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F1, Valtteri Bottas: O balanço da sua passagem pela Mercedes

Fábio Mendes by Fábio Mendes
6 Setembro, 2021
in F1, FÓRMULA 1
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2021 marcará o fim de uma era na F1 e o fim de vários capítulos para alguns pilotos. Valtteri Bottas, um dos nomes mais falados nesta Silly Season já tem destino traçado.

O finlandês não renovou com a Mercedes e assim chegará ao fim uma ligação de cinco anos. Pela frente tem um novo desafio, com a Alfa Romeo a acolher o #77, na que poderá ser a última equipa do piloto na F1.

Bottas nunca foi uma personagem muito acarinhada na F1 e a sua postura tipicamente nórdica não terá ajudado, mas como nunca foi “tão nórdico” quanto Kimi Raikkonen, ficou num meio termo que despertou poucas paixões. Mas não foi graças à sua postura que Bottas encontrou o seu caminho para a F1, mas sim graças ao seu talento. Frank Williams não precisou de muito para ficar convencido das capacidades de Bottas e em 2010 passou a ser piloto de testes da equipa. O seu currículo até então era impressionante e de 2007 a 2011 nunca terminou abaixo do terceiro lugar nas competições que fez a tempo inteiro. Depois do título de GP3 passou a trabalhar de forma ainda mais próxima com a Williams e em 2013 finalmente surgiu a estreia.

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A partir daí a história é conhecida. Bottas foi aos poucos convencendo, não sendo muito exuberante em pista, mas conseguindo bons resultados para a Williams especialmente nas épocas 2014 e 2015, quando a estrutura de Grove conseguiu voltar aos bons resultados, uma situação que, infelizmente, se revelou temporária. Mas Bottas tornou-se num valor seguro na F1, com nove pódios de 2014 a 2016, de tal forma que foi o piloto escolhido pela Mercedes para substituir Nico Rosberg. Toto Wolff conhecia Bottas e entendeu que poderia ser o homem ideal para entrar numa equipa que precisava de paz, depois de três épocas em que o ambiente se tornou cada vez mais pesado, com a luta interna entre Rosberg e Lewis Hamilton a atingir proporções pouco saudáveis.

A entrada de Bottas mostrava uma mudança de filosofia e o finlandês seria sempre visto como o número dois, alguém que fizesse jogo de equipa com Hamilton, a estrela da companhia. Mas Bottas certamente tinha outras ideias em mente e sabia que se mostrasse o seu valor poderia convencer a Mercedes que podia ser mais do que apenas um fiel escudeiro. Infelizmente Bottas nunca mostrou isso.

Bottas tem, neste momento, nove vitórias na sua carreira, 63 pódios e 17 poles, números interessantes mas que ficam aquém do poderiam ter sido. No mesmo período Hamilton conquistou 45 vitórias, 32 poles, 70 pódios e quatro títulos. O domínio de Hamilton foi avassalador e mesmo com uma máquina igual, Bottas nunca conseguiu realmente impor-se como uma ameaça ao britânico. E, infelizmente, terá sempre essa pedra no sapato. Bottas é um piloto rápido, mas como nunca foi capaz de conseguir ser uma ameaça constante a Hamilton ficará sempre como o rótulo de nº2 que fez sempre o que a equipa pediu, talvez porque nunca apresentou argumentos para tal. Teve uma oportunidade de ouro para ser campeão mas desperdiçou-a, muito por culpa da sua irregularidade, que o impediu de fazer épocas completas ao mesmo nível. Faltou a Bottas o que Rosberg mostrou em 2015 e 2016… uma sede inabalável de vitórias que levou o alemão a dedicar-se de corpo e alma. Bottas talvez não tenha a mesma resiliência ou o mesmo método de Rosberg mas a diferença nos resultados está à vista. Terá faltado também a confiança a 100% da equipa que foi propondo contratos de um ano apenas, com Bottas a estar todos os anos no centro da discussão, com a sua saída a ser frequentemente discutida e questionada. 

A Mercedes precisava de começar a construir o futuro e depois de cinco anos, estava claro que Bottas não era o piloto ideal para isso, pela idade e pelas prestações de George Russell. Com a saída de Bottas, a Mercedes perdem em estabilidade, perde um elemento que, apesar de algum desconforto no início da época, entende que tem de colocar a equipa em primeiro lugar, perde um piloto rápido e que garante muitos pontos ao fim do ano, além de promover um bom ambiente na equipa.

Quem lucra é a Alfa Romeo, que depois da reforma de Kimi Raikkonen, terá um piloto experiente, que pode guiar a equipa e com vontade de calar alguns críticos. Além disso, chega com o conhecimento da realidade da Mercedes o que pode servir para melhorar a equipa. É uma excelente aposta por parte da Alfa Romeo que garante uma das melhores opções da atualidade, podendo pensar a médio prazo e encarar a nova era com um piloto de créditos firmados que pode trazer muito.

Para Bottas o balanço da passagem pela Mercedes pode ser encarado de forma positiva, mas o facto de não ter conseguido ser um verdadeiro candidato ao título será sempre uma mancha no currículo do finlandês e que inevitavelmente irá sempre esconder os positivos da sua passagem pelos Flechas de Prata, onde teve um papel crucial na conquista de quatro títulos mundiais. Havia alguma suspeitas de que poderia abandonar a F1 e dedicar-se a outro tipo de atividades e os ralis pareciam ser uma opção viável para o piloto. Mas a permanência de Bottas na F1 mostra que ainda tem algo a provar e que pretende manter-se na competição, agora que esta nova era se aproxima. A sua permanência é boa para a F1.

Fábio Mendes

Fábio Mendes

Em 2013 criei um blog com um grupo de amigos, que me abriu as portas para o fantástico mundo do motorsport e do AutoSport, onde escrevo desde 2017.

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