo passar e controlar o Leclerc. Era feio, mas eficaz. Tal como foi feio e eficaz o que fez Sergio Pérez o ano passado nesta mesma pista.
Mas ainda bem que Verstappen não o fez. Ainda bem que nem sequer foi colocada a hipótese.
Mas não foi muito diferente o que fez Sergio Pérez por Verstappen ao travar Lewis Hamilton há um ano, sustendo-o quase oito segundos em duas voltas. Isso acabou por não ter influência no desfecho, ambos lutavam por posições diretas, mas toda a gente percebeu bem o que estava ali a acontecer.
“Checo é uma lenda”, disse Verstappen no final.
Quando foi questionado se houve instrução da equipa para suster Leclerc, Verstappen disse que não e acrescentou “poderia bloqueá-lo, mas seria uma corrida justa?”
Não teria sido a maneira mais agradável de acabar a época, disse Verstappen.
Concordamos em absoluto, mas o ano passado gostou, naturalmente. E até acabou por nem precisar isso. Não fez diferença.
Já se falou demais do que se passou o ano passado, como disse logo na altura, o título de 2021 tinha ficado bem entregue a qualquer um dos dois, e foi entregue a Verstappen direito, por linhas tortas, mas quis o destino que, depois do que fez no Brasil, em não permitir que Perez fosse buscar mais uns pontinhos, que se calhar lhe tinham feito um jeitão hoje, Verstappen disse que não seria justo bloquear um adversário para beneficiar o colega de equipa. E tem toda a razão.
Mas há um ano foi o que o seu colega de equipa fez em seu benefício. Mesmo com todas as diferenças no contexto, o que estava em jogo, luta direta por posição, foi o que fez…
Na verdade, não foi hoje que Verstappen errou. Foi há uma semana, mesmo tendo assegurado que havia uma explicação, mas que não revelava qual era essa explicação.
O que fica para a história, são 15 vitórias numa época e na verdade até acho isso bem mais importante do que um segundo lugar no campeonato…












