F1: Que herança deixa Cyril Abiteboul?

Por a 12 Janeiro 2021 11:35

Cyril Abiteboul anunciou a sua saída da Renault com efeitos imediatos. O francês que guiou os destinos da equipa francesa desde 2016 fica assim surpreendentemente fora do projeto Alpine.

Abiteboul construiu os alicerces do que será agora a Alpine mas que legado deixa o engenheiro francês? O ex diretor de equipa da Caterham surgiu como figura de proa no regresso da marca do losango à F1 em 2016. Os desentendimentos entre os franceses e a Red Bull levaram a que a Renault, de forma a provar a sua valia no Grande Circo, regressasse à competição, voltando a Enstone, casa de uma Lotus já em decadência. Era preciso muito trabalho mas Abiteboul lançou metas ambiciosas para a equipa. Se o primeiro ano pode ser considerado como “ano zero”, com Kevin Magnussen e Jolyon Palmer, em 2017 surge a primeira aposta forte com a contratação de Nico Hulkenberg que ajudou ao crescimento da equipa. Em 2018 Palmer saiu para dar lugar a Carlos Sainz e em 2019 o espanhol cedeu o seu lugar a Daniel Ricciardo. O australiano irá assumir o lugar na McLaren esta época mas a Renault conseguiu fazer regressar Fernando Alonso.

Do lado dos pilotos o trabalho foi bom e a Renault teve sempre bons talentos ao volante das suas máquinas. Mas o problema foi o resto. O discurso de Abiteboul sempre foi ambicioso, com promessas de resultados rápidos. O ciclo passou a ser habitual: muitas promessas no início das épocas, performances abaixo do prometido, e reestruturação no final da época. Esta instabilidade poderá ser o motivo pelo qual Abiteboul sai agora do projeto francês.

A Renault desde cedo assumiu que queria chegar ao top 3 e segundo o plano originalmente delineado, por esta altura a equipa de amarelo deveria ser já uma das três melhores da grelha. Como todos sabem tal não aconteceu. Em 2017 foram sextos com 57 pontos, em 2018 conseguiram o melhor ano até agora com um quarto lugar (122 pontos), mas mesmo esse quarto lugar não teve o mesmo sabor pois resultou das dificuldades da Force India que perdeu os pontos da primeira metade da época, depois do processo de insolvência e da entrada de novos capitais que transformaria a equipa em Racing Point. Em 2019 um ano para esquecer, com a aposta em Daniel Ricciardo a expor as fragilidades do carro francês e em 2020 finalmente performances apreciáveis e pódios, apesar dos primeiros indícios nos testes terem sido algo cinzentos.

Investiu-se muito, nas infraestruturas, na contratação de pessoal para a área técnica, mas a Renault ficou sempre aquém do que se esperava, pois o que se esperava era muito… por causa do discurso de Abiteboul.

A McLaren desde que iniciou o seu processo de reestruturação sempre usou de um discurso cauteloso, mas fez mudanças profundas e definitivas. Nota-se uma estabilidade e um crescimento contínuo alicerçado numa ideia a longo prazo. Zaz Brown foi o primeiro a avisar que as mudanças demorariam a sentir-se. Falou em cinco anos, mas no segundo ano já havia resultados positivos.

Na Renault houve sempre a sensação que se prometeu muito sem cumprir. A relação tensa com a Red Bull expunha por vezes um nervoso Abiteboul, sem a mesma capacidade de retórica que Christian Horner. O balanço do trabalho do francês não pode ser considerado completamente negativo e a Renault está agora melhor do que estava… mas fica no ar a sensação que a ambição desmesurada, e as promessas feitas sem capacidade para serem cumpridas foram o calcanhar de Aquiles do agora ex-diretor da Renault.

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2 Comentários
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no-team
no-team
12 dias atrás

Como diz o artigo, a melhor classificação da Renault após o regresso da equipa à F1 foi em 2018, na altura Nico Hulkenberg era o nº1 da equipa. Pormenores…

RedDevil
RedDevil
11 dias atrás

“Que herança deixa Cyril Abiteboul?”Nenhuma…

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