Nico Rosberg foi colega de equipa de dois dos maiores nomes da F1 e , curiosamente, conseguiu levar a melhor sobre ambos. No caso de Michael Schumacher, o Barão Vermelho estava numa fase descendente da carreira e no caso de Lewis Hamilton, levou a melhor apenas numa época. Mas Rosberg sabe bem o que é ter de enfrentar um e outro e fez as suas comparações.
Em declarações à Bild, Rosberg falou das diferenças entre ambos e apontou aquele que considera o melhor:
“Michael era tão completo como piloto, estava à vontade em todas as áreas e estava incrivelmente em forma. Simplesmente brilhante. Motivou toda a equipa e pô-los realmente a trabalhar para si, conhecia todos os nomes e convidou pessoas para passeios de bicicleta e assim por diante”, recordou Rosberg.
“Lewis é apenas extremo por natureza. Em termos de talento, ele é provavelmente o melhor de todos os tempos e, com base nisso, este instinto é fenomenal com ele. Uma grande diferença entre os dois é o trabalho árduo. Lewis odeia testar e não gosta de programas de teste, enquanto Michael testaria todos os dias se pudesse, apesar de ter sido sete vezes campeão porque sabia que ainda se pode aprender um pouco lá. Ele era sinónimo de trabalho árduo, paixão… Há definitivamente uma grande diferença”.
Um ponto em comum que Schumacher e Hamilton têm é a forma como fazem a “guerra interna” com os colegas de equipa. Rosberg recordou um incidente com Schumacher: “No Mónaco, havia apenas uma casa de banho na garagem. E Michael vai com dez minutos de antecedência, tranca-se sabendo que nós, pilotos, temos de ir novamente à casa de banho antes de nos qualificarmos. Depois trancou a porta, eu estava lá fora a bater, ninguém respondeu. Entrei em pânico, tive finalmente de o fazer algures num canto”.
Quanto aos truques de Hamilton, Rosberg relembrou: “Na qualificação, uma vez tive uma pole e houve uma bandeira amarela na minha volta. Então ele corre imediatamente para os comissários após a qualificação, embora eu seja seu colega de equipa, mas não diz, ´ei, tem de se olhar novamente para Nico, porque ele fez a volta com bandeiras amarelas´. Não. Em vez disso, ele diz: ´Só estou aqui para esclarecer se posso fazer o mesmo na qualificação da próxima vez´ e, claro, eles chamaram-me prontamente. Tive de ir ter com os comissários só porque ele fez a pergunta de uma forma inteligente. O que ele faz muito bem é toda a política, com os meios de comunicação social. Ele é muito, muito inteligente. E também na pista, quando se vai para as zonas cinzentas com ele, de alguma forma nunca é realmente culpa dele. A culpa é sempre do adversário”, disse Rosberg.
Quanto ao seu colega de equipa preferido dos dois, Nico respondeu: “Nenhum dos dois! Foi difícil com Michael porque eu não tinha ganho nenhuma corrida. Quando Michael entra na sala, é como se um deus entrasse. Nas primeiras reuniões de estratégia, a sua estratégia foi discutida comigo e a minha estratégia também foi discutida com ele, apesar de eu estar sentado ao seu lado. Com Lewis, foi apenas uma luta, uma luta a todos os níveis, e o tempo todo”.
Quanto à perspetiva de ver Hamilton conseguir oito título, ultrapassando Schumacher, Rosberg foi pragmático:“Oh, não estou tão emocionalmente ligado que eu diga, ´hey, o Michael realmente merecia manter o recorde´. Lewis também o merece, e se ele o conseguir, isso é bom. Vejo cada vez mais como ele é rápido e posso estar ainda mais orgulhoso por o ter vencido com o mesmo carro”, acrescentou Rosberg.








