Numa altura em que se fala insistentemente num regresso de Robert Kubica à F1, parece que o polaco tem como que uma história por terminar na F1. Na retina ficam a forma espetacular como tripulava monolugares que raramente eram os mais competitivos do pelotão. Só esteve na disciplina máxima quatro temporadas – entre 2006 e 2009 e servindo a Sauber BMW e a Renault. Esta última a equipa à qual voltou a estar ligado este ano, realizando testes para um possível regresso. Essa curta carreira contribui em grande medida para que se considere que Kubica tem um assunto por encerrar na F1, pois 76 Grandes Prémios, uma vitória, 12 pódios e uma ‘pole-position’ parece muito pouco para um piloto da sua dimensão.
Kubica fica também na retina pelo monumental acidente que sofreu no Canadá, embora faça mais ‘tabu’ sobre aquele que sofreu nos ralis (Andorra) e que implicou a sua retirada das pistas, e que quase implicou a amputação da mão direita. Mas a carreira do polaco teve momentos que nunca se esquecem, como a forma como chegou à F1, no Grande Prémio da Hugria de 2006, para substituir Jacques Villeneuve, tornando-se no primeiro piloto do seu país a competir na disciplina. Desde logo Robert suplantou o seu companheiro de equipa da altura, Nick Heidfeld, na qualificação e foi sétimo na corrida, graças a uma ultrapassagem e Felipe Massa na última volta. Infelizmente essa não seria a primeira vez que pontuou, já que irregularidades no BMW Sauber assim o ditaram. Mas ficava a noção do que seria capaz, e ao cabo de três corridas, em pleno circuito de Monza Kubica subiu ao pódio, surpreendendo mesmo um certo Michael Schumacher. Ainda para mais o polaco chegou a liderar a prova aquando das paragens nas boxes, onde não se intimidou nada com Fernando Alonso, lutando roda com roda com o espanhol. Nessa altura Kubica ‘agarrou’ a titularidade.
O pior momento da carreira de Robert Kubica pareceu ser o Grande Prémio do Canadá de 2007, quando o sue BMW Sauber ‘voou’, depois de ter colidido com o Toyota de Jarno Trulli antes do famoso ‘gancho’ de Montreal, embatendo violentamente nas barreiras de proteção a cerca de 240 km/h. O piloto polaco foi transportado para o hospital para observação mas só falhou a corrida seguinte, regressando logo na prova de França. Depois viram alguns duelos interessantes, como o que teve à chuva com Felipe Massa em Fuji. Kubica foi sétimo atrás do brasileiro. Mas a grande tentativa para vencer veio na época seguinte, no Mónaco, quando face ao mesmo Massa assumiu a liderança, perdida depois para Lewis Hamilton, após uma situação de ‘safety-car’. Ironicamente seria no local do susto, o Canadá, onde o polaco conquistaria o seu primeiro triunfo, onde conseguiu deixar para trás Nick Heidfeld e também um desentendimento entre Hamilton e Kimi Raikkonen para chegar ao lugar mais alto do pódio. Depois houve duelos como aquele que teve com Jenson Button em Valência em 2010, com uma ultrapassagem soberba ao britânico da McLaren. Ou em Singapura, no mesmo ano, em que fez uma sensacional recuperação, antes daquele que seria o seu último grande resultado, em Spa-Francorchamps, prova em que subiu ao pódio, fazendo os possíveis e os impossíveis aos comandos do Renault para evitar a ultrapassagem de Button no McLaren, conseguindo terminar em terceiro. Um dos bons resultados da temporada, a que somou um segundo na Austrália e outro terceiro no Mónaco.










