Toto Wolff lançou um aviso em relação ao patrão da Ferrari, que já por várias vezes manifestou a sua vontade de sair caso os novo regulamentos não se enquadrem com aquilo que é a visão da Ferrari para o futuro. Wolff, afirmou que as ameaças não são bluff e que a Ferrari poderá mesmo sair:
” Acho que a F1 precisa da Ferrari mais do que a Ferrari precisa da F1. Ele tem uma visão do que a F1 precisa representar. Se ele não vir que as mudanças acrescentam valor à sua marca, irá sair da competição. Muito fácil e sem arrependimentos. E melhor não se meterem com ele.”
Estas declarações chegam depois de Jean Todt ter dito que gostaria que todas as equipas se mantivessem na competição, desvalorizando no entanto a possível saída ad Ferrari: “Já tivemos grandes nomes a sair e outros a entrar”. E se a questão financeira não levanta problemas para Todt, que é apologista de que a Ferrari deva receber mais, a questão do veto é para o presidente da FIA algo que já deveria ter sido acabado.
Interessa então pensar na primeira questão colocada por Wolff, que claramente mostrou que a aliança com a Ferrari está de boa saude. Será que a F1 precisa mais da Ferrari do que o contrário? Estamos a falar de uma equipa com uma história inigualável, que andou de mão dada desde início com a F1. Uma marca global que acrescenta um valor tremendo à competição. Uma marca com uma legião de fãs pelo mundo fora, com uma paixão que dificilmente se vê nos fãs de outras marcas. Uma equipa de F1 onde todos os pilotos querem estar. Basta ver o GP de Monza para entender a importância do cavallino rampante. A saída da Ferrari seria um golpe muito duro para a F1.
Mas por outro lado, estamos a falar de uma equipa que tem um acordo comercial muito melhor que os restantes e que apenas precisa de se mostrar em pista para começar a receber (muito) dinheiro. Além disso, o poder de veto que actualmente tem, permite que aceite apenas as mudanças que mais lhe agradam, colocando outras equipas num patamar inferior de forma algo injusta, pois há 10 anos que a Ferrari tem estado abaixo dos seus adversários a nível desportivo. E se a Ferrari pode dar-se ao luxo de sair da F1 sem que perca ao nível da visibilidade global, o grande circo é sem dúvida o melhor palco para se mostrar e talvez o único com a grandeza suficiente para ter o impacto que a marca pretende.
Em 2015 Marchionne dizia “”Somos únicos e definidos pelas corridas. Quando a Ferrari perde, não é bom. A competição está no cerne do que fazemos. Toda a tecnologia nos carros da estrada têm como base as corridas”. E sim, um carro com tecnologia igual à que Vettel usa em pista é muito mais apelativo para quem é afortunado o suficiente para comprar uma máquina italiana. Se a Ferrari, com a F1, é alvo de paixão por parte de milhões em todo o mundo, sem F1 seria apenas mais uma marca de super-desportivos.
Em conclusão, a saída da Ferrari da F1 seria provavelmente a única solução em que ambos os lados perdem. Um mau negócio para todos. Será que num mundo onde os maus negócios são evitados a todo o custo, tal poderá acontecer?









