O primeiro ano com o limite orçamental deu-nos um campeonato renhido, competitivo e emocionante. Não terá sido por causa do limite orçamental que tivemos um campeonato épico, mas segundo Ross Brawn, foi um dos fatores que ajudou ao espetáculo.
Com o limite orçamental, as equipas grandes deixam de poder despejar rios de dinheiro no projeto da época, apenas para recuperar o que perdeu ao nível da performance. A médio prazo fará com que as equipas tenham performances equiparadas e que as equipas grandes não sejam beneficiadas pelo seu maior poderio financeiro. Este ano, segundo Brawn vimos os primeiros efeitos da medida, com a Mercedes a não poder investir sobremaneira no carro deste ano, motivando uma luta equilibrada:
“O limite orçamental é uma mudança muito fundamental na Fórmula 1”, disse Brawn numa entrevista com o The New York Times. “Impede as equipas ricas de continuarem a atirar recursos a um desafio. Têm de trabalhar com recursos limitados que podem pagar em torno do limite. Com o limite que temos agora, há provavelmente quatro ou cinco equipas que estão à altura do desafio. Como isso é reduzido, haverá mais equipas. Penso que a maioria das equipas da Fórmula 1, dentro do próximo ano ou dois, estarão a trabalhar no limites colocado, o que significa que todos terão os mesmos recursos. Este é um ponto muito importante.”
“Uma das razões pelas quais [o campeonato do ano passado] se manteve tão renhido foi que as equipas não tinham os recursos para melhorar como no ano passado. Foi o primeiro ano em que aplicámos o limite e a Mercedes e a Red Bull não conseguiram investir mais. Não lhes foi permitido. Por isso, o campeonato permaneceu renhido durante toda a época. Não tínhamos uma equipa a fugir porque usaram recursos maciços para melhorar”.
“Dissemos: ‘É um orçamento substancial para competir na Fórmula 1, mas vamos limitá-lo. Não se pode continuar a gastar tanto. Isso traz um campeonato mais próximo, uma competição mais próxima. Também se fez muito com os regulamentos, pneus, rodas, outros aspetos do carro para trazer uma competição mais próxima no futuro, mas ainda tendo uma meritocracia. Ainda queremos a melhor equipa e o melhor carro a vencer, e o melhor piloto, claro. Mas não queremos que eles fujam e se escondam, por isso estou muito otimista para o futuro”.










