A Mercedes tem estado no centro das atenções neste arranque de temporada e talvez por isso Toto Wolff reagiu com irritação às dúvidas levantadas sobre a homologação do combustível sustentável da Petronas para a nova temporada de Fórmula 1. O responsável da Mercedes considera tratar-se de mais uma polémica infundada, numa altura em que também decorre a discussão sobre a taxa de compressão dos motores.
Surgiu a hipótese de o fornecedor não obter certificação a tempo do arranque do campeonato, o que obrigaria Mercedes, McLaren, Williams e Alpine a utilizarem provisoriamente um combustível alternativo. A questão aparece depois da controvérsia em torno do motor desenvolvido pela Mercedes HPP, que em determinadas condições térmicas poderia atingir uma taxa de compressão de 18:1 — acima do limite de 16:1 — embora dentro dos parâmetros quando medido à temperatura ambiente, conforme estipulam as regras atuais.
Durante uma reunião do comité de unidades motrizes no Bahrain foi proposta uma alteração: a partir de 1 de agosto de 2026, a verificação passará também a ser feita a uma temperatura representativa de funcionamento de 130 °C. Ainda assim, a equipa alemã não prevê impacto relevante no desempenho.
Toto Wolff afirmou na conferência de chefes de equipa no Bahrein:
“Primeiro disseram que a taxa de compressão era ilegal, o que é um disparate completo, e agora surge outra história a dizer que o nosso combustível é ilegal. Não sei de onde vem isto, mas começa novamente a circular. Isto é outro absurdo, é um tema complexo e todo o processo também, mas nem consigo comentar.“
Sobre a possível alteração regulamentar, acrescentou:
“Para mim funciona das duas maneiras. Ou ficamos com os regulamentos actuais ou avança a proposta da FIA. Sempre achei que isto era uma tempestade num copo de água. Os números explicam porque alguém poderia querer lutar contra isto, mas no fim não vale a pena. Não muda nada para nós, queremos ser bons participantes no desporto, mesmo que possamos discordar filosoficamente. Estávamos confortáveis em apresentar um protesto em Melbourne, mas é isso que realmente queremos perante a pressão dos outros fabricantes?“
Quanto à questão da taxa de compressão Wolff comentou:
“Sempre dissemos que tudo isto parecia uma tempestade num copo de água. Se os números que foram surgindo fossem verdadeiros, perceberíamos perfeitamente porque é que alguém iria contestar. Mas, no final de contas, não vale a pena a luta. Para nós, não muda nada, quer continuemos assim ou mudemos para os novos regulamentos, e isso tem sido um processo. Mas também queremos ser bons cidadãos no desporto, porque não faz grande diferença”.











