Seria difícil fazer pior face à desgraça de 2015, mas a McLaren deu provas em 2016 de se encontrar no rumo indicado para poder regressar aos lugares da frente a breve trecho. Boa progressão, mas ainda longe de lutar por pódios ou triunfos, foi a imagem deixada pelos homens de Woking esta temporada. Face à paupérrima exibição revelada há doze meses, em que enfrentou um dos piores anos da sua história competitiva, esperava-se muito mais da McLaren este ano. E embora a equipa não tenha conseguido chegar ao pódio, a verdade é que as coisas mudaram muito (para melhor) neste defeso. No ano passado, nono lugar entre os construtores, com 27 pontos, apenas à frente da Manor, que ficou a zeros. Doze meses depois, subida até ao sexto lugar, com 75 pontos (+48). E tudo num 2016 que, além de marcado por despedidas (Jenson Button está de saída para dar lugar ao jovem belga Stoffel Vandoorne, há muito a ser preparado pela equipa para entrar para o lugar de piloto titular), começou muito mal, com o espetacular acidente de Fernando Alonso, no GP da Austrália, após colisão a 305 km/h com o Haas F1 de Esteban Gutiérrez (um dos pilotos que teve uma época para esquecer em 2016).
Foi à conta dele que o piloto espanhol foi forçado a falhar a ronda seguinte, no Bahrain. E que Vandoorne foi chamado para o seu lugar com a supervisão de Alonso. Apesar de não ter sido autorizado a correr (o choque a 45 G obrigou a cuidados redobrados), o asturiano viajou com a equipa e procurou aconselhar o melhor possível o pupilo da McLaren. Resultado? Um fantástico 10º lugar que fez com que Vandoorne fosse o primeiro piloto a pontuar para a equipa em 2016. Num fim de semana repleto de pressão, em que foi observado por todos os quadrantes, dificilmente o belga poderia ter tido um desempenho que melhor justificasse a oportunidade que irá receber no próximo ano.
Alonso regressou na prova seguinte, na China, mas só na quarta ronda do campeonato em Sochi, é que terminaria pela primeira vez nos pontos, com um positivo sexto lugar. Button faz o mesmo ao concluir a corrida em 10º e eis que, de repente, algo aparentemente tão simples como uma ‘dobradinha’ nos pontos se torna realidade pela primeira vez desde que a parceria McLaren-Honda foi reeditada, no início de 2015. O cenário viria a repetir-se no Mónaco, Malásia e EUA, com Alonso sempre em melhor posição do que Button, claramente batido em 2016 pelo seu colega de equipa, embora também mais ‘recetivo’ a problemas mecânicos. Ao todo, o #14 da McLaren terminou por nove vezes nos lugares pontuáveis (Rússia, Mónaco, Hungria, Bélgica, Singapura, Malásia, EUA, Brasil e Abu Dhabi) enquanto o britânico o fez por sete (Rússia, Espanha, Mónaco, Áustria, Alemanha, Malásia, EUA). O chassis do McLaren encontrava-se algures entre o quinto e o sexto lugar, atrás da Force India, mas nivelado com o da Williams, sendo que as mudanças produzidas pela Honda no ERS a partir do GP da Áustria resultaram numa forte melhoria do desempenho da equipa.










