Chega a ser quase incompreensível como foi permitido a Max Verstappen chegar a este ponto da sua carreira sem que antes lhe tenham feito o que os comissários lhe fizeram no GP do México.
O que sempre ficou claro até aqui, mesmo esquecendo que cada piloto é, foi e sempre será egoísta para dizer que a razão é sempre sua, a verdade é que desta vez as duas sanções impostas a Max Verstappen deixaram claro que o que fez em pista não é admissível.
Não discutimos o facto de Lando Norris ter sido penalizado em Austin, mas discutimos porque Verstappen não foi, quer na primeira curva com Carlos Sainz, quer depois face à sua quota-parte no ‘desaguisado’ com Lando Norris.
Vem de muito longe a tendência de Verstappen para ultrapassar os limites e arriscar incidentes. O neerlandês sempre, ou quase, em qualquer duelo que tem em pista deixa o ónus da decisão, se lá ficam os dois ou não, nos seus adversários. Até hoje, assim de repente, porque deve haver mais, só se deu mal numa situação: Silverstone 2021, com Lewis Hamilton.
Em muitas outras, ou foi sempre o seu adversário a tirar pé, ou o neerlandês teve a ‘simpatia’ dos Comissários. Desta vez não.
Se achamos que agora vai-se portar de forma diferente em pista? Temos dúvidas.
Depois de Austin, o México acrescentou mais dois confrontos polémicos entre Max Verstappen e Lando Norris, e depois de Norris ter sido penalizado em Austin, desta vez foi Verstappen, e logo a dobrar.
Poucos duvidam que desta vez Max Verstappen foi longe demais. O problema é que não foi só desta vez.
Já o faz há muito, e até aqui sempre se ‘safou’.
Verstappen disse recentemente que estranha se estar a falar tanto dos ‘guidelines’, porque sempre os usou nos limites. É verdade, mas também é verdade que muitas vezes ‘alargou’ esses limites e ‘safou-se’ com isso.
Lewis Hamilton já o diz há muito, embora seja também verdade que todos os pilotos de F1 não podem dizer que nunca fizeram o mesmo a outros. Fazem-no é muito menos vezes que Verstappen.
Sem dúvida que temos muita gente que acha que Verstappen fica dentro dos limites, outros tantos que passa a vida a esticá-los.
Na verdade nunca lhe tinha acontecido ser penalizado da forma que o foi no México.
E a sensação que fica é que os comissários deram um murro na mesa.
Talvez porque se o primeiro incidente deixou margem para discussão sobre quem seria o culpado ou mais culpado, o segundo, mostrou-nos um piloto completamente descontrolado.
E Max Verstappen não o fez por erro, mau julgamento, mas sim uma reação para lá de excessiva, para não falar desesperada. E o que fez na segunda situação deixou claro o que muitos se queixam há demasiado tempo.
Será que Verstappen vai aligeirar a sua pilotagem? Talvez queira andar ‘abaixo do radar’ alguns tempos, mas se as coisas apertarem para o seu lado em termos de contas, não duvidamos nada que o habitual Verstappen volta a surgir.
Há muito que os adversários de Verstappen sabem que ele vai ‘atirar o carro lá para dentro’ e ver no que dá, e essa é uma vantagem psicológica que sempre teve sobre os seus adversários.
Será que vai continuar a tê-la?
O que não duvidamos é que o seu estilo de pilotagem agressivo se irá manter sempre, nunca diríamos que é um piloto ‘sujo’, mas que é inclemente, ninguém duvide. Claro que há muito se sabe que ele não facilita a vida a ninguém, mas desta vez excedeu-se muito, e isso pode pô-lo no olho do furacão.
O que não gostávamos mesmo nada que acontecesse era que a luta pelo campeonato ficasse resolvida com penalizações. Para campeonatos decididos por decisões dúbias da secretaria já bastou Abu Dhabi 2021.











