A Racing Bulls, equipa irmã da Red Bull, fechou 2025 no sexto lugar do Mundial de Construtores – o seu melhor resultado conjunto – e entra na temporada de 2026 com ambições renovadas. Com Liam Lawson como referência experiente e o britânico Arvid Lindblad como único estreante da grelha, a formação procura consolidar a evolução competitiva evidenciada na época passada, num contexto de alterações técnicas radicais na Fórmula 1.

Liam Lawson: consolidação após turbulência
Liam Lawson inicia a sua segunda época completa na Fórmula 1 aos comandos da Racing Bulls, depois de um 2025 marcado por altos e baixos. O neozelandês começou o ano como companheiro de Max Verstappen na Red Bull principal, mas regressou à equipa satélite após apenas duas corridas, numa troca com Yuki Tsunoda. Posteriormente, somou o melhor resultado de quinto lugar no Azerbaijão e 44 pontos em 35 corridas, assegurando a continuidade no projeto.
Arvid Lindblad: recorde mundial aos 17 anos
A principal novidade é Arvid Lindblad, de 18 anos, promovido da Fórmula 2 para a Fórmula 1. Integrante do Red Bull Junior Team desde 2022, o britânico terminou quarto no campeonato de F3 em 2024 e tornou-se, em 2025, o vencedor mais jovem de sempre na F2, aos 17 anos, na sua época de estreia. Lindblad será o único estreante da grelha de 2026 e terá como missão rápida adaptação ao nível da Fórmula 1.

Balanço de 2025: sexto lugar com momentos de brilho
A Racing Bulls destacou-se em 2025 com resultados pontuais de elevado nível, incluindo o primeiro pódio de Isack Hadjar no Grande Prémio dos Países Baixos – o que valeu boa parte da decisão da sua promoção à Red Bull Racing. Apesar da inexperiência revelada em alguns momentos, a equipa logrou o sexto lugar final no campeonato de construtores, empatando o seu melhor registo histórico, conquistado em 2008, 2019 e 2021.
O ano ficou marcado por movimentações de pessoal significativas. Além do “swap” inicial entre Lawson e Tsunoda — que agora é piloto de testes e reserva das duas estruturas Red Bull —, Laurent Mekies deixou o cargo de diretor de equipa para assumir a liderança da Red Bull principal, após a saída de Christian Horner em julho. Alan Permane, diretor desportivo da formação, ascendeu ao posto de chefe de equipa, assumindo pela primeira vez um cargo de liderança máxima na Fórmula 1.
Origens históricas: do Minardi à Toro Rosso
A atual Racing Bulls tem raízes no histórico Minardi, equipa italiana presente na Fórmula 1 entre 1985 e 2005 e que viu Fernando Alonso ali efectuar a sua estreia em 2001. Aquisição tardia por Dietrich Mateschitz, fundador da Red Bull, deu origem à Toro Rosso (Red Bull em italiano), criada para formar jovens talentos. Sebastian Vettel e Max Verstappen iniciaram aí as respetivas carreiras antes da promoção à equipa principal.
O percurso incluiu a pole e vitória de Vettel no GP de Itália de 2008, a mudança para AlphaTauri em 2020 (nome da marca de roupa da Red Bull) e as designações RB (2024) e Racing Bulls (2025). A sede mantém-se em Faenza, Itália, mas os escritórios técnicos britânicos mudaram de Bicester para Milton Keynes, junto à Red Bull.

Maior feito: Monza como palco mágico
O GP de Itália de Monza tem lugar especial na história da equipa. Além da vitória de Vettel em 2008 — primeiro triunfo pós-Minardi —, Pierre Gasly repetiu o feito em 2020 com a AlphaTauri, beneficiando de uma paragem estratégica perfeita, períodos de safety car e penalização a Lewis Hamilton. O francês, que regressara da Red Bull após despromoção, dedicou a vitória à memória do compatriota Anthoine Hubert, falecido em 2019.
Objetivo para 2026: quinto lugar e dominante no meio do pelotão
O objetivo histórico de Franz Tost — diretor de equipa até ao final de 2023 — sempre foi alcançar o quinto lugar no Mundial de Construtores, resultado que a equipa roçou em quatro ocasiões. As novas regulamentações técnicas de 2026 criam um “reset” competitivo, onde a interpretação correta das regras será determinante. Após os “flashes” de competitividade em 2025, a Racing Bulls aponta ao topo do meio do pelotão. Estratégia impecável, execução rigorosa e desenvolvimento dos dois jovens pilotos — Lawson com experiência crescente e Lindblad em fase de aprendizagem acelerada — serão fundamentais para concretizar essa meta num ano de elevada imprevisibilidade técnica.










