Max Verstappen voltou a colocar em causa a longevidade da sua carreira na Fórmula 1, admitindo que está “mais perto do fim” do que do início e sublinhando que as atuais regras não ajudam a prolongar a sua permanência na disciplina. Em entrevista no podcast Up To Speed, durante os testes no Bahrein, o quatro vezes campeão mundial classificou o RB22 como o seu “carro menos favorito” na Red Bull e reforçou que já consegue “deixar a F1 para trás facilmente”, dando prioridade futura à família e a outros projetos pessoais.
Críticas às novas regras de 2026
A Liberty Media bem pode estar ‘aflita’ com as críticas, mas Max Verstappen faz fora de pista o mesmo que lá dentro: acelera a fundo e tem sido um dos críticos mais duros do novo regulamento técnico de 2026, que introduz uma divisão aproximada de 55/45 entre motor de combustão interna e potência elétrica e uma aerodinâmica ativa com modos X e Z para retas e curvas. O neerlandês considera que os monolugares atuais são “pouca F1”. O seu descontentamento baseia-se em três pilares principais:
- “Fórmula E com Esteroides”
Esta é a frase que mais tem circulado no paddock. Verstappen sente que o equilíbrio de 45% de energia elétrica nos novos motores de 2026 descaracterizou a categoria. Para ele, a necessidade de “levantar o pé” no meio das retas para recarregar as baterias (o chamado lift-and-coast) retira a essência do ataque máximo. Ele afirmou abertamente que a F1 deveria ser sobre potência pura e não sobre gestão extrema de energia. - Complexidade e “anti-racing”
Max descreveu o novo regulamento como “anti-racing”. Ele critica o facto de os pilotos terem de se comportar quase como engenheiros dentro do cockpit, gerindo mapas de energia e botões constantes, em vez de se focarem apenas em levar o carro aos limites. Como ele bem gosta: “Se o foco for apenas eficiência de energia, talvez seja melhor correr na Fórmula E de uma vez”, desabafou recentemente no Bahrein. - Fator ‘diversão’ vs. contrato
Embora tenha contrato com a Red Bull até 2028, Verstappen tem deixado claro que se deixar de se divertir ao volante, não terá problemas em sair prematuramente, até porque tem alternativas fora da F1. Vertappen tem demonstrado interesse crescente noutras categorias, como o WEC (Le Mans) e corridas de GT3, onde a condução é mais “analógica” e purista. Por tudo isto, admite que existe a possibilidade real de parar antes de 2029 se as regras tornarem a pilotagem “artificial” ou “chata”.
O CEO da F1, Stefano Domenicali, tem tentado acalmar os ânimos, sugerindo que os pilotos sempre reclamaram de mudanças drásticas no início, mas Verstappen mantém-se irredutível: para ele, a F1 está a perder a sua identidade de ser a categoria mais rápida e ‘bruta’ do mundo.
FOTO Getty Images Red Bull Content Pool











