Ontem tivemos a oportunidade de ver a primeira Corrida Sprint, que definiu a grelha para a prova de hoje e ficamos com as primeiras impressões do que pode ser este novo formato.
Com três dias recheados de ação, esta nova fórmula certamente agradará aos responsáveis e até aos fãs, com três dias movimentados e com pontos de interesses distintos mas, pessoalmente, acredito que é preciso repensar este conceito. Se é verdade que no geral esta primeira experiência pode ser considerada positiva, há pormenores que considero não serem os melhores para a F1.
O grande problema passa pela desvalorização da qualificação. A qualificação é um dos momentos altos do fim de semana, em que vemos os pilotos a dar o máximo, sem gestão nem estratégias. A qualificação permite ver qual as máquinas mais rápidas, quais os pilotos mais rápidos e qual a verdadeira velocidade destas máquinas. Tivemos uma sessão de qualificação na sexta feira, mas fica a clara sensação que a fantástica volta de Lewis Hamilton ficará esquecida pois na verdade quem conseguiu a pole foi Max Verstappen. Seria um sacrilégio esquecermo-nos de algumas voltas que ficaram para a história do desporto, porque a sua relevância no fim de semana é menor.
Outro dos problemas que surge com este formato é ver pilotos como Carlos Sainz e George Russell, que se tocaram numa luta normal nas corridas e que por causa disso largam “fora de posição”. Mais, o trabalho espantoso de Russell na qualificação esfuma-se com uma penalização. E isso é, para mim, um fator negativo para as corridas de qualificação. Se por um lado dá-nos mais emoção e imprevisibilidade, não acredito que seja este tipo de imprevisibilidade que os fãs apreciam e valorizam.
Pessoalmente, gostava de ver a qualificação com o mesmo peso e a mesma relevância, em todas as provas. Mas é verdade que este conceito de corridas sprint pode ser emocionante e vimos pilotos a tirarem partido dela como Fernando Alonso, talvez a maior estrela de sábado. O formato poderia ser repensado de forma a manter a qualificação como um dos pontos altos do fim de semana, mas a introdução das corridas Sprint pode ser positiva.
A sexta deve-se manter com dois treinos de uma hora em que as equipas testam soluções e até podem dar algum tempo a jovens pilotos, um dia útil para as equipas, mas que não pode forçosamente ter uma audiência significativa pois a grande maioria das pessoas trabalha. Na qualificação, a única coisa que mudaria seria a introdução de uma Q4 em que os cinco primeiros teriam direito a uma volta com pista limpa, como faz o WTCR ou a Fórmula E. Assim a qualificação não mudaria muito e seria apenas uma adição fácil de introduzir, que poderá agradar à grande maioria. Mas a qualificação deve ser sempre o ponto alto de Sábado.
A meu ver, as corridas Sprint poderiam ser introduzidas de forma espaçada durante a época, como corrida extra e uma oportunidade para marcar mais pontos. Talvez quatro ou cinco sprints por época, com uma mecânica diferente.
Este fim de semana está a ser uma excelente experiência e muita coisa positiva se pode retirar do que vimos. Mas mantenho que a qualificação é parte fundamental do espetáculo que não pode de forma nenhuma ser encostada. Tirando isso, as corridas sprint mostraram potencial para serem uma adição interessante, desde que usada com moderação.








