Mais um “tiro no pé”! É assim que entendo o que hoje foi anunciado pelos organizadores do GP da Bélgica. Arrastaram uma situação incómoda em vários aspetos, inclusive no domínio desportivo, para chegarem a uma conclusão que os deveria embaraçar: compensar os detentores de bilhetes de domingo com um sorteio para 170 lugares nas bancadas, a possibilidade de um evento particular durante o GP de 2022 – se as regras sanitárias o permitirem – e um ano “à borla” na aplicação F1TV. Total desrespeito pelos que pagaram para assistir a uma corrida que na prática não existiu. Uma esmola para abafar o caso… 75.000 espetadores e um sorteio para compensar 170?
Um espectador desse dia, em declarações à RTL.be, disse: “paguei 900 euros por uma farsa de GP e eles estão a oferecer-me uma competição para ganhar bilhetes”. Outro espetador disse ainda: “Esta resposta é totalmente escandalosa! Para um Grande Prémio que não teve lugar, mas o dinheiro para os bilhetes foi aceite, um parque de estacionamento de 16 euros que se revelou ser um campo de lama a 40 minutos a pé do circuito. Uma centena de lugares para milhares de espectadores que não foram reembolsados! É simplesmente escandaloso”. E é! Este é o sentimento que deve imperar sobre quem foi a Spa-Francorchamps naquele dia.
A Fórmula 1 também fica mal na fotografia, já que podia, e devia, fazer muito mais, mas esta decisão vai de encontro à proposta de “fazer alguma coisa” prometida na altura, não do “fazer o correto”. Isto um dia depois de Stefano Domenicali dizer que “A F1 oferece ideias cada vez mais interessantes”. Talvez, mas no ano em que, segundo o mesmo responsável pelos direitos comerciais da competição, a F1 teve “um público mundial de 2 mil milhões de pessoas”. Esqueceram-se das que assistiram in loco.
Ainda não sabemos o que decide a FIA, que poucos dias depois, através do presidente Jean Todt, anunciaram que se estudaria o caso e o que deveria ser alterado. Desportivamente, já não faz nada, mas que exemplo podemos esperar se esta situação se repete? Uma coisa é certa, a compensação é pouco compensatória.
Empurra-se com a barriga e espera-se pelo melhor…













