Maurizio Arrivabene é de opinião que a Fórmula 1 está cada vez mais a enfrentar a concorrência dos vídeo jogos, alegando que a atenção dos adeptos se dispersa. Em vez de verem Fórmula 1, estão a jogar ‘Playstation’. Em declarações ao Motorsport.com, o italiano sugere que seria errado para a F1 concentrar-se apenas no seu produto e não considerar outros fatores, como o aumento da popularidade dos Esports: “A nossa concorrência, hoje, e esta é minha opinião pessoal, são as PlayStations. Provavelmente, precisamos alterar a nossa forma de pensar, e focar a atenção na concorrência. Hoje em dia há uma ampla oferta de entretenimento e por isso precisamos pensar como manter a F1 no topo do interesse dos adeptos. Na minha opinião a Playstation (ndr, Arrivabene refere-se aos simuladores), são nossos concorrentes e por isso temos que fazer algo para os ‘vencer’. Hoje em dia a oferta é maior do que há muitos anos. Precisamos relançar a F1 e relançar a F1 é uma complexa equação. Se o público está a ficar mais velho, se a nossa atenção é menos focada em chegar ao público mais jovem, isso significa que existe um problema. Por isso há que encontrar uma solução.”
Curiosamente, tenho uma opinião distinta de Arrivabene. Repetindo o que já escrevi, há uns dias li um texto que falava de jogos eletrónicos e do seu fenómeno imparável. Tal como lá é referido, estes são cada vez mais das maiores, se já não a maior indústria de entretenimento. Há como se sabe diversas plataformas e centenas de jogos, tendo também nos últimos anos nascido os torneios, que, em em alguns casos, têm audiências de milhões. Neste ponto Arrivabene tem razão, pois como é lógico, as marcas não andam a dormir e têm vindo a associar-se a estas iniciativas e com isso a ajudá-las a crescer, e nesse texto questiona-se se isso não poderá ser uma ameaça ao futebol.
Talvez, mas não é isso que me interessa, o que quero salientar é o que pode ganhar com isso a ‘nossa’ indústria, a do desporto motorizado. Como se sabe, todas as principais competições já entraram na Esports, quer seja Fórmula 1, Ralis, etc. Se o futebol se preocupa que os jovens de hoje prefiram ficar em casa a jogar PES ou FIFA, ao invés de o praticarem a sério – e como se percebe pelo referido atrás, os jogos podem vir a fazer sombra ao futebol ao ‘roubar’ a atenção dos adeptos – no caso dos ‘motores’ este tipo de jogos, segundo a minha visão, tem mais potencial para atrair mais adeptos para a ‘nossa causa’, bem como a servir de plataforma para se descobrirem verdadeiros talentos, do que perdê-los para a ‘Playstation’.
Acho, sinceramente, que o mais natural é que quem goste de vídeo jogos de F1, WRC, etc, goste também do desporto que lhe é associado. Pelo menos, com todas as pessoas, sem exceção que conheço é assim, mas tenho consciência que não serei o melhor exemplo.










