A disputa em torno da taxa de compressão dos motores para a Fórmula 1 de 2026 entrou numa fase paradoxal: os principais rivais da Mercedes ponderam agora chumbar a proposta que eles próprios impulsionaram para apertar o controlo técnico sobre a marca alemã. O plano do Comité Consultivo das Unidades de Potência (PUAC) previa a introdução de um duplo teste – “a frio” e “a quente” – para verificar o cumprimento do limite de 16:1, mas pode não alcançar a maioria qualificada necessária entre os cinco fabricantes.
Vários construtores defendiam inicialmente um teste apenas “a quente”, de forma a explorar o regime acima de 16:1 quando o motor está frio e deixá-lo cair para o valor regulamentar em funcionamento. Porém, a adoção de medições em ambos os cenários passaria a aplicar contra esses mesmos fabricantes a cláusula de “conformidade em todos os momentos” que fora usada para questionar a Mercedes.
Rivalidade técnica e risco de tiro pela culatra
Na prática, a nova metodologia acabaria por neutralizar a margem de manobra que Ferrari, Honda, Red Bull e Audi pretendiam preservar para os seus próprios projetos, abrindo a possibilidade de verem limitada a evolução de potência que procuravam. A ironia é que, em vez de restringir a Mercedes, a medida poderia nivelar o jogo de forma menos vantajosa para quem lançou o debate.
Contexto técnico e próximos passos
Os motores atuais tendem a perder taxa de compressão com o aumento da temperatura, cenário do qual a Mercedes aparenta ser a exceção. O procedimento proposto inclui desmontar as cabeças dos cilindros e aquecer o conjunto até cerca de 130 °C para aferir o valor efetivo. A votação, a realizar nos próximos dias, determinará se esta abordagem segue para aprovação final pela FIA.
FOTO Phillippe Nanchino/MPSA












