F1: Deixem a qualificação em paz!

Por a 24 Setembro 2019 11:00

A F1 continua à procura de novas soluções para melhorar o espectáculo e pretende testar novos formatos de qualificação em determinados fins de semana da próxima época.

A vontade de mudar a qualificação, provavelmente a parte do fim de semana que menos alterações precisa, continua e as ideias também continuam a ser atiradas para o ar, numa espécie de leilão, ao estilo do regresso dos reabastecimentos, ideia condenada logo à partida. A reacção de Sebastian Vettel à ideia de grelhas invertidas foi a única possível: “é uma estupidez”.

Ross Brawn admitiu que o formato actual é bom, mas pretende testar novas soluções em 2020, para preparar o futuro:

Nos últimos dias, li várias declarações de pilotos e especialistas sobre ideias para tornar o formato do fim de semana de corrida mais espectacular ”, disse Brawn em comunicado divulgado pela Fórmula 1.

“Para tentar esclarecer a situação e evitar mal-entendidos, há discussões sobre a possibilidade de experimentar, em 2020, mudanças no formato de qualificação com o objectivo de tornar o fim de semana do Grande Prémio um pouco menos previsível.”

“Quero enfatizar a palavra “experimentar” porque é disso que se trata – uma pequena amostra para estabelecer direcções para o futuro. Todos sabemos que o actual formato de qualificação é empolgante e espectacular, mas o importante também é garantir que a corrida, o destaque do fim de semana, seja a melhor possível.”

“E, já que, não importa quantas simulações se execute, não há medida mais precisa do que o que se obtém em pista, a Fórmula 1, as equipas e a FIA estão a estudar a possibilidade de um formato revisto para um pequeno número de eventos para a próxima temporada. Com regulamentos desportivos e técnicos estáveis ​​em vigor para 2020, é o momento perfeito para essas avaliações. ”

“Nenhuma decisão foi tomada ainda porque estamos a finalizar todos os detalhes, mas os feedbacks recebidos até agora são, na maioria, positivos.

“Entendo que os puristas possam estar preocupados, mas não devemos ter medo de fazer um teste, caso contrário não podemos progredir. Não queremos mudanças por uma questão de mudança; queremos melhorar nosso desporto, porque, assim como o desenvolvimento dos carros, se ficarmos parados, corremos o risco de cair para trás. ”

Deixem a qualificação em paz!

Numa nota mais pessoal, esta história das qualificação já chateia. Não se trata de ser contra a mudança, mas sim defender algo de único que é um formato que se mantém ao longo de décadas e que permite uma ponte fascinante entre o presente e passado. A qualificação já teve vários formatos é certo, mas no final da qualificação sabemos que o piloto que ficou em primeiro é o mais rápido. Por isso é que o número de poles pode definir a carreira de um piloto. E não podemos tentar encontrar soluções para tornar a corrida melhor na qualificação, pois parece ser essa a vontade. A qualificação serve para encontrar o homem mais rápido que, por conseguinte, ganha o direito a sair da frente do pelotão. Simples e eficaz.

A ideia da corrida de qualificação é também pouco agradável… Quem passa a ser o grande vencedor do fim de semana? O piloto que ganhou a fantástica corrida de qualificação ou o piloto que ganhou uma corrida principal mais monótona? Duas corridas tiram o ênfase aos pilotos que sobem ao pódio. E ao fazer corridas de qualificação quase de certeza que a distância de corrida da prova principal irá diminuir. E a F1 é única pois não é uma corrida sprint nem é uma corrida de endurance. Está num terreno só da F1… 300km, uma hora e meia de prova. É verdade que os fãs não têm vontade de ficarem tanto tempo à frente da TV, mas há desportos que duram 90 minutos e que não ponderam mudar para os fãs poderem ter mais tempo nas redes sociais. E os fãs muitas vezes querem certas mudanças e quando os responsáveis as fazem, os interesse dilui-se e o desporto perde a sua identidade. A vontade do público em geral deve ser ouvida mas não pode ser palavra de ordem, e o bom senso tem de reinar.

A única mudança que me parece construtiva é dar uma Q4 aos cinco melhores pilotos, em que cada um tem direito a uma volta limpa, sem trânsito, à moda do WTCR. Temos o melhor da qualificação actual e os melhores tinham a responsabilidade de mostrar o seu talento perante os olhos do mundo, com ainda mais pressão. Claro que os carros mais rápidos estariam na frente… mas não é isso que é uma qualificação? Se são sempre os mesmos, há problemas a resolver noutros campos sem ser a qualificação. Não se trata de ser contra a mudança (que até pode ser positiva), mas sim contra a inclinação de mudar radicalmente, quando há raízes que são fundamentais manter. Trata-se de ser contra uma operação de cosmética para disfarçar possíveis falhas do futuro. Trata-se de defender este exercício tão difícil de manter a tradição ao mesmo tempo que se evolui a uma velocidade estonteante. Não é nada fácil… e por isso é F1.

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