Um dos responsáveis técnicos da Red Bull disse ter ficado surpreendido pelo vantagem competitiva do carro construído em Milton Keynes comparativamente aos Ferrari e Mercedes, explicando que o RB19 não era o melhor em tudo, mas que o bom trabalho da Red Bull tinha resultado num carro que era “medianamente bom em tudo”.
O autor de tais comentários foi Pierre Waché, que fez questão de sublinhar que as expectativas da sua equipa era que Mercedes e Ferrari tivessem iniciado a temporada muito fortes. O técnico da Red Bull reparou que “se algumas equipas conseguem, em três corridas, ganhar um segundo por volta, isso significa que, se juntarmos o tudo, o resultado será decente. Não são necessários dois anos de desenvolvimento”.
Declarações que dão conta do melhor desempenho da McLaren em poucas corridas, depois da introdução com sucesso das atualizações ao MCL60, e do que parece ser um trabalho menos bem conseguido por Mercedes e Ferrari. Neste particular, parece que os italianos ainda estão um pouco mais atrasados. No entanto, são também declarações que parecem querer desviar as atenções do excelente trabalho desenvolvido pela sua própria equipa, algo que vai de encontro ao discurso de Christian Horner sobre a possibilidade da Red Bull perder vantagem na segunda metade da temporada, quando sentirem mais o efeito da sanção da FIA, na redução do tempo disponível de túnel de vento e simulações em CFD.
Ainda assim, importa analisar que a grande vantagem do RB19 se encontra no seu fundo. Com o atual regulamento técnico, cerca de 80% da performance aerodinâmica do efeito solo é atribuída ao fundo. A Red Bull utilizou o carro do ano passado, já com reconhecidos méritos, para o melhorar e apresentar o RB19, com um fundo muito mais trabalhado do que os seus adversários, logo desde o início da temporada.
Enquanto Mercedes e Ferrari começaram o novo ciclo regulamentar com dificuldades e alguns ‘tiros’ ao lado, a Red Bull entrou melhor, lucrou em 2022 e alicerçou o domínio que verificamos neste momento da atual época. Além do fundo, a Red Bull conseguiu utilizar uma asa traseira de perfil mais largo juntamente com ‘beamwing’ muito mais pequena como um único elemento, ao contrário de outras equipas que as utilizam como duas asas diferentes. Isto ajudou a estabilizar a traseira do carro, uma vez que aumenta o nível de ‘downforce’.
São soluções que funcionam em conjunto, já pensadas com antecedência e herdadas pelo bom trabalho feito no carro de 2022. Ao contrário de Mercedes e Ferrari.
Ambas as equipas tentaram desenvolver os seus conceitos de 2022, sem muito sucesso. Enquanto a Mercedes quase recomeçou do zero, a Ferrari manteve a esperança de conseguir resolver os seus problemas. Copiar as soluções da Red Bull também não funcionaria, porque no fundo, os conceitos dos monolugares, desde inicio, eram diferentes.
A Aston Martin riscou o que tinha feito para 2022 e surgiu em 2023 com o segundo carro mais performante. E a McLaren fez quase o mesmo com as atualizações introduzidas no atual MCL60, assim como a Mercedes apontou noutra direção.
A Red Bull ‘acertou’ à primeira com os novos regulamentos e no segundo ano deste ciclo apresentou um carro nada mediano. E mesmo que o fosse, Max Verstappen continuaria a fazer a diferença.
Foto: Mark Thompson/Getty Images/Red Bull Content Pool










